José Azevedo de Zurique fala-nos da declaração de impostos e do acordo

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José Azevedo tem 43 anos de idade e é natural de Famalicão. Mas, a sua terra de adoção é a Póvoa de Lanhoso onde criou raízes e tem fortes laços familiares.  O José Azevedo fundou o seu escritório no ano de 1998, na cidade de Zurique, e tem uma opinião muito avalizada de toda a celeuma criada ao redor do acordo assinado no passado mês de outubro sobre a declaração do património. A firma do José Azevedo é a JFA.

Como e que tu vês todo este acordo que foi assinado no ano passado, em que as pessoas têm de declarar o seu património?

José Azevedo – Vejo com bons olhos, até porque esta lei sempre existiu na Suíça, não o podemos esquecer. Claro que tudo que está a acontecer no seio da nossa comunidade decorre da falta de formação de muitas pessoas que falam do que não sabem. O acordo diz respeito apenas às contas financeiras, mesmo se a lei na Suíça obriga a declarar todo o património. Claro que cada um deve decidir em consciência e fazer as suas opções. É bom não esquecer que este acordo envolve muitos outros países. Este acordo não foi feito apenas para os portugueses.

Qual é a pergunta mais frequente que os teus clientes te fazem?

José Azevedo – Bem, amigo Sá, de verdade as pessoas estão alarmadas pelo simples facto de lerem opiniões de indivíduos que publicam nas redes sociais, opiniões essas que estão completamente distorcidas da realidade. Que fique bem claro, isto não tem nada a ver com nenhum abandono por parte das autoridades portuguesas, em relação à diáspora que vive no estrangeiro.  Que fique bem claro, mais uma vez. Mas, voltando à tua pergunta, o que incomoda mais as pessoas é que dizem que pagam em Portugal os seus impostos, como o IMI, e não têm nada que declarar aqui na Suíça. Mas, as pessoas têm de perceber que estamos a falar de impostos diferentes e que nada têm a ver um com o outro.

Este acordo vem apenas reforçar uma lei que existe desde sempre na Suíça?

José Azevedo – Sim, podemos assim dizer. A verdade é que a lei no país helvético sempre existiu. Todos os emigrantes, sejam portugueses ou de outros países, quando iniciaram o seu percurso nesta terra, ao terem de fazer a sua declaração fiscal, estavam desde logo obrigados a declarar todo o seu património. Esta é que é a verdade.  Claro que as pessoas estão preocupadas em relação ao valor que vão ter de pagar a mais, que podemos dizer que não vai ser nada de intransponível, em muitos casos nem sofre qualquer alteração. Agora, e o que lhes vai acontecer caso não declarem?  Aí, caso sejam confrontados, caso não paguem, têm uma multa que pode ir até aos últimos 10 anos, e claro está que depende quando esse imóvel foi adquirido e dos valores em causa.

Esse pagamento dos 10 anos está definido por lei?

José Azevedo – Depois de falar com diversas pessoas ligadas aos impostos do cantão, garantiram-me que em 90% dos casos não vai ser efetuado qualquer controle ou qualquer medida extra. E isto porque os números não interferem com a declaração que as pessoas têm vindo a declarar. Como tal, por este lado estamos esclarecidos. Claro que temos aquelas pessoas que vivem da assistência social, e nestes casos acredito que as autoridades vão vasculhar mais a fundo todo o seu património e se de facto merecem ser ajudadas ou não. Tenho a certeza de que estas pessoas serão as primeiras a ser escrutinadas.

Mas os números vão mesmo aumentar muito?

José Azevedo – Ainda bem, há pouco tempo fiz uma simulação com um dos meus colaboradores e posso adiantar que um português que tenha um vencimento líquido de impostos anual de 60 mil francos, que tenha mais 5 mil euros em Portugal de rendas, que tenha um património financeiro na Suíça de 100 mil francos, e que declare mais 200 mil em Portugal de imobiliário, essa pessoa vai pagar qualquer coisa como mais 400 francos ao ano. Claro que esta simulação foi feita para uma declaração na cidade de Zurique. E nem todos têm estes números. Não creio que estes números possam assustar uma pessoa que tenha um património neste valor. O imposto que estamos a falar não é nada de assustador, mesmo se a complexidade neste país é que cada freguesia tem a sua própria taxa, o que complica as contas e a informação que se possa dar. Mas, o meu conselho é que as pessoas se informem com pessoas competentes e não liguem a alguns indivíduos que pensam que têm formação e que defendem a cultura, mas na verdade não sabem nada.

Para terminar, toda a especulação nas redes sociais não têm razão?

José Azevedo – Não, de maneira nenhuma. Nada mesmo. Mas temos bons artistas que fazem questão de tentar boicotar o trabalho de pessoas sérias e que lançam opiniões de verdadeiros analfabetos e que não têm uma estrutura mental capaz. Mas, foi sempre assim, e creio que vai continuar a sê-lo. Mas, a verdade vem sempre ao de cima, e a realidade mostra-nos que temos pessoas sérias na comunidade e que fazem um bom trabalho e com seriedade.

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