“Sons de Alqueva”, um trio que encanta

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Três homens do Alentejo a viverem em Zurique decidiram formar o trio “Sons de Alqueva”: o Vasco Rodrigues, o Nelson Conde e o Renato Romão, com talento de sobra. O Nelson era professor de música em Portugal, e todos eles sentem uma enorme paixão pela música tradicional e decidiram, assim, dar a conhecer no seio da nossa comunidade o canto alentejano visto de uma forma diferente. Não só o canto alentejano, ou o cancioneiro do baixo Alentejo, como, também, o fado, em que as suas vozes e talento musical se elevam a um patamar sublime. É, na verdade, um enorme prazer ouvir este trio, porque acrescenta algo de diferente ao que normalmente se possa conhecer. Foi no Bar Loft One, em Zurique, que este trio fez a sua apresentação oficial, no passado dia 1 de julho, na qual estivemos presentes, e foi uma agradável surpresa. Alguns dos temas são da autoria deste trio, em que o Vasco escreve e o Nelson e o Renato compõem. O Vasco Rodrigues é natural de Serpa e vive na Suíça há cinco anos. O Renato Romão nasceu na Suíça e tem as suas origens em Campinho, Reguengos, e o Nelson Conde é natural de S. Pedro Curval, Reguengos, e vive na Suíça há três anos.

–Como aparece este vosso projeto?
Vasco Rodrigues –O Nelson é um músico que atualmente toca a guitarra campaniça. Em conversa, entre os três, surgiu a ideia de formar um grupo com o objetivo de tocar as nossas tradições alentejanas no seio das comunidades…
–Mas sei que vocês querem ir mais longe?
Vasco Rodrigues –Sim, queremos levar o canto alentejano a todos, suíços e a todas as outras nacionalidades, de uma forma diferente. O canto alentejano são vozes, e nós queremos levar a música tradicional alentejana, apesar de as letras das canções serem as mesmas, mas num estilo diferente. Através dos instrumentos mostrar estilo de música de forma diferente…
Renato Romão—Digamos que queremos modernizar o canto alentejano. O canto alentejano são aqueles vinte homens ou mulheres que cantam sem música e sem instrumentos, já há algum tempo que alguns músicos introduziram a guitarra campaniça e viola portuguesa com estes cânticos, e assim decidimos seguir esta nova vertente da música tradicional alentejana. Como toco o acordeão, também pode ser que se introduza este instrumento nas nossas atuações, mas por agora estamos com a viola e a guitarra campaniça.
Nelson Conde—São a guitarra campaniça e a viola com duas vozes e meia, quem canta é o Renato e o Vasco…
Vasco Rodrigues – A voz do Nelson encaixa….(risos)
— Como vai ser o vosso público?
Vasco Rodrigues – Em primeiro de tudo o nosso públicoé a nossa comunidade. Dar a conhecer que existe um projeto diferente que defende as nossas tradições musicais. Mas, sem querer melindrar ninguém com estas minhas palavras, gostaríamos de levar este canto mesmo em primeiro de tudo aos alentejanos que vivem na Suíça. Porque eles conhecem melhor do que ninguém o que estamos a cantar. Claro que queremos que todos nos ouçam a cantar. Todos mesmo, mas os alentejanos sentem este canto alentejano talvez melhor do que os demais.
–E, sobretudo, agora que o canto alentejano faz parte do património imaterial da humanidade, não é assim?
Vasco Rodrigues – Sim, é verdade. Fiz parte do primeiro projeto de apresentação com o Rui Nery, o António Montemor; fiz parte da apresentação do primeiro projeto que foi na altura recusado, depois vieram outros.
–Onde tem origem o canto alentejano? Muitas terras reclamam a sua origem, mas de verdade qual será a sua origem?
Vasco Rodrigues –Segundo o que estudei, o canto alentejano tem origem na serra de Óssea, Elvas, passando depois para Serpa para o convento de S. Francisco. O canto alentejano nasceu no seio da Igreja, depois passou para o povo trabalhador… estamos a falar nos finais do séculoXVI, princípios do século XVII, e pelo Padre Marvão e em Serpa.
–Um canto que tem uma certa espiritualidade?
Vasco Rodrigues – Tudo isto foram recolhas que fiz com o Prof. Chico Torrão. Sim, claro, sente-se essa espiritualidade nos cânticos.
–Há que preservar esta identidade cultural?
Vasco Rodrigues—Sim, de verdade que temos de preservar esta identidade cultural e faço-o desde os meus 6 anos de idade, em Serpa, a única terra que tinha um grupo infantil na altura.
–Nos dias de hoje as nossas tradições ganharam uma maior visibilidade?
Vaco Rodrigues- Podemos dizer que estão na moda. O canto alentejano está na moda
Renato Romão – Nos dias de hoje vemos muitos jovens a cantar o canto alentejano, mas há uns anos não era assim.

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