Jornadas da violência doméstica em Lausanne, em Zurique

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Jornadas da violência doméstica em Lausanne em Zurique

Em primeiro lugar, devemos mencionar e enaltecer a coragem e a ousadia, com palavras de apreço e de reconhecimento, da Change Mind – Global Aid, em especial à sua presidente, Manuela Souto Abreu, por ter organizado estas jornadas sobre a violência doméstica na Suíça, que se realizaram nos passados dias 6, 7 e 8 de setembro, em Lausanne e em Zurique, e nas quais foi possível ouvir, debater e refletir sobre um problema que é transversal a todas as sociedades. A violência doméstica existe. A violência doméstica é uma realidade que muitos não querem aceitar. A violência doméstica mata, destrói sonhos e realidades, fratura estruturas familiares e cria barreiras comportamentais a quem sobrevive a estas tragédias dentro de quatro paredes. Porém, ainda nem sempre, infelizmente, as entidades competentes olham para este flagelo da forma devida. E é mesmo de saudar, por isso, todas as iniciativas promovidas nesta área. Os números, infelizmente, já são conhecidos e existem cada vez mais casos. A verdade é que existe uma indiferença, uma surdez alheia, em relação a este tipo de situações. Muitos não aceitam que uma relação possa terminar, seja qual for a razão, seja qual for a disputa, seja qual for a situação, mas ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém, nem de ser juiz em causa própria. A apresentação destas jornadas teve na Dra. Ester Vargas, adida social da Embaixada de Portugal em Berna, uma voz atenta e conciliadora, entre todos os intervenientes, que com a sua experiência deram um testemunho avassalador sobre como este problema exige uma maior atenção, querendo que se fale abertamente sobre o mesmo para sensibilizar e desmotivar quem possa querer vir a ter um um tipo de comportamento desta natureza. No dia 6 de setembro, em Lausanne, a abertura pertenceu ao embaixador de Portugal em Berna, Dr. António Ricoca de Freire, que leu uma mensagem do Presidente da República, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa (transcrevemos à parte a mensagem do Presidente da República), para depois se passar ao testemunho dos intervenientes nestas jornadas. Maribel Rodriguez, do cantão de Vaud, apelou à Convenção de Istambul, para que se possam as várias entidades responsáveis articular e estar atentas a estes fenómenos de violência doméstica. Mas uma das intervenções que chamou a atenção de todos os presentes foi a do Prof. Urs Zehnder, conselheiro em matéria de violência masculina em Zug, que deu o seu testemunho junto de pessoas condenadas por violência, as quais não entendiam os seus comportamentos, nem se conseguiam incriminar pelos atos praticados. Um sintoma claro de como o problema pode ir muito mais além do que se pode julgar. Em Zurique, no dia 8 de setembro, no salão paroquial da Igreja de St. Félix, e sempre sob a moderação da Dra. Ester Vargas, aconteceu outra jornada intensa e profícua para alertar e sensibilizar a comunidade para que se fale abertamente da violência doméstica. O Cônsul de Portugal em Zurique, Dr. Paulo Maia e Silva, abriu a sessão que contou com a presença da Secretária de Estado da Cidadania e da Igualdade, Dra. Rosa Monteiro, e a sua presença muito sensibilizou todos os presentes, de facto, pelo interesse por um tema tão sensível e do qual infelizmente poucos falam. Parabéns, mais uma vez, à Change Mind-Aid Global! Uma das intervenções que empolgou a plateia foi a de João Pedro Gaspar, pelo seu testemunho junto de jovens, alguns deles marginalizados, e o trabalho que a PAJE tem desenvolvido. Apesar de não terem tido salas cheias, podemos dizer que estas jornadas suscitaram o interesse de muitas pessoas e entidades, e ainda estiveram presentes representates dos partidos com assento no Parlamento em Portugal, como o Bloco de Esquerda, PSD e PS. Muito se poderia dizer e de facto iremos continuar a fazê-lo no próximo número, com a entrevista que a Secretária de Estado nos concedeu.

As Jornadas foram organizadas pela Change Mind-Global Aid, em colaboração com a Embaixada de Portugal em Berna, o Consulado de Portugal em Zurique, o Consulado de Portugal em Genebra, a Coordenação Nacional da Pastoral das Migrações de Língua Portuguesa na Suíça, com o apoio da Direção-geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e contou com as intervenções de Maribel Rodriguez, Christophe Dubrit, Urs Zehnder, Teresa Martins Marques, João Pedro Gaspar, Eugénia Quaresma, do Centro do Conselho e de Ajuda às Vítimas da BIF, Zurique.

Mensagem de Sua Excelência o Presidente da República para as Jornadas sobre a Violência Doméstica em Lausana e Zurique, 6,7 e 8 de setembro

Caros amigos,
Há duas palavras que desde logo me interpelam, quando confrontado com esta iniciativa da Associação Change Mind-Global AId. A primeira de agradecimento, pelo convite e pela ideia de trazer à discussão no seio da Comunidade Portuguesa na Suíça o tema da Violência Doméstica, que nos deve convocar a todos. Aos portugueses que residem e trabalham na Suíça, noutros países da nossa Diáspora e àqueles que residem e trabalham no espaço de fronteiras físicas de Portugal. Porque este é um problema que não conhece geografias nem territórios.
Estendo ainda uma palavra de agradecimento a todos os que quiseram envolver-se neste ciclo de conferências, fazendo-o na pessoa do nosso embaixador, incansável no apoio e na colaboração.
A segunda palavra que vos trago é de estímulo e desafio. Estímulo ao movimento associativo da Comunidade Portuguesa na Suíça que atesta mais uma vez a sua vitalidade e competência, propondo-se a discutir a Violência Doméstica, num âmbito técnico e simultaneamente acessível, abrangente na sua abordagem, mas detalhado na sua análise, com visões portuguesas e suíças. Tudo isto ao longo de três dias em duas cidades diferentes. E organizado por uma associação liderada por uma mulher. Se faço esta discriminação de género é porque ela não é indiferente ao tema que se propõem a debater. É de forma unanime que a mulher é colocada no centro deste problema de Direitos Humanos que urge combater, em Portugal, na Suíça e no resto do mundo. Um combate contra a Violência Doméstica que tem de se reforçar, concertando estratégias, com determinação e sem preconceitos ou estereótipos de género. É finalmente esse o desafio que Vos coloco. O desafio de continuarem a enfrentar esse combate, depois desta pioneira reflexão dirigida aos portugueses que vivem e trabalham na Suíça, levando-a, quem sabe, às nossas comunidades no resto do mundo.

Marcelo Rebelo de Sousa

Convenção de Istambul — Quase todos os intervenientes abordaram a convenção de Istambul.

A Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica ou Convenção de Istambul é uma convenção do Conselho da Europa destinada a combater a violência contra as mulheres e a violência doméstica através da prevenção da violência, proteção das vítimas e eliminação da impunidade dos agressores. A convenção foi aberta a assinaturas em 11 de maio de 2011, em Istambul. A Turquia foi o primeiro país a ratificar a convenção, em 12 de março de 2012, seguida por mais 23 países entre 2013 e 2017. A convenção entrou em vigor a 1 de agosto de 2014. Em Junho de 2017, a convenção tinha sido ratificada por 44 países e pela União Europeia

Jornadas da violência doméstica em Lausanne em Zurique

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