O “dialecto” da economia e das finanças!…

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Durante o “reinado” da troika e sob a égide do anterior governo de Passos Coelho, os portugueses foram torpedeados com um tipo de linguagem a que não estavam habituados.

Jornais, cadeias de televisão, rádios e toda uma escola de comentadores da actualidade política nacional e internacional, empregavam permanentemente expressões de natureza económica e financeira, dirigidas a todos os vulgares cidadãos, como se toda a gente estivesse habilitada a compreender o complexo conteúdo desse jargão, aceitando as suas conclusões.

Termos como: PIB, PNB, défice externo, risco sistémico, FMI, dívida pública, branqueamento de capitais, fundos de investimento, política monetária, swaps, agências de rating, paraísos fiscais, reservas cambiais, política tributária, bolha financeira e tantos outros vocábulos deste léxico, passaram a fazer parte da fraseologia do nosso quotidiano.

Os portugueses, mal ou bem, foram-se habituando a ouvir, a ler e a assustar-se, com as consequências da utilização deste vocabulário técnico que, para além de lhes ser muitas vezes incompreensível, só lhes causava cada vez maiores dificuldades na vida.

Para muitos, falar-se de dívida pública, só fazia sentido se falassem das suas próprias dívidas! Evocar a necessidade de aumentar o PIB, quando se encontravam involuntariamente no desemprego, parecia-lhes uma piada de mau gosto! Saber da existência de fundos de investimento, quando os seus salários de miséria não chegavam para pagar a renda ou a prestação da casa, angustiava-os! Apresentar-lhes a existência de uma nova política tributária, deixava-os inicialmente na dúvida se, o “tributo”, era uma “cortesia” para com eles ou, como se veio a revelar, mais uma “taxa” a aumentar a “enorme carga de impostos” que lhes caiu em cima, desesperava-os!

E assim, pela “dolorosa” prática, a grande maioria dos nossos concidadãos foi compreendendo e esmiuçando toda aquela panóplia de termos técnicos, adaptando a sua compreensão à realidade da sua vida e deixando progressivamente a ingenuidade de acreditar naqueles que: “se falam bem, é porque têm razão”!

A praxis ajudou-os a definir os conceitos!

Se a taxa de desemprego é actualmente de 7,9%, ou seja, a mais baixa desde 2004 (segundo o Instituto Nacional de Estatística e as normas europeias aplicadas), é algo que podem aferir pela sua própria realidade de emprego.

Se o Produto Interno Bruto (PIB) registou em 2017, um aumento de 2,7% em termos nominais, maior do que se pensava, estabelecendo o maior crescimento económico desde 2000, tornou-se compreensível perante o real aumento do emprego e as consequentes exportações.

Se o peso da dívida pública, de acordo com o Banco de Portugal (BdP), baixou para 126,2% do PIB, em Dezembro de 2017 e porque, como antes se disse, o PIB aumentou mais do que o esperado e o Governo considera que a dívida ainda vai baixar para 125,6%, é uma situação que se enquadra naturalmente na actual prática de descida de impostos e aumento dos salários mínimos.

Se alguém durante décadas nos inculcou que os ricos iam para o “inferno” e os pobres para o “paraíso”, como forma de castigar a usura e enobrecer a pobreza, muitos portugueses aprenderam factualmente que foram bem castigados pelo inferno de pobreza que passaram, enquanto banqueiros e “muitos outros” batiam as “asinhas” para os seus paraísos fiscais.

Não se aprendeu tudo, infelizmente!

A economia e as finanças são um mundo complexo, dominado por pessoas que também elas existem num mundo ainda mais complexo. Se uns são corruptos e pervertidos, outros fazem honestamente o que de melhor sabem, acreditando na utilidade do seu trabalho. Mas, no caso destes últimos, muitas divisões ainda se estabelecem em consequência das ideologias que defendem e, como nenhum deles se apresenta aos povos como desonesto e vigarista, a melhor forma de os julgar é pelo exemplo histórico daquilo que defendem e pela moral social de que se reveste a sua própria prática.

Razão que nos conduz à aprendizagem permanente desta “linguagem”, pela realidade da vida em que ela nos coloca, não esquecendo que, mais importante do que esta simbologia económica e financeira, é o serviço que ela presta à felicidade dos cidadãos, tendo especial consideração pelos mais desfavorecidos.

Luís Barreira
Luís Barreira
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