Pedro Marques brilhou na exposição Bienal de Montreux com a sua garrafa “Labirinto dos Sentidos”

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Pedro Marques recebeu o prémio do público numa cerimónia que decorreu no Montreux Art Gallery, no passado dia 9 de novembro, no Centro de Congressos e contou com a presença do Cônsul de Portugal em Genebra, Dr. Bruno Paes. O escultor foi um dos 32 artistas selecionados a expor e o Pedro Marques ganhou, como já se mencionou, o prémio do público, e o escultor agradeceu desde logo a votação maciça da comunidade portuguesa.

A peça chegou à Suíça no mês de agosto e ficou em exposição até ao final do mês de outubro. Contudo, como mereceu a melhor atenção do público, que a elegeu, vai ficar em exposição até à próxima Bienal do mês de agosto de 2021. O artista é o primeiro português a ser premiado na Bienal de Montreux, mesmo se esta exposição deu especial relevo a Portugal e aos seus cavaquinhos na última edição. Falámos com o Pedro Marques, natural de Setúbal, que nos falou da sua obra.

— É a primeira vez que participa neste evento. Fale-nos da peça que trouxe a esta exposição.

Pedro Marques – Esta peça foi pedida pelos agricultores da minha região, em Setúbal, que me pediram uma peça alusiva ao vinho, e eu fiz esta peça que foi apresentada no Posseirão, há cerca de um ano e pouco. Esteve ainda na feira de Santiago em Setúbal, foi até Ponte de Lima, esteve no jardim da Bacalhôa no Azeitão, e acabou por vir parar à Suíça.

–Estamos a falar de uma peça que é construída com que materiais?

Pedro Marques – A base é o aço, o ferro e o galvanizado e representa um labirinto. No fundo, o que é o mundo do vinho e da vinha? Se pensarmos bem, é no fundo um labirinto. Nós nunca sabemos o resultado final do nosso trabalho. É essa a imagem em que se procura o brilho, que o resultado final seja um bom vinho. Tudo isso procuro representar nesta peça. Esta peça tem cerca de 4 metros de altura e um metro de diâmetro. A inspiração veio da zona de onde vivo, Palmela, uma zona de vinhos. No meu tempo ainda não existia a Euro Disney, mas eu já tinha esse centro de divertimento que era a adega. Todo aquele ambiente dos cavalos, da adega, das carroças e dos tratores…, aquele era o meu mundo de diversão e era um mundo fabuloso. E a inspiração veio dessa luta, desse trabalho que muitas vezes é inglório. Aquela garrafa, aquele labirinto, representa um pouco tudo isso.

-Que representa este prémio para o Pedro?

Pedro Marques – Representa muito trabalho, muito acreditar em mim, e, principalmente, sei que tudo se iniciou por mim, desde concorrer, realizar a obra e ser selecionado, mas é também um prémio da comunidade portuguesa emigrante na Suíça, dos portugueses em geral que votaram para que este momento pudesse ser uma realidade. No fundo quem ganhou foi o voto. Tenho mesmo de agradecer imenso a essas pessoas.

–Esta peça tem um volume razoável. Como chegou até aqui?

Pedro Marques –A peça tem cerca de 80 Kg de peso e quem olha para todo o rendilhado identifica o meu estilo. Devo dizer também que todas as peças são elaboradas com materiais reciclados. Assim, andei algum tempo a pensar em fazer peças escultóricas com um certo impacto, mas que fossem possíveis de montar em qualquer situação e transportáveis. Foi o que aconteceu. Ando sempre com uma carrinha e um atrelado com cerca de 9 m.

–Fonte de inspiração?

Pedro Marques – Para mim foi sempre a terra, o mar e as pessoas, e sempre com materiais recicláveis.

–Ao que parece já vendeu algumas peças?

Pedro Marques – Sim, e há uma situação curiosa. Quando vim a Montreux, e depois de tratar de toda a logística para a garrafa, ao seguir para Vevey, parei num hotel para reservar um quarto. Ao fazer a reserva, dei um flyer do meu trabalho ao dono do hotel, que pediu logo uma peça para colocar em frente ao hotel. Ainda por cima estava a decorrer a festa da Vindima em Vevey, e agora podem lá ver um cálice com cerca de 2,20 m de altura.

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