Roger Pires, um pintor que abraçou o seu próprio mundo

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Roger Pires nasceu em Mirandela, muito cedo viajou até Lisboa, onde fez todo o seu percurso de vida e onde aprendeu a sonhar para o mundo. Inconformado por natureza, desertou do serviço militar antes do 25 de abril, irreverente, mas ao mesmo tempo ávido em absorver movimentos culturais, ideias e estilos que o levaram a viajar entre a Suíça, Holanda, Estados Unidos e Portugal ao longo dos anos. É, no entanto, a Suíça a sua residência oficial, onde falámos com o pintor. A pintura do Roger absorve traços de genuinidade com pinceladas suaves e irrepetíveis, que fazem com que os seus quadros sejam reflexos de cores e de vida, na base da simplicidade e do alcance do imaginável, mas ao mesmo tempo retratam momentos e visões que se reconhecem ao primeiro momento.  O mar está presente em quase todas as suas obras, onde em muitos dos seus quadros se reconhecem os mastros dos veleiros, como um desafio em levar a pessoa para um mundo pacificador e sem preconceitos, sem fronteiras e sem limites no tempo. De verdade que a pintura do Roger Pires cativa desde o primeiro momento pela sinceridade das suas cores, pela luminosidade e pelo brilho dos traços simples do artista, que continua ainda à procura de um sentido na sua vida terrestre. Sente-se a anarquia do homem na procura de algo indelével que ainda não encontrou. Assim sendo, a sua pintura é um misto de emoções com cores envolventes e um apelo à vida. A sensualidade, a procura do calor e a apoteose na procura de algo sublime, que o próprio artista sente que ainda não se encontrou, fazem com que as suas obras transpirem algo de místico e de beleza pelo infinito e pelo amor. Sim, porque os quadros do Roger Pires refletem, essencialmente, paixões verdadeiras e algumas inalcançáveis. Foi fácil falar com o Roger, dada a sua natureza, a conversa e os temas saem-lhe de uma forma natural e sem quebras.

–Como se iniciou a tua relação com a pintura?

Roger Pires – Creio que teve início desde os tempos em que frequentava o liceu Camões em Lisboa. A irrequietude, a minha procura constante pela atração, pela sedução da beleza das mulheres levaram-me a tentar pintar desde aqueles tempos. Mas, na verdade, a minha relação com a pintura, uma relação verdadeira, veio muitos anos mais tarde. Como sabes, tive uma agência de viagens, na Suíça, e uma outra empresa, e mesmo nesses tempos mais intensos pintei sempre. Quando alguém fazia anos, eu não comprava uma prenda, mas sim pintava um quadro meu e oferecia. Não sei se as pessoas gostavam verdadeiramente do meu gesto, ainda estou para saber, mas ofereci sempre uma pintura minha. Sou um viajante do tempo e do mundo. Fugi à tropa e fui para a Holanda, onde estive alguns anos, e, depois do 25 de abril, regressei a Portugal. Anos mais tarde, a convite do meu irmão, vim abrir uma agência de viagens aqui na Suíça no ano de 1982. O meu irmão já tinha uma agência de viagem em Portugal. Recordo que houve um ano em que se conseguiram organizar 26 autocarros no tempo do natal para o nosso país, foi uma verdadeira loucura. Naquele tempo havia muitos portugueses a trabalhar na agricultura que regressavam no natal.

–Mas em relação àinspiração para os teus quadros, vais buscar aonde?

Roger Pires – Em primeiro lugar ao mar. Àquele manto de água sem fim. Mas deixa-me dizer que tudo começou com uma exposição em Genebra, numa galeria afamada e conceituada, que me abriu muitas portas. Correu muito bem e fui convidado sem contar…., ou seja, queriam juntar à exposição um pintor português e com um conhecimento fez com que me ligasse ao evento. Foi um sucesso dado que me abriu muitas portas. Deixa-me dizer que já pintei nas ruas de Barcelona como na rua Augusta em Lisboa. Vendi muitos quadros na rua.

–Como preparas uma exposição?

Roger Pires –Bem, olha, acabo de fazer uma exposição em Miami, não levei um quadro. Levei, isso sim, as minhas espátulas, dado que os meus trabalhos são todos espatulados, comprei lá as cores e as telas, e pintei durante algumas semanas no meu quarto, para depois expor…. carrego dentro de mim o imaginário das fontes da minha inspiração.

–Reparo que alguns dos teus quadros são pintados numa única cor, enquanto outros são carregados de vida, com muitas cores. Como assim?

Roger Pires –Para mim, por vezes, uma única cor chega. Depende do dia e da hora. Do momento e de como me sinto. Não quer dizer que uma só cor seja algo de sinistro, nada disso. Mas representa um momento. Uma só cor pode dar-me total satisfação. Depende do dia…

–A inspiração aparece ou procuras?

Roger Pires—Acontece… podem passar-se semanas em que não pinto nem um quadro. Seja como for, não procuro, espero que chegue o momento para poder pintar.

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