Os 609 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), acabam de receber um presente de Natal envenenado. Serão todos despedidos!…
Após dois anos e meio de governação e de ter prometido que salvaria os empregos destes experientes profissionais, do único estaleiro de construção naval do País, o Ministro da Defesa, Aguiar Branco, tomou a inesperada decisão de vender o estaleiro a uma empresa privada, despedindo todos os seus trabalhadores!
Mais de 600 famílias, às quais se juntarão tantas outras de trabalhadores de empresas locais, fornecedoras do estaleiro e que passarão a estar na iminente ameaça de ver fechar as suas respectivas empresas, receberam esta “pedrada no charco”, juntando-se às muitas centenas de milhares de trabalhadores portugueses no desemprego!
Diz o Ministro que o estaleiro, nas mãos do Estado, não tinha solução: por falta de encomendas; por impossibilidade financeira de continuar a injectar-lhe dinheiro, devido à imposição da Comissão Europeia, que já tinha obrigado Portugal a pagar 180 milhões, por ajudas indevidas do anterior Governo e que, o concurso público, deu como resultado a escolha da “melhor proposta”(???): “dar” a concessão do estaleiro à empresa Martifer, com uma renda anual ridícula e “limpa” de trabalhadores!…
Não se sabe o que aconteceu com mais de uma dezena de outros concorrentes à exploração do estaleiro! O que ficámos a saber é que ele foi entregue a uma empresa sem qualquer experiência nesta actividade e com dívidas acumuladas em cerca de 370 milhões de euros!?….
Não se percebe como é que o ENVC, enquanto empresa estatal, não tinha encomendas suficientes para o rentabilizar e, com a Martifer, vai passar a ter de imediato! O que ficámos a saber… é que uma recente directiva europeia vai obrigar navios a terem duplo casco!?….(curioso!…)
Não se compreende que o Governo não tenha tido 3 milhões de euros para financiar a ENVC, na compra de matéria prima para finalizar a encomenda dos navios asfalteiros para Venezuela e tenha agora 30 milhões de euros para pagar as indemnizações por despedimento dos trabalhadores!?…(interessante!…)
Não se entende a afirmação do Ministro, quando diz ser obrigado a pagar 180 milhões de euros, pela infração das normas europeias do anterior Governo, ao ter prestado ajudas financeiras ao ENVC, quando não há nenhuma decisão da Comissão Europeia nesse sentido, tal como afirmou o Comissário Europeu da concorrência, a 22 de Novembro, dizendo que “não pode ainda tomar uma posição sobre se as medidas (ajudas prestadas ao ENVC) são compatíveis ou incompatíveis com o mercado interno”!?…(afinal?…)
Não podemos aceitar o optimismo do Ministro, quase garantindo que a Martifer vai absorver cerca de 400 trabalhadores, quando isso não faz parte de qualquer acordo da concessão! O que se pode subentender é que poderá fazê-lo (se quiser ou precisar da sua experiência…) com mais baixos salários e contratos a prazo!….(Pois!…)
O que nos custa a aceitar é que as soluções encontradas por este Governo, para enfrentar a “crise” passem, inevitavelmente, por cortes na “despesa”, ou seja, despedindo trabalhadores quando, noutras áreas em que este Ministro advogado é especialista, as verdadeiras despesas não páram de aumentar. Tal é o caso dos organismos da administração central, local e regional que, entre 2011 e Outubro de 2013, tiveram 33,3 milhões de euros de encargos com serviços externos de consultoria/acessoria, montante superior ao registado nos anos anteriores.
Ao aumentar o “exército” de desempregados, muitos deles já sem qualquer espécie de subsídio, nem meios de subsistência própria, o Governo cumpre (sem o declarar…) um dos actuais requisitos do FMI: fazer baixar o salário no privado porque, no público, já o Governo está a fazer! E, para que a “almofada” dos avós, actualmente o suporte de muitos filhos e netos desempregados, não retire eficácia imediata desta manifesta intenção, corta igualmente as pensões!
Com a emigração a fazer de “panela de escape social”, mas a começar a fechar muitas das habituais portas, não faltará muito tempo para se iniciar uma migração para as Selvagens. Pelo menos, as “catarras”, são mais sociáveis!…
Luis Barreira































