Porquê e para quê?…

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Luís Barreira
Luís Barreira

Naturalmente que já ninguém se recorda das propostas eleitorais da coligação que hoje governa Portugal e a razão compreende-se!… Porquê e para quê recordar promessas que nunca se cumprem?

Há já muito tempo que nenhum português confia nas metas orçamentais, estabelecidas pelo Governo, para superar a crise que nos afecta!…Para quê lembrar tantos projectos, que já são aprioristicamente indefensáveis, antes de começarem a ser executados?

Já ninguém tem paciência para ouvir as alocuções televisivas do Primeiro Ministro, destinadas a apresentar ao País “os caminhos da salvação”!…Porquê e para quê ouvir o anúncio de mais um drama social a acrescentar a tantos outros?

Muito poucos ainda têm a expectativa de que o Governo lance (efectivamente e dois anos depois do prometido…) uma politica arrojada de desenvolvimento económico, que permita desenvolver as nossas empresas e debelar o terrível flagelo de um desemprego, que arrisca a eternizar-se! Mas para quê, se cada vez que tais medidas são meramente anunciadas, elas são abafadas pelos “superiores” interesses  financeiros de um Ministro “biblicamente” influenciado pelas teorias (já contestadas) da “escola de Chicago”, obcecado pela defesa do seu currículo, das suas promessas à troika (e para além dela…) e que se arroga de não ter sido eleito para se “sobrevalorizar” junto dos deputados da República?…

Ninguém acredita que a simples mudança de “caras” governativas, destinadas a “lavar a cara” ao governo, alterem o que quer que seja do nosso traçado destino! Porquê e para quê mais uns jovens tecnocratas, simpáticos e académicos, quando as nossas grandes necessidades são de homens maduros de cultura política?

Já todos percebemos que, os constantes apelos ao “consenso”, são consequência de uma directiva dos nossos credores que, face aos constantes erros de previsão do executivo, começam a ficar receosos de perderem o seu investimento, se não existir um compromisso nacional entre algumas das nossas forças políticas e sociais! Mas para quê, se a intenção teoricamente manifestada esbarra com um Governo que anuncia primeiro o que vai fazer e depois pede o consenso dos outros?

Por isso e em consequência do que se vai conhecendo do “Big Brother governativo”, já todos verificaram que, os apelos ao consenso, se destinam à coligação e ao interior dos partidos políticos que a formam e muito menos aos agentes políticos externos ao Governo! Porquê e para quê se, de acordo com manifestações anteriores, as aparentes “inconformidades” do CDS são muito mais destinadas a conterem a queda do seu eleitorado, do que a obstruirem o Governo de continuar a insistir na sua exclusiva política de austeridade?

No entanto,… e neste último fim de semana, com as declarações de Passos Coelho a anunciar mais cortes na despesa do Estado, que configuram no essencial mais umas dezenas de milhares de funcionários públicos fora do sistema produtivo, aumento da idade de reforma e um imposto suplementar aos reformados e, dois dias depois, a declaração formal e pública de Paulo Portas afirmando que, o imposto aos reformados, ultrapassa a “fronteira” do seu acordo, o País parou para pensar!?…

Pensar que, se o líder do CDS/PP vier a recuar na oposição a esta medida, ficará totalmente desacreditado junto dos portugueses e particularmente perante o seu partido. E se Passos Coelho desdizer o que afirmou querer fazer, o povo passará a acreditar que o Governo é formado por “um lobo e um cordeiro” e o líder do PSD terá de prestar contas aos seus militantes.

Mas, o mais grave de toda esta novela sobre um divórcio anunciado e nada mais original, num executivo que peca por falta de originalidade, foi o triste espectáculo de um Governo, cujos responsáveis vieram para a praça pública exporem as suas divergências, esperando que os portugueses lhes concedam um conselho matrimonial e, eventualmente, lhes perdõem as diatribes!

Porquê e para quê confrontarem-se em directo, na expectativa do veredicto popular? A resposta do povo parece-me óbvia!

 

 

Luis Barreira

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