Habemos “Papa”!…

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Luís Barreira

Quase dois meses após as últimas eleições legislativas a após um longo período de expectativa sobre o que o (ainda) Presidente Cavaco Silva (o que nunca se engana e raramente tem dúvidas…) iria fazer com o acordo governamental estabelecido entre o PS, o BE e os Verdes, saiu finalmente o “fumo branco” da “chaminé escurecida” da presidência, que muito dificilmente (teimosamente…) decidiu assumir o dever de aceitar a decisão maioritária da Assembleia da República, “indicando” (ameaçadoramente…) António Costa para 1° Ministro de Portugal. Alguns do seu partido ainda acreditaram que o Sr. Presidente tinha “alguma na manga”, capaz de impedir a formação do governo de António Costa, uma vez que havia afirmado que “estava preparado para todos os cenários”. Mas afinal não estava e os seus apoiantes esqueceram-se (??) de que, também antes, se tinha equivocado,…quando afirmou que o Banco Espírito Santo era um banco seguro, situação que conduziu uma grande parte dos seus depositantes a perderem as suas poupanças no banco falido. Já não há quem tenha amigos como dantes, tais como Oliveira e Costa da SLN/BPN/etc (coitado está preso…), que fizeram frutificar os investimentos do Sr. Cavaco Silva e família!…
Bom, mas o que importa agora e para que o passado fique enterrado (mas não esquecido…) é preciso começar a falar do futuro. Futuro que parece complicar-se porque, ao contrário do que o anterior governo do PSD/CDS andou a propalar, os cofres não estão cheios (segundo as últimas informações da Direcção Geral do Orçamento), o falhanço do défice anual é quase inevitável (idem), o crescimento económico foi zero no terceiro trimestre e o desemprego não baixou (segundo dados do Instituto Nacional de Mas, apesar das contrariedades, este governo de António Costa, apoiado no parlamento pelo PCP, BE e Verdes, nasceu da nova esperança de ver este País mais justo, com uma economia a servir os interesses gerais deste povo e, nomeadamente, dos mais sacrificados por uma austeridade que nos tem perseguido e sufocado! E, essa esperança, só poderá morrer se este novo governo e os partidos políticos que o apoiam, não cumprirem as promessas que os comprometeram, ou decidam confundir os seus interesses particulares com as verdadeiras e possíveis necessidades dos portugueses e do País, fazendo implodir a sua unidade.
É muito cedo para começar a avaliar a acção governativa, mas há algo que é preciso enunciar desde já como um dos males piores que afectam a nossa sociedade e que pode comprometer qualquer tentativa de melhorar o nosso modelo de sociedade, destruindo a imagem moral do Estado e das suas organizações, das quais fazem parte os partidos políticos e as instituições que tem ao seu serviço. Trata-se da corrupção que se evidencia em muitos sectores da sociedade portuguesa, atingindo os actores do serviço público nas suas ligações com interesses privados, cujas consequências no enriquecimento ilícito dos seus responsáveis ou na sua promoção social e económica, desvirtuam qualquer política, mesmo que correcta, na medida em que prejudicam os interesses gerais do Estado, ou sejam, os nossos e suscitam a desconfiança popular (já muito abalada) naqueles que nos Para que esta confiança maioritária no actual Governo seja preservada, não basta governar bem para que ela se mantenha. É preciso que os nossos governantes estejam imunes a interesses opostos ao bem público e que as instituições públicas que comandam sejam objecto de uma “limpeza” moral que mereça a confiança dos governados.
Não haja qualquer dúvida de que a moralização do aparelho de Estado, para além da sua eficiência e ajuste às necessidades de todos os portugueses, no território e fora dele, produzirá de imediato um efeito aglutinador das vontades em colaborar na criação de um País melhor.
Em síntese, este novo Governo já sabe que não poderá contar com o apoio da oposição, mas poderá ganhar muitos mais apoios do que aqueles que hoje representa, se pautar a sua actuação por princípios que o dignifiquem.
Os portugueses esperam uma melhor governação mas, embora sabendo que ainda estamos a “navegar à vista” e “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, não querem que se cumpra o velho ditado popular de que… “a esperar morreu um burro”!…

Luis Barreira

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