“Portugal está na moda”!…

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Luís Barreira
Luís Barreira

Ano após ano Portugal tem vindo a ser “invadido”, a um ritmo crescente, por milhares,… milhões de turistas das mais diversas nacionalidades.
Aquilo a que antes estávamos habituados a ver no Algarve, estendeu-se a todo o território português, nomeadamente às grandes cidades do nosso País. Apenas entre Janeiro e Julho deste ano, o número de dormidas de turistas em Portugal excedeu, pela primeira vez, os 30 milhões e a indústria do turismo adquiriu um peso relevante na economia portuguesa, representando já 7% do PIB.
Para termos uma ideia do valor que isso representa e do impacto financeiro que tem nas várias actividades que beneficiam deste fluxo turístico, uma recente pesquisa sobre a utilização de cartões de crédito estrangeiro no nosso País revelou que, durante os três meses de verão, os turistas deixaram em Portugal 17,2 milhões de euros, por dia!
Se considerarmos Lisboa como referência, que se tornou a quinta cidade europeia a crescer mais em quantidade de visitantes, o sector turístico representa mais de 80 mil empregos directos e cerca de 6.300 milhões de euros em vendas.
Perante estes resultados não é excessivo dizer-se que “Portugal está na moda”!
Podemos enumerar algumas das circunstâncias que concorreram para este sucesso turístico: o facto de muitos dos anteriores e habituais destinos de férias estarem com fortes problemas de segurança, comparativamente aos nossos; a ignorância estrangeira que existia sobre Portugal e as suas potencialidades; o baixo custo de vida do País, em relação a outros destinos; a sua proximidade em relação ao centro da Europa; o clima, a gastronomia, a história, a cultura e o habitual bom acolhimento do nosso povo.
Mas, para que tudo isto se tornasse uma realidade, foi e é preciso dar a conhecer o País lá fora, pelas suas melhores razões!
Se há iniciativa que cumpre todos esses requisitos e alarga os horizontes da nossa juventude, essa é a Web Summit em Portugal, que decorre neste momento em Lisboa pela segunda vez, como a maior conferência europeia de empreendedorismo, tecnologia e inovação.
Três dias com mais de 60 mil pessoas de 170 países, que vão ouvir e debater temas propostos por mais de mil oradores internacionais, apresentar os seus projectos tecnológicos inovadores em várias áreas de actividade e serem submetidos à avaliação de muitos clientes e dos mil e quinhentos investidores presentes. O que está em causa não é somente o fluxo de participantes que já reverteu cerca de 300 milhões de euros para Lisboa, nem mesmo as oportunidades que se abrem às muitas startups portuguesas que vão estar presentes a apresentar o seu modelo de negócios, é também o facto de, com Web Summit, Portugal está em todos os maiores órgãos de informação do mundo, com os evidentes resultados para um melhor reconhecimento do nosso País.
Mas (e há sempre um mas…), tantos turistas não agradam a toda a gente!
Sobre Lisboa, tenho ouvido os mais notáveis comentários transcritos em jornais contra esta realidade: que se tropeça em turistas a todo o instante; que se descaracterizou culturalmente a capital do País; que os preços de arrendamento e compra de habitação atingiram valores incomportáveis para os portugueses; que o alojamento local tomou conta das casas disponíveis; que os lisboetas já não são “donos” da sua cidade, etc, etc.
Embora seja obrigado a concordar com muitas dessas declarações, sinto-me perplexo com a sua origem. Uma considerável parte dos lisboetas que as fazem são pessoas que, pelo seu estatuto económico, ficam ou já ficaram extasiadas a contemplar o cosmopolitismo de cidades como Paris, Londres ou Berlim, para só falar de capitais europeias. Gostam de visitar grandes cidades inundadas de turistas, dos quais fazem ou fizeram parte e conservar a “velha” Lisboa “para descansar”!…
É bem verdade que nem todo o progresso é positivo para o País e que a quantidade de divisas que entram em Portugal através do turismo, não justifica tudo. Mas também é verdade que uma grande parte dos turistas que nos procuram, fazem-no para conhecer as nossas particularidades e, nesse aspecto, reconheço que as nossas instituições têm feito um trabalho meritório para as preservar e melhorar.
“Tropeçar” agora em turistas nos passeios de Lisboa ou nas suas esplanadas é, além de tudo, uma encantadora forma de socializar e ver Lisboa cheia de gente, como não víamos há anos atrás, após o êxodo de muitos portugueses para as periferias da cidade. E, nessa altura, não havia tantos ou quase nenhuns turistas.
Se há um preço a pagar para tornar a nossa capital equivalente a qualquer uma das grandes cidades europeias, sem perdermos o essencial que nos identifica, este “custo” é perfeitamente acessível e rentável para Portugal.
Não se pode sonhar “em grande”, com espírito pequeno!

Luis Barreira

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