Impostos, impostores e futebol!…

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Luís Barreira
Luís Barreira

Com a “troika” no País, a verificar o cumprimento do “memorando” de assistência financeira e a evidência de termos falhado os objectivos estabelecidos para 2012, os portugueses aguardavam com alguma expectativa a comunicação televisiva do 1° Ministro, na última sexta-feira.

Esperavam, nomeadamente, que o responsável pelo governo de Portugal, explicasse aos portugueses o que é que tinha falhado, para não se atinjir os objectivos previstos para 2012. E esperava-se que fosse o chefe do executivo a dizê-lo, porque sempre considerou que iria resultar e porque a “troika” (o real “governo”…) já tinha “sacudido a água do capote”, afirmando que a responsabilidade destas medidas socialmente gravosas era do governo de Portugal!…

Com a quase certeza de que, nessa noite, Portugal iria marcar muitos golos contra o Luxemburgo e de que o 1°Ministro não anunciaria mais impostos, face a todas as declarações que surgiam por parte do seu parceiro de governação e a um conjunto muito vasto de insuspeitos especialistas, que afirmavam termos atingido o limite da nossa resistência tributária, aguardámos o discurso de Passos Coelho sem sobressaltos.

E ele veio…

Para 2013:

-aumento de 7% nos descontos para a Segurança Social (passa de 11% para 18%), aplicável aos trabalhadores do sector privado e aos funcionários públicos. Percentagem que, na maioria dos casos é sempre superior a 7%, uma vez que é calculada sobre o salário bruto e retirada do líquido;

-corte de um subsídio (de Natal ou de férias) aos funcionários públicos;

-corte dos dois subsídios aos reformados e pensionistas;

-redução de 5,75% nos descontos patronais (Taxa Social Única), passando a 18% (igual ao dos trabalhadores).

Quanto ao “resto”… (grande capital, fortunas, transacções financeiras, banca, bolsa, elevados rendimentos e patrimónios, redução da despesa pública, etc), disse que falaria mais tarde (talvez se esqueça…).

Os portugueses ficaram pregados ao chão, enquanto a raiva ia substituindo a surpresa!

Não raras foram as exclamações de que “este sujeito anda a brincar com a tropa”! “Tropa” que, neste caso e na ausência (…) daquela tropa que nos quis dar um País mais justo, são todos aqueles que perderam a esperança de nele poder viver com alguma dignidade!

Passos Coelho não explicou porque é que tanta austeridade não resolveu o problema do déficite porque, se o fizesse, não teria argumento para aumentar ainda mais os impostos sobre os trabalhadores, como anunciou, embora “mascarados” de descontos!…

Se a Segurança Social precisa de dinheiro, é a factura a pagar pelo aumento incessante de desempregados, em consequência da falência sucessiva das empresas, cuja esmagadora maioria está voltada para o mercado interno e à profunda recessão económica que se abateu sobre o País, face à drástica redução do consumo interno.

Diminuir os impostos patronais não vai magica e imediatamente criar mais postos de trabalho. A esmagadora maioria das empresas que trabalham para o mercado interno estão descapitalizadas, sem financiamentos e com falta de vendas e as que estão nos mercados externos praticam salários inferiores aos da concorrência, pelo que esta medida, embora benéfica para elas, não é essencial para o seu sucesso nem para o crescimento de emprego. Curiosamente, os grandes beneficiários serão empresas que não precisam de mais pessoal, mas que continuam a engordar os seus lucros, como é o caso da EDP, da PT, da banca, etc!

Reduzir ainda mais o poder de compra dos portugueses é conduzir o País para um pantanal de dificuldades e graves problemas, que cedo deixarão de ser económicos e financeiros para passarem ser seriamente políticos (se já não o são)!…

Hoje compreendemos melhor o verdadeiro significado das promessas eleitorais do senhor Passos Coelho e “comitiva”, quando afirmavam que bastaria cortar nas “gorduras” do Estado, para resolver os problemas nacionais. Os “gordos” eram os trabalhadores!

Já ninguém viu o futebol com bons olhos, mas também não valia a pena,… assistimos igualmente a um desastre!

Luis Barreira

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