Os “tiros no pé” de Durão Barroso!…

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Luís Barreira
Luís Barreira

Sempre que se aproximam eleições, a cultura política deste País brinda-nos com costumados excessos de contradições, que resultam quase sempre em autênticos “tiros no pé” para os seus protagonistas.
Durão Barroso, na perspectiva da sua saída (inglória) de “grande líder” desta Europa feita de retalhos, menos decorativos do que uma vulgar manta alentejana, decidiu começar a intervir directamente na política portuguesa, mesmo antes da sua passagem à reserva das suas lides europeias.
Sem que ninguém o interrogasse sobre esta matéria, forçou algumas declarações sobre o escândalo nacional do BPN, acusando Victor Constâncio, actual vice do Banco Central Europeu (BCE) de, na altura em que era Governador do Banco de Portugal, não ter actuado contra a administração do BPN, depois de ele (Durão Barroso) lhe ter colocado, em três reuniões distintas (???), suspeitas sobre a fraude que estava a ser cometida por aquele banco e que conduziu a uma elevada factura de muitos milhares de milhões de euros, a pagar pelos contribuintes portugueses.
Abstendo-me de qualquer apreciação, até que tudo fique claro (se alguma vez ficar…), sobre o papel do então Governador do Banco de Portugal, Victor Constâncio, neste processo. O que, e para já, é claro,… são os factos:
Durão Barroso disse que tinha suspeitas. Mas então não era ele o 1° Ministro, com autoridade para reclamar uma investigação?…
E se tinha dúvidas, como justifica ter tido no seu governo e no seu partido, alguns dos principais responsáveis por essa mega fraude, sem o ter denunciado?…
Um verdadeiro “tiro no pé”, as afirmações deste (ainda…) Presidente da Comissão Europeia, em vésperas de eleições europeias.
Mas, e a propósito deste assunto, poderíamos pensar que, com tantas opiniões “avisadas” sobre o caso BPN e a envolvência de figuras gradas do PSD, na gestão desse banco (através da SLN), o actual Governo iria ter muito mais cuidado no tratamento deste processo. Mas eis que veio a público a curiosa notícia de que, a sociedade de advogados Telles de Abreu e Associados, é a empresa que defende o Estado, contra os antigos administradores do BPN mas,…. e ao mesmo tempo, defende os arguidos contra o Estado!?….Escuso-me de fazer qualquer comentário!…
Durão Barroso, no seu périplo por esta “vinha” que pensa vindimada, decidiu igualmente fazer um show da sua performance europeia reunindo, numa mesma ocasião, vários “ilustres europeus”, Cavaco Silva e Passos Coelho.
Resultado: Cavaco elogiou Barroso; Barroso elogiou Coelho e Coelho “elogiou” Barroso e para ilustrar a sua seriedade e competência, perante tão digno auditório, afirmou que, desta vez e ao contrário das vezes anteriores, os fundos europeus iriam ser aplicados em Portugal com mais critério. Esqueceu-se no entanto que, no passado, Cavaco e Barroso foram primeiros ministros e responsáveis pela aplicação desses mesmos fundos!
Mais um “tiro no pé” para esta iniciativa do “popular” Durão Barroso!
Mas este “príncipe de Bruxelas”, que julgávamos mais apto, após esta bem paga comissão de serviço, (depois de ter abandonado o governo de Portugal às “ortigas”) não ficou por aqui no seu deleite filantrópico de auxílio ao actual Governo e quis exibir a sua capacidade ana(para)lítica afirmando, na mesma ocasião (antigo liceu lisboeta) que, ali era o local onde se ministrava a “cultura de excelência” de antes do 25 de Abril de 1974!…
Não corroboro as afirmações de que tudo o que antes se estudava era mau, mas é-me difícil pensar que, este antigo estudante e revolucionário activo do MRPP, se tenha esquecido de como funcionava o sistema educativo anterior e, supostamente, daquilo que tanto reclamou, nomeadamente, acabar com uma taxa de analfabetismo que, antes de 74, rondava os 26% da população e que hoje se situa inferior a 5%.
Com tantos “tiros no pé” e “cambalhotas” evocativas, Durão Barroso dificilmente poderia ser reeleito para Presidente da Comissão Europeia, ou talvez fosse,… por isso mesmo!
Espero que, perante a hipótese de tal candidato, os portugueses venham a ser mais exigentes, quando chegar a vez de escolher o próximo Presidente da República!

Luís Barreira

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