Uma semana agitada!

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Luís Barreira
Luís Barreira

Não fora outro acontecimento de grande relevância para a sociedade portuguesa, eu diria que, a semana que passou, marcou mais um sensacional episódio da marcha “impiedosa” da justiça portuguesa. Refiro-me naturalmente a dois casos que, na sua continuidade processual, tiveram mais um inesperado procedimento da justiça.

Um deles foi o caso do ex-deputado do PSD, Duarte Lima que, julgado por um Tribunal de primeira instância, sobre o caso que o envolveu com o famigerado BPN, foi condenado a 10 de prisão por burla qualificada e branqueamento de capitais, tal como outras diferentes penas aplicadas aos seus “associados” no esquema.

O interessante desta decisão judicial, à qual o arguido ainda pode interpôr recurso continuando em liberdade (!….), é o “peso” desta sentença, situação a que não estávamos habituados, sempre que um político é apanhado nas malhas da justiça.

A outra, não menos interessante, foi aquela que envolveu 10 procuradores e 200 inspectores da Polícia Judiciária, numa busca à sede, às instalações informáticas e às casas e escritórios dos ex-administradores do Banco Espírito Santo, na procura de mais elementos que possam ser associados ao inquérito em curso a este banco.

Um dos factos curiosos é o de só agora se proceder a esta mega-operação, após várias semanas decorridas depois da acusação a Ricardo Salgado, que se mantém em liberdade após ter pago uma caução de três milhões de euros. Situação que nos pode levar a pensar que, se havia alguma coisa importante a esconder ou destruir, isso já aconteceu!

Outro elemento consequente desta enorme busca, foi o Ministério Público (MP) ter constituído arguidos vários directores do Novo Banco, a chamada parte “boa” do antigo BES. Afinal e ao que parece, as “maçãs podres” continuavam dentro do cesto!…

Estes e outros processos do passado recente, bem como aqueles que continuam a ser conduzidos pelo “Batman” do MP, o juíz Carlos Alexandre, dá-nos a ideia de que a justiça portuguesa está finalmente a funcionar para todos. No entanto,…estranho a mudança e o súbito “apetite” por estes casos tão mediatizados. Prefiro aguardar pelo cumprimento integral e perfeitamente legal desta “nova” justiça, antes de formar uma opinião definitiva!

Um outro tipo de assunto que no passado fim de semana mereceu a particular atenção dos portugueses, foi o Congresso do Partido Socialista.

O País assistiu à consagração de António Costa como Secretário Geral do Partido Socialista, num momento particularmente difícil para os seus militantes e simpatizantes, a braços com sentimentos contraditórios após a prisão do seu anterior líder, José Sócrates!

Mas Costa soube conduzir magistralmente todo o Congresso:

-conseguiu levar os congressistas a separarem os afectos da política, apesar do coro de jornalistas que, como vespas, picavam todos os presentes com perguntas sobre Sócrates e raramente se referiam aos trabalhos do Congresso;

-soube estabelecer as fronteiras que separam o PS da política neo-liberal da actual maioria, tentando erradicar a impressão, tantas vezes referida pelos cidadãos, de que não existem diferenças entre os partidos do “centrão”;

-afirmou as grandes orientações estratégicas do partido, evitando a personalização do poder partidário e, respeitando as futuras decisões dos orgãos de direcção do partido acabados de eleger, não cedeu à tentação das suas oposições em conhecer, antes de tempo, as propostas concretas do partido para a governação do País;

-fez um último discurso político arrebatador, falando de pessoas às pessoas, introduzindo uma lufada de ar fresco numa sociedade em que o cidadão tem sido tratado apenas como um número estatístico e soube estimular os portugueses à reflexão e participação no modelo de sociedade que querem construir.

Mas,… um congresso, apesar da sua importância, é ainda um congresso e os portugueses, que tanto se têm afastado da política e dos políticos nacionais, precisam de muito mais para poder voltar a acreditar.

Se alguns políticos querem de facto voltar a aproximar a nossa população dos seus objectivos e conseguir níveis razoáveis da sua participação política, terão de analisar e corrigir os motivos que os levaram a afastarem-se dela.

Um trabalho a longo prazo que vale a pena iniciar, para bem da própria sobrevivância do regime!…

Luis Barreira

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