O Centro Inter em Château D’ Oex uma realidade que nasceu de uma colaboração com a comunidade espanhola nos anos 78, e oficializada no ano de 1982

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Fomos visitar o Centro Inter, em Chateau d’ Oex, no cantão de Vaud, e conhecer esta realidade que foi fundada oficialmente pelos espanhóis no ano de 1982. O atual presidente é o Márcio Oliveira, mas sempre ajudado por um dos fundadores, o João Pina, que acompanha também a par e passo a vida desta coletividade. Uma direção que deseja fortalecer os laços com a comunidade local, mesmo se esta já viveu melhores dias no setor hoteleiro: teve 22 hotéis, e conta apenas com um nos dias de hoje. Passou para mãos portuguesas no ano de 1994 e já teve outro local em Rougemont, passando definitivamente para a atual sede no ano de 1996. Conta com 100 sócios e muitos deles têm residência na famosa estância de Gstaad, que fica a poucos quilómetros de Château. Todas as festas tradicionais são respeitadas, como a festa do sócio, Natal, S. João, S. Martinho, e a atual direção tem 7 elementos.

Falámos com o João Pina, 57 anos de idade, natural de Viseu, e que acompanha a vida desta coletividade desde os anos 90.

–João, explique-nos como é que tudo teve início. Tudo começou no ano de 1994, não foi?

João Pina—Isto foi assim: o Centro foi aberto por espanhóis, daí vir o nome Centro Inter e assim ficou, porque naquele tempo não havia espanhóis nem portugueses que chegassem para se poder abrir um ponto de encontro. Havia muito pouca gente. Assim, os espanhóis juntaram-se aos portugueses e assim nasceu este Centro Inter. De verdade que nós no início nunca tivemos o nome como Centro Português. Nos dias de hoje, sim, chamam-çhe o Centro Inter Português. Hoje, na junta de freguesia local, é assim que este local está identificado. Penso que tudo teve início em 78, mais ou menos por essa altura. Os espanhóis eram em muito maior número nesta região. Mas devo referir que o Centro Inter só foi oficializado no ano de 1982, apesar de tudo ter início uns anos antes. Temos documentos em nosso poder que provam estas datas.

–Naquele tempo, os emigrantes vinham trabalhar para que setor?

João Pina – A maior parte para a hotelaria. Havia muitos hotéis nesta região ao contrário dos dias de hoje. Mas também vinham para a construção, mas em menor número. Eu, por exemplo, quando aqui cheguei no ano de 1988 foi para a hotelaria.

–Quer dizer que setor da hotelaria baixou nesta região?

João Pina—Sim, sim, baixou drasticamente. Posso dizer que nesta povoação, em Château D’ Oex, que tem por volta de 2600 eleitores, e serão cerca de 4000 habitantes, havia 22 hotéis em pleno funcionamento, e nos dias de hoje tem apenas 1 único hotel em pleno funcionamento. Por aqui já pode ver. Era uma localidade, até pelas suas caraterísticas, que servia de passagem a muitos grupos, mas nos dias de hoje não se passa assim. Os hotéis desapareceram. Havia naquele tempo três estações de Ski, nos dias de hoje existe apenas uma, e está fechada.

–Quais são, então, as atividades mais importantes nesta região?

João Pina—A concentração dos balões, a concentração dos veículos carochas, devo dizer que existem diversas manifestações de interesse em Château d’ oex, organizadas pelo Ofício de Turismo local.

–Começaram então a chegar os portugueses, pode dizer-me quantos portugueses vivem nesta região?

João Pina –Bem, entre Château e Gstaad, que é bem perto daqui, podemos dizer que devem viver cerca de 2000 portugueses, se não forem mais. Posso dizer que muitos dos nossos sócios vivem naquela zona de Gstaad, que é cantão de Berna, e nós somos Vaud.

— Quais são as vossas principais atividades?

João Pina- Já tivemos uma excelente equipa de futebol, os troféus expostos na nossa sala provam isso mesmo, mas nos dias de hoje alguns elementos formam uma equipa para participarem num ou outro torneio e pouco mais. Depois temos as normais atividades e festas que uma coletividade deve ter, como a festa do sócio, festa de Natal e o S. João…

Falámos também com o atual presidente Márcio Oliveira, que é natural de S. Pedro do Sul, 35 anos de idade e vive na Suíça desde o ano de 2007. O Márcio é manobrador de gruas de profissão.

–Como é ser presidente de uma coletividade como o Centro Inter?

Márcio Oliveira – Está tudo a correr pelo melhor, com uma boa equipa tudo se torna mais fácil, e, como tal, não é difícil ser presidente desta coletividade.

–Vocês têm diversas festas no vosso calendário?

Márcio Oliveira – Sim, claro que temos de ter um programa para os nossos sócios durante o ano. Mas, estou em crer que a festa que mais interesse tem, e será porventura aquela que suscita mais interesse, é a festa do sócio. No entanto, tivemos uma festa no ano passado com a popular cantora Rosita, e foi uma enchente. Na festa do sócio oferecemos tudo, e é um convívio especial e diferente.

–Uma pequena vila típica suíça, muito pacata, ninguém diria que numa casa tradicional existe um centro português…

Márcio Oliveira –Sim, mas temos de ter em conta que por estes lados é muito difícil de conseguir qualquer tipo de instalações, assim que estamos muito contentes com o que temos. Outra não vamos conseguir…

–Como é a colaboração com as autoridades locais?

Márcio Oliveira –Sem qualquer problema. Eles estão sempre prontos para nos ouvir, de verdade que não existe esse tipo de problemas. Estamos tranquilos em relação ao futuro, todos os anos temos uma assembleia e os sócios têm a sua palavra. O futuro é continuar com a tranquilidade necessária e mantermos este local aberto e ser um ponto de encontro para todos, claro que estamos um pouco limitados com o espaço, mas estamos bem.

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