O regresso aos mercados!…

0
654
Luís Barreira
Luís Barreira

Já uma vez me referi a esta eufórica expectativa governamental de “regressar aos mercados”, como se isso representasse o fim da crise que nos afecta. Também afirmei, a este propósito que, para uma larga maioria dos portugueses, independentemente da retórica económica e financeira com que são bombardeados todos os dias, “ir ao mercado” é deslocar-se a um local onde compram os produtos com que se alimentam, ou seja, pagam para adquirir o que precisam.
No caso concreto do “regresso aos mercados” financeiros, por parte do nosso executivo, a situação assemelha-se à anterior, só que se trata de poder adquirir dinheiro emprestado, a um juro inferior àquele que actualmente estamos a pagar, para podermos manter os compromissos nacionais.
Se pagar menos pelo dinheiro que nos emprestam é algo positivo, não é o fim dos nossos problemas, nem se deve à confiança que os “mercados” financeiros depositam no presente e futuro do nosso País ou, pelo menos, não se deve exclusivamente ao nosso “bom comportamento” no cumprimento do famoso memorando da “troika”!
Para que tal se perspective num futuro próximo, muito contribuiu a acção (embora tardia e cheia de tibiezas..) das instituições europeias, nomeadamente do BCE, que conseguiu conter a fúria especulativa internacional contra o euro.
Mas, a segurança económica e financeira de um País, não se mede apenas pela estabilidade da sua moeda!
Portugal está hoje: com um dos piores indicadores de crescimento económico; um stock da dívida ainda mais grave; um défice que só conseguiu aproximar-se do previsto, pelo socorro a medidas extraordinárias que não poderão repetir-se; segundo o Banco de Portugal, em 2011, 2012 e 2013, perder-se-ão 340.000 empregos e chegaremos a 2014 com menos de 4,6 milhões de empregados; o investimento produtivo é praticamente inexistente e, com as pequenas e médias empresas descapitalizadas e sem poderem recorrer ao crédito, as falências sucedem-se em catadupa. Salvam-se os indicadores da exportação que, pese embora em acentuada queda, mas face à drástica diminuição das importações (consequência da falta da procura interna), conduziram a um melhoramento da nossa balança comercial.
No entanto, mesmo que  nos aproximemos das metas estabelecidas pela “troika” para 2012, tendo em consideração a péssima situação em que o País real se encontra e a sua evolução previsível em 2013, se não for encarada uma mudança significativa na direcção política económica nacional, não haverá mercados financeiros que nos acreditem, nem “memorando” a respeitar!
A progressiva destruição do nosso já fraco aparelho produtivo, único gerador de emprego, acentua ainda mais as dificuldades em manter qualquer compromisso, desacredita qualquer gestão governativa e, pela miséria social que produz, faz os portugueses sentirem-se indesejáveis no seu próprio País!
Os portugueses estão desanimados e têm razões concretas para estar como estão. O seu pessimismo não é um falso sentimento criado pelos críticos do governo ou pelas oposições partidárias, ele é consequência das dificuldades que estão a sentir e da inconsequência de muitas das soluções que lhes são apresentadas!
Os portugueses estão desorientados porque, desta vez, duvidam da capacidade dos seus líderes políticos em resolverem a difícil situação em que nos encontramos e para a qual muitos dos seus aparelhos partidários contribuíram.
Os portugueses estão receosos pelo futuro do seu País, das suas gentes, da terra que amam e que sentem deslizar para um passado social de más recordações, em nome de uma crença ideológica que apelida de inevitável a evolução da actual situação, até nos colocar numa verdadeira e profunda dependência externa, como condição essencial à nossa sobrevivência.
Se nada se alterar o País não acabará, porque os portugueses não o deixarão morrer, mas serão necessárias algumas décadas, com políticos e políticas inteligentes, para restaurar a sua esperança numa vida melhor.

Luis Barreira

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here