Pai e filho no mundo do motocrosse na Suíça

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“Carlos Oliveira”: “Material ajuda, mas sem talento não se chega ao pódio”

Carlos e Edgar Oliveira, pai e filho, juntos nas andanças do Motocrosse na Suíça. Vamos começar pelo Carlos Oliveira, que é natural de Cabeceiras de Bastos, tem 34 anos de idade, e corre ao mais alto nível na Suíça desde o ano de 2008. O seu melhor resultado foi o de vice-campeão Open MXRS e obteve ainda o 3.° lugar em 2017. O seu grande sonho era abrir uma garagem de motas, sonho esse que conseguiu realizar no ano de 2016. O Carlos apoia ainda o seu filho Edgar, de 8 anos de idade, que começa assim a seguir as pisadas do pai, mesmo se a mãe por vezes se aflige um pouco. Mas o Edgar, que nasceu em Bienne, em dezembro de 2008, tem 9 anos de idade, já participou em 8 provas e este é o seu segundo campeonato. No entanto, as atenções centram-se no pai Carlos Oliveira que está a ter um bom desempenho no campeonato helvético e espera poder obter bons resultados e sempre com as cores da bandeira nacional. As cores de Portugal estão sempre presentes.

–Carlos, o que é que mudou desde o ano de 2008 até aos dias de hoje?

Carlos—Mudou muita coisa. A minha evolução como corredor, um melhor conhecimento do material, do ambiente, o local das provas, o nível, até que a tudo isto se junta a abertura desta garagem, que foi o culminar de um sonho que persegui desde sempre. Podemos dizer que juntei o útil ao agradável, o mundo das motas com a abertura desta Garagem de motas. Nesta garagem recebemos todo o tipo de motas, faço todo o tipo de transformações, em todas as marcas, ou seja, o cliente é o rei e senhor nos seus desejos, como também pode ser uma simples mudança de óleo; enfim, estamos aqui para servir e atender os desejos das pessoas. Trabalhamos muito com suspensões também.

–Quer dizer que o empenho em percorrer a Suíça, e participar nas provas, ainda se mantém?

–Claro. Claro que sim, todo esse empenho, juntamente em acompanhar o meu filho que também corre, e durante a semana atender os clientes da garagem. Ou seja, falamos de motas todos os dias, todos os meses, todo o ano. Não posso esquecer ainda o tempo que dedico aos treinos, para mim e para o meu filho.

–Pai e filho no mundo das corridas… já existe uma disputa entre vocês os dois?

Carlos—(risos) Não, disputa não, somos de classes diferentes, mas já nos motivamos em fazer o nosso melhor…

–Mas, de certeza que, a ver o filho a correr, a atenção e o cuidado são maiores?

Carlos –Sim, de verdade que sim; quando vejo o meu filho a correr, a tensão é diferente, mesmo se sei que ele é capaz e sabe o que pode fazer. Mas, sim, os nervos são diferentes. Para mim, sei o que ele pode fazer, até porque também sou corredor, mas acredito que, para a mãe e para os avós, a tensão e cuidado ainda são maiores. Mas ele tem-se aguentado e feito um bom trabalho.

— O nível na Suíça mantém-se ou tem evoluído?

Carlos –O nível é sempre elevado, os jovens estão cada vez mais fortes, o andamento nas provas é muito elevado, um melhor conhecimento do material e uma melhor preparação fazem com que as provas estejam num nível muito elevado na Suíça. Muitas das provas são disputadas ao milímetro, se assim podemos dizer. As pessoas investem muito mais nos conhecimentos, a internet veio esclarecer muitos pontos sobre os motores, e como disse uma melhor preparação e conhecimento fazem com que a maior parte dos corredores estejam muito bem preparados. Depois, no final, vencem os melhores.

–E os portugueses? Vê muitos portugueses neste mundo das corridas?

Carlos—Sim, mesmo muitos. Nos últimos anos, vemos muitos portugueses a competir e com muito valor. Imagina que, quando comecei, no ano de 2008, éramos apenas dois ou três a correr, e, nos dias de hoje, nas provas, encontro por vezes mais de 30 portugueses a competir. Por aqui já se pode ver.

–No início, eras apenas tu?

–Não, era eu, o Marcelo, o Tiago, um rapaz de Zurique que agora desistiu…E agora temos novos valores como o Alexandre Marques que acho que vai ser um grande nome no mundo do motocrosse. Estou em crer que vai ser mesmo grande, dado que tem muito talento e sabe sacrificar-se em prol do que gosta e sabe fazer muito bem. O Alexandre Marques é mesmo muito bom.

–Mas é preciso talento e investimento?

Carlos— É preciso talento, sacrifício, investimento e sorte. Muitas vezes é preciso conhecerem-se as pessoas certas para que tudo funcione. Mas estou convencido de que o Alexandre está no bom caminho. O investimento por vezes é a pior parte, porque se a logística não funcionar em condições fica tudo muito mais complicado.

–Podes dizer-nos quanto custa uma época?

Carlos – Se contares com as inscrições, viagens, uma boa pré-epoca, com tudo, tens de contar com cerca de 20 mil francos. Em viagens, temos de contar com cerca de 45 mil quilómetros na estrada…

–É mesmo uma paixão?

Carlos—Uma paixão, sim; a de ficarmos um pouco mais pobres, mas andamos contentes com a vida. Andamos o dia a dia com gosto (risos).

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