O (mau) “Estado da Nação”!…

0
910
Luís Barreira
Luís Barreira

Decorreu na semana anterior o já habitual debate parlamentar anual sobre o “Estado da Nação”.

Entre um enfadonho blá-blá da maioria e o já habitual bluá, do maior partido da oposição, entrecortado pelas costumeiras “farpas” dos restantes partidos, ficámos a saber que o Governo não sabe o que fazer para cumprir as metas estabelecidas pela “troika” para 2012 e muito menos o que fará para 2013.

Aquilo que deveria ser o debate mais vivo e sério da nossa democracia parlamentar, sobretudo num momento difícil para a sociedade portuguesa, foi “apagado” de ideias e energia, como se houvesse um acordo táctico entre os estados-maiores dos partidos, com receio de que, a explicitação das suas soluções (se as tinham…), podessem comprometer os seus resultados eleitorais, para as próximas eleições autárquicas.

Quando num debate desta natureza, o Governo pergunta à oposição quais são as medidas que sugerem, para se ultrapassar a difícil situação em que nos encontramos, no quadro da lógica do nosso viciado confronto parlamentar, é natural que, a oposição, lhe tivesse devolvido a questão. Afinal, cabe ao Governo apresentar soluções!…

Parece-me no entanto que, nem uns nem outros perceberam que, esta crise, já ultrapassou os limites do económico e financeiro, estendendo-se ao político, envolvendo-os a todos, nomeadamente aqueles que habitualmente têm tido responsabilidades governativas.

Se pensam continuar com os habituais “joguinhos” de aritmética eleitoral, destinados a manter ou conquistar o poder, pode ser que, em próximos actos eleitorais, o País lhes reserve uma surpresa! Talvez à boa maneira do “português suave” não os faça explodir mas,… basta que os deixe implodir!

Os portugueses estão “fartos” dum sistema político-partidário que faz dos debates parlamentares um “exercício de arremesso”, em vez de um forum capaz de estabelecer soluções para os seus problemas e os necessários consensos para as concretizar. Mesmo que isso implique cedências de qualquer uma das partes, elas são mais reconhecidas pelo povo, do que as atoardas permanentes com que se confrontam!

O curioso é que, desta vez, até poderiam publicamente desculpar-se pelos maus resultados da aplicação das medidas que nos foram impostas pela “troika”. Não foram estes emprestadores que diagnosticaram os nossos males e nos deram a receita? Não é verdade que estes “medicamentos” estão a matar o doente e a afastar-nos cada vez mais da cura? Não temos sido bons executores da terapia de choque que nos imposeram? Perante o fracasso destas medidas, porque é que os nossos deputados e governantes não assumem a unanimidade de acusarem a “troika” e seus técnicos, pelo descalabro do seu projecto para “salvar” Portugal?

Se a razão está no compromisso que assumiram e que querem honrar, é bom lembrar que, esse acordo, foi assinado com “a pistola encostada à cabeça” e não havia outra solução a curto prazo senão aceitá-lo!

Se receiam que, por sermos um País pequeno, os outros não permitirão renegociar o memorando, assumam a coragem de expôr a força da nossa razão e veremos o que acontece e a forma como outros países, nas mesmas condições que nós ou a caminho, reagirão. Ser estadista envolve uma certa forma de atrevimento!…

O País já compreendeu que foram feitas imensas asneiras na governação, por todos aqueles que, em alternância e ao longo dos anos, se deixaram viciar no laxismo das contas públicas, no favorecimento de algumas “élites” e na indiferença perante as asneiras cometidas, em nome de uma filosofia de comportamento, que se poderia intitular “…o último a chegar que feche a porta”!… Os portugueses já disseram que não querem que isto se repita!

Toda a gente percebe que Portugal tem uma dívida, que deve assumi-la e pagá-la como pode. Mas não se desfazem erros de várias décadas exigindo a sua correcção em tão pouco espaço de tempo, sob pena de se extinguirem as únicas fontes de receita, que poderiam gerar a riqueza suficiente para pagar aos nossos credores! Se é isto que querem, em defesa da vossa honra, das vossas convicções ou dos vossos receios, deixando o País “a pão e laranjas”, para poder pagar as dívidas, a Nação vai deixar-vos em mau estado!

Luis Barreira

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here