Padre Sandro, e o seu mais recente trabalho “Olhar-te”

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Na sua mais recente visita à Suíça, o Padre Sandro deu um concerto memorável no cantão de Lucerna. Concedeu-nos uma entrevista em que nos deu a conhecer o seu mais recente trabalho que está a merecer os mais rasgados elogios e aceitação das pessoas.

–Que é que nos pode dizer sobre este seu novo trabalho, “Olhar-te”?

Padre Sandro –Este trabalho tem um objetivo que é a evangelização. Uma forma diferente de evangelizar. Como muitas outras, esta é uma. E no fundo é colocar os talentos, que acho que tenho, ao dispor da Igreja, ao dispor da igreja que somos nós, e com esse objetivo de passar a mensagem para os corações das pessoas. Acima de tudo aquilo que pretendo é que não olhem tanto para mim, mas mais para aquilo que represento, que é Deus. Por isso é “Olhar-te”, olhar-te para Deus. Numa sociedade que cada vez o olha menos, foi esse o objetivo e foi esse o nome que escolhi. Olhá-lo como horizonte, talvez se olhássemos mais para Ele ao longo do nosso dia-a-dia, talvez o mundo fosse melhor.

–Vivemos momento difíceis nos dias de hoje. Sente-se muita indiferença, muito egoísmo, assim sendo faz sentido este chamamento?

Padre Sandro –Há um tema que eu canto, que se chama” Amanheceu”, em que peço ao espírito que venha falar ao coração, que venha falar de amor ao coração, e no fundo, acho que hoje que temos de tornar o coração das pessoas melhor. E no fundo ser Igreja é construir um mundo melhor. Um mundo talvez com mais coração. A relações das pessoas nos dias de hoje muitas vezes não são boas, porque não são relações com o coração e do coração. Por isso é que temos o mundo que temos, egoísmo, as pessoas são individualistas, não olham para o bem do próximo, e como tal temos de educar… a pequenina gota que eu possa ser no meio de um oceano, uma semente que possa ir lançando no coração de alguém, pode ser que germine, e em cada concerto que tenho, as pessoas quando saem dos meus concertos se levarem um pouco daquela semente que é Jesus Cristo, que é o amor, que é o bem, que é a paz no coração para casa , para o trabalho, já estamos todos a contribuir para que o mundo seja melhor.

–Começou por dizer no início do seu concerto que as pessoas deveriam estar à vontade porque a Igreja, a Casa de Deus, também é uma casa de alegria. É mesmo assim?

Padre Sandro –Há algo que me incomoda na Igreja, que é o facto de haver uma barreira, que eu ainda não percebi muito bem qual é, do que é profano e do que é sagrado. Nunca consegui perceber em termos musicais, e não só, o que é que limita, a barreira, o que divide, o que é sagrado e depois chega àquele ponto e já não pode passar, o que é profano? Nunca entendi muito bem isso. Porque tudo aquilo que seja para dar graças, louvor, ao Senhor, e os temas são todos com uma mensagem, carregada de amor, de paz, de Fé, seja com estilo de música que for, Kizomba, Rock em Roll, Bossa Nova, seja que estilo for, porque é que não pode haver alegria nas Igrejas? Penso que muitos nossos cristãos, quando saem da Igreja ao fim da missa, ao fim das celebrações, se houvesse alguém de fora a analisar as caras das pessoas, sentiriam que parece que estão a sair de um velório, mas não deve ser assim. Tenho a certeza de que as pessoas que saíram deste concerto, saíram com rostos de alegria de satisfação, de paz, saíram cheios, mesmo no meio deste ritmos de guitarras, bateira, mas com mensagens de esperança e de alegria. Como tal, não tenho nenhum problema em fazer aquilo que faço e toda a forma de louvar o Senhor. Tenho a certeza de que Ele fica contente quando sente alegria na Sua Casa.

–Um dos temas que realmente sobressaiu, e que todos sentiram de uma forma muito sentida, foi o da Paz. Que força deseja transmitir com este seu tema?

Pare Sandro – O refrão diz que “eu quero-te dar a paz do meu Senhor”. Não é aquela paz que nós vemos nosso dia-a-dia, porque o nosso mundo tem uma paz podre, muito frágil, basta uma pequena discussão, um pequeno problema, e a paz acabou. Lá se vai a paz toda. Quando sentimos a paz do Senhor no nosso coração, e procurarmos levar este sentimento aos outros, tenho a certeza que o mundo pode ter mais paz. Essa mensagem, como quando te abraço, quando aperto a tua mão, ou quando se diz ”sinto em mim o poder do amor”, é esta paz, este abraço que quero transmitir às pessoas.

–Como começou este seu projeto musical?

Padre Sandro –Ao longo da minha vida no seminário, fui compondo, sempre com a minha viola, fui compondo. Há 4 anos, no ano da Fé, fui desafiado e fui fazer um concerto com os meus temas e juntei um grupo de amigos, no Santuário do Alívio, em Vila Verde, foi o meu primeiro concerto, pensando eu que seria apenas esse momento. Correu tão bem, que fui sempre provocado e recebendo cada vez mais convites até que tive que me rodear de músicos fantásticos e levar uma postura mais séria. A ideia é de as pessoas ouvirem a minha música e rezarem cantando, como ouvissem qualquer outro cantor, mas com mensagens e música, julgo eu bonitas, que têm uma mensagem de esperança e de amor.

— Falou no concerto do exemplo dos emigrantes portugueses que labutam fora do seu país. Um reconhecimento e uma mensagem que tentou transmitir?

Padre Sandro –Ser pároco em Portugal é uma missão cada vez mais difícil. Eu, por exemplo, tenho seis paróquias. A entrega como pastor não é a mesma. Aqui, a entrega dos leigos que vim encontrar na Suíça, que se entregam às causas e que se dão, que tiram do seu tempo, longe das famílias, longe das suas terras, por isto tudo, digo que em Portugal temos de aprender com a dedicação de quem está fora e que abraça com prazer o sentido de ajudar, de participar e de ser útil. De verdade que a minha mensagem é de coragem, de força, e que realmente são gente incansável e que continuem com a sua dedicação, como tal admiro a forma de todas estas pessoas que nos receberam e contribuem também, para o bem-estar da comunidade.

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