Uma carta para o meu amigo Quim Zé

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Uma carta para o meu amigo Quim Zé

Não é fácil encontrar palavras para dar a notícia da partida de um amigo. Um homem bom, e que deu muito à comunidade portuguesa na Suíça central. Esta não é, assim, uma notícia, mas, sim, uma sentida homenagem a um amigo. Esta é uma carta para o meu amigo Quim Zé.
Quando cheguei à cidade de Lucerna, há 30 anos, chegámos eu e a minha mulher com o meu filho mais velho, que tinha então quase um ano de idade. Vínhamos das montanhas e julgávamos que tínhamos uma casa arrendada para dar início a um novo ciclo, depois de 3 anos a trabalhar num hotel. Não vou entrar em pormenores, mas a verdade é que ficámos sem casa e com fortes probabilidades de ficar a dormir no carro. Comecei a perguntar aqui e acolá se sabiam de uma casa para alugar. Pergunta difícil, em tempos difíceis. Já conhecia o Quim Zé, de forma superficial, dado que vendia carnes de aves nos supermercados em Emmenbrucke, no Centro Comercial. Lembrei-me de ir ter com ele e perguntei se sabia de alguma casa e contei-lhe o sucedido. Estávamos numa sexta-feira, pediu-me que o deixasse terminar o turno, dado que às sextas o centro comercial fecha às nove horas da noite, e, depois, levou-nos para sua casa, onde me ofereceu a sua cama, durante duas noites, e foi dormir com a sua mulher Teresa para o sofá, garantindo-me que se iria encontrar uma solução. Assim foi. Na segunda-feira, encontrei algo provisório por um mês, para depois encontrar um apartamento. Este foi o início da minha amizade com a família do meu amigo Quim Zé, que me viu aflito com a mulher e um filho pequeno nos braços e ofereceu-me a sua casa, a sua hospitalidade e deu-me a conhecer a sua família, a mulher Teresa, a filha Cláudia, e o seu filho Hélder, sem me conhecer de lado nenhum. Anos mais tarde, foi trabalhar para os Correios helvéticos, onde ficou ate à idade da reforma. O meu amigo Quim Zé acaba de falecer, um ano depois de se ter reformado. De repente, sem que ninguém ousasse prever, a doença foi rápida, mordaz e fatal. Um homem bondoso e digno, íntegro e solidário, confidente e sério, amigo do amigo e sempre com um sorriso nos lábios. Não digo isto porque ele acaba de partir, mas sim porque era a pura verdade. Joaquim José Marques Gonçalves nasceu em Rio Torto, Gouveia, no dia 30 de junho de 1952. Faleceu na cidade do Porto no dia 20 de setembro de 2018. O seu funeral foi realizado às 6 da tarde na capela da freguesia de Rio Torto no dia 22 de setembro e foi sepultado no cemitério local pelas 18 horas e 45 minutos. Caro amigo, abracei-te no passado mês de junho, quando estiveste na Suíça, não imaginando eu que seria a última vez. Prometemos visitas e juras de encontros que não se vão realizar. Planos de uma vida tranquila e de uma velhice feliz que se esfumaram no nada. Ficam as memórias, caro amigo. Esta vida não passa de um adiar de sonhos e desejos até um dia… e esse dia chegou tão rápido para ti, Quim Zé. À amiga Teresa, aos filhos e aos netos, os meus sentidos pêsames e partilho a minha profunda dor com vocês. Porque a minha gratidão será eterna e as minhas lágrimas as testemunhas da minha tristeza. Paz à tua alma, querido amigo.

Adelino Sá

Uma carta para o meu amigo Quim Zé
Quim Zé e sua mãe

P.S. A foto foi tirada em Rio Torto, e é também uma homenagem à mãe que o Quim Zé adorava e que também já partiu desta vida.

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