Os últimos dados sobre a Comunidade portuguesa na Suíça

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A Comunidade portuguesa na Suíça continua a ser uma das mais importantes para o desenvolvimento económico e ocupa um lugar de destaque em muitos setores da vida helvética. Depois dos italianos e dos alemães, vivem na Suíça 265 mil 518 portugueses, o que representa 12.5% da população estrangeira, um número inferior aos apresentados no ano passado, e desde há 4 anos que não aumenta a população portuguesa. É um facto que muitos portugueses estão a regressar ao nosso país, muitos na idade da reforma, muitos outros decidiram levantar os seus fundos de pensão e regressar a Portugal. Em relação ao número de mulheres, este é substancialmente inferior aos dos homens, 119 mil 569 mulheres contra os 146 988 homens e as maiores comunidades portugueses continuam a localizar-se nos cantões de Vaud, com 58 669, Genebra 35 354, Valais 38 851, Zurique 28 031, Fribourg 25 089, Berna 14 700 e Neuchâtel com 13 329 mil portugueses. As atividades profissionais em que predominam os portugueses continuam a ser o ramo das limpezas, construção civil e restauração. É um facto que tem vindo a verificar-se o regresso dos portugueses, mesmo se nos últimos números apresentados não seja substancial, mas estamos em crer que os próximos demostrarão uma descida acentuada deste número. As razões apontam para uma melhoria da situação económica e laboral em Portugal, mas, também, e sobretudo a entrada do novo regime da troca de informações em matéria fiscal e da não declaração dos bens e rendimentos ao fisco suíço, em Portugal, dado que existe o medo de serem tributados com elevadas somas, como infelizmente veio a acontecer com muitos portugueses, evitando, estes, assim, de pagarem ao fisco helvético, o que muitos consideram ser injusto, dado que são devidamente tributados em Portugal sobre o seu património. O sentimento de injustiça é ainda maior quando muito do patrimônio provém de heranças e as mesmas são tributadas com o imposto de sucessão em Portugal. Para os portugueses não é aliciante pedir a dupla nacionalidade, sendo que o número de portugueses no cantão de Genebra com dupla nacionalidade representa 8%, e os pedidos nos últimos anos em todo o território é um número insignificante. Contudo, podemos dizer que a comunidade portuguesa está bem integrada, mesmo se muitos têm dificuldades em falar as línguas nacionais, ou falam com grandes deficiências estruturais e não entendem cabalmente o que lhes dizem, o que faz com que muitos percam o seu trabalho com idades muito jovens, o que por vezes faz com que seja muito difícil para conseguirem de novo uma colocação.

No que diz respeito ao ensino, existe uma elevada taxa de insucesso escolar, mesmo se estamos em crer que a situação melhorou e muito em relação aos últimos anos. Felizmente encontramos muitos alunos portugueses a frequentar cursos superiores, e a obter excelentes notas, mesmo se esse número ainda não é satisfatório, ficando aquém do que se desejaria. Existem sérios casos sociais, pessoas que vivem com a ajuda permanente dos centros de assistência social dos cantões, alguns casos crónicos, e de difícil resolução, dado que muitos caem num círculo vicioso de dependência. O Movimento Associativo está em declínio, muitas associações fecharam as portas,  dado que este não conseguiu acompanhar os tempos de evolução, criar novos desafios, novos quadros associativos, novas soluções e, como tal, com o passar dos anos muitos pontos de encontro acabarão por  desparecer por completo ou transformar-se-ão em restaurantes sem qualquer vinculo associativo ou com objetivos sociais. Em relação aos restaurantes, existe cada vez um maior número de locais de restauração em mãos portuguesas, e alguns com um enorme sucesso. Existem ainda os clubes, ligados ao fenómeno do futebol, que ainda vão criando alguma vivacidade com a organização dos seus torneios, que em alguns dos casos são fenómenos de popularidade e de encontro em grande número da comunidade portuguesa. Também é verdade que nestes torneios os ânimos por vezes exaltam-se e criam-se algumas altercações. Mas tudo faz parte do temperamento lusitano.

As festas portuguesas multiplicaram-se e em alguns casos com grandes prejuízos para os organizadores. Existem, contudo, grandes festas bem organizadas que conseguem ultrapassar a medianidade de muitas outras. Seja de que forma for, as festas continuam a ser muito apelativas e são os jovens da segunda geração que dão vida a este movimento, especialmente quando chegam à Suíça as novas correntes musicais em Portugal, que são muito do seu agrado.

Uma palavra para o mundo empresarial onde se consegue encontrar sérios casos de popularidade e de enorme sucesso, tanto como em padarias, garagens, restaurantes, setor das limpezas e no sector da construção civil. Existem empresas portuguesas com mais de 100 empregados, e algumas outras com mais de 50. Fenómenos muito bem sucedidos e que nos apraz registar com muita satisfação.

A. Sá

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