Luís Aleluia, o eterno menino Tonecas

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Luís Aleluia, o eterno menino Tonecas

Falámos com o ator Luís Aleluia, aquando da sua presença em Payerne, que nos falou do seu trabalho e da sua carreira. Uma conversa com um dos atores que teve um êxito assinalável com a sua atuação no papel do menino Tonecas, e que irá ficar indelevelmente marcado na vida e na carreira deste talentoso ator, e que nos deu imenso prazer em poder entrevistá-lo.

Fale-nos do que tem feito ultimamente. Teve um êxito fantástico com o menino Tonecas, e depois?
Olhe, faço aquilo que mais amo que é o teatro. Para o qual dirijo as minhas energias e alimenta-me este afeto das pessoas. Não tanto a televisão neste momento, porque os atores têm um período de televisão, e depois passam a fazer teatro…

Percorre, assim, todo o país…
Sim, percorremos todo o país e também as comunidades, porque é tão bom sermos recebidos, como aqui em Payerne, desta forma entusiástica que nos enche de alegria e prazer. É muito agradável chegarmos e sermos recebidos desta maneira. Já estivemos em Lausanne, em Genebra, depois estivemos no Luxemburgo, na Bélgica, na França, felizmente em Portugal sentimos este enorme afeto também, mas, nas comunidades, sentimos um laço, um abraço de um sentimento mais profundo quando vimos de Portugal e abraçamos a comunidade portuguesa. Existe uma proximidade que faz com que nos sintamos em casa…

Como é que as pessoas o reconhecem mais facilmente, como o ator Luís Aleluia, ou como o menino Tonecas?
O menino Tonecas ficou para sempre. Acontecem vários fenómenos, há atores que se colam às figuras, ou a figura colou-se ao ator, e isso foi inevitável no menino Tonecas e digo-lhe também que foi um privilégio. Porque, ao acontecer isto, a meio de uma carreira, não foi mau, porque este sucesso, se me te tivesse acontecido no princípio da minha carreira, envaidecer-me-ia, ficaria tão vaidoso, que provavelmente estragaria a perspetiva que temos de uma carreira e provavelmente no fim não me serviria de nada. Agora, este sucesso, a meio da carreira, foi bom, porque temos a consciência do que se fez no início, até porque não tínhamos nenhum mediatismo e, depois, sentirmos que tudo isto é muito relativo. A vida dos atores é uma vida muito intermitente, ou estamos em cima ou estamos em baixo. Ou temos muito trabalho ou temos muito pouco trabalho. O menino Tonecas proporciona-me um contacto contínuo com as pessoas, ou seja, as pessoas lembram-se do sucesso que foi na altura esta personagem e, claro está, associam-na à minha pessoa. Só tenho pena de muitos colegas meus, que se calhar têm muito mais talento do que eu, não terem tido na vida uma oportunidade como a do menino Tonecas nas suas carreiras.

Como vê a comédia em Portugal no momento?
Está muito bem.

Acha-o mesmo a sério?
Sim, está mesmo. Eu digo a comédia. Estou a falar da comédia do teatro. Há muita produção no teatro e com muita qualidade. Há atores preocupados com a sua formação técnica, o que era algo que há vinte, trinta anos não havia. Antes, a formação não era uma preocupação ou uma prioridade. Hoje em dia existem mãos atores formados em termos técnicos e essa formação também dá a informação de se ter bons textos, bons diretores de cena; temos nos dias de hoje, felizmente, bons equipamentos técnicos, uma rede de teatro bem equipada, as instituições e as coletividades investem muito mais em reativar o associativismo e a retomar os palcos, abrir as filarmónicas à juventude. Verificamos que o movimento associativo está a ter de novo um papel preponderante em Portugal.

Qual é a sua opinião sobre as telenovelas em Portugal?
As telenovelas são um produto de televisão. Sabe, os atores em Portugal infelizmente não têm muitas opções e não podem recusar trabalho por este ou aquele motivo. Em Portugal também há aquela noção de que se eu recusar uma ou duas vezes já não me chamam mais…

Como foi o caso do seu colega Carlos Areias, em que disse que não tinha trabalho e que não o chamavam?
Bem, sabe, com o Carlos Areias, bem, por vezes, as coisas são um bocadinho mediatizadas de mais, o que serve para vender. Mas o Carlos talvez tenha passado por momentos de menos trabalho, mas houve outros em que passou por momentos de glória e de muito sucesso. Ele é produtor e tem as suas próprias peças de teatro. Bem, o que se passa é que a televisão segura os atores. Mas devo ser franco: não gosto muito das telenovelas, porque nos obriga a um trabalho de continuidade durante seis, sete meses e é uma responsabilidade porque nos deixa muito pouco tempo para fazermos teatro. O que gosto muito é de abraçar estas pessoas, porque se estivesse a fazer uma telenovela, muito provavelmente não poderia estar aqui neste momento em que estamos a falar. Felizmente tenho o privilégio de as pessoas gostarem do meu trabalho e o trabalho na televisão é muito intensivo, porque estudar os textos de um dia par ao outro, se é uma série, como foi o caso do menino Tonecas, uma pessoa grava um ou dois dias e tem tempo para o teatro.

Então, diga-nos, quais são os seus projetos?
A nível de televisão, não tenho novos desafios, a não ser alguns casos pontuais, em que por vezes sou convidado. Mas, no teatro, vamos fazer uma comédia nova, e temos um trabalho musicado, chamo-lhe teatro musicado, tem uns bons sketches , muito de cariz popular, existe uma identificação com o Parque Mayer, com os artistas populares, existe um envolvimento muito grande e podemos levar este espetáculo a todos os convites, seja em que lugar ou país for.

Luís Aleluia
Luís Aleluia
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