Frederico Vilaranda, um percurso de vida até ser diretor de um grupo à escala mundial

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Uma história de vida que é um tremendo sucesso. O Frederico nasceu no ano de 1972, no mês de junho, chegou à Suíça no ano de 1988, com 16 anos de idade, e começou desde logo a trabalhar na fábrica de injeção de plásticos da Scholler Alli Bert em Romont. Foram-lhe reconhecidas capacidades e nos dias de hoje viaja para todo o mundo onde o grupo, com sede na Holanda, tem fábricas e é número um do ramo à escala global. O Frederico é casado, tem dois filhos, continua a ter o domicílio em Romont, e sempre que pode faz escala em Lisboa de onde é natural. Das 80 viagens que faz num ano, tem sempre um destino preferido e no qual não abdica de passar, nem que seja um dia, a sua cidade Lisboa, que o viu nascer para o mundo.

— Em poucas palavras como foi o teu percurso até aos dias de hoje?

Frederico Vilaranda—Posso dizer que o início foi muito complicado. Larguei a escola para trabalhar e ajudar nas contas da casa. Foram momentos muito complicados. No início tomei a decisão de largar os estudos, devo dizer que não foi muito bem aceite pelos meus pais na altura. Comecei como temporário nos primeiros dois meses na empresa e depois chegou à altura de dezembro, em que não havia muito trabalho, e eles mandara-me embora, e eu fiquei um pouco perdido. Passado três semanas voltaram a chamar-me e foi a partir dai que tudo verdadeiramente começou…

–Com essas dificuldades todas no início, também começaram a reconhecer capacidades na tua pessoa?

Frederico Vilaranda –Sim, também fiz o meu trabalho sempre bem feito, quis sempre demonstrar que era capaz, não foi por ter abandonado a escola que não tinha competência e responsabilidade. Iniciei no departamento de acabamentos da fábrica, depois passei para a logística, onde estive 8 anos, em que carregava e descarregava camiões e geria as encomendas dos clientes…

–Encomendas apenas para os clientes na Suíça?

Frederico Vilaranda—Não, naqueles tempos a produção da fábrica era de cerca 70% para a Suíça e o resto para o mercado internacional. Nos dias de hoje a tendência da produção inverteu. Mas, naqueles tempos, carreguei muitos camiões de grades de cerveja, ou de sumos para Espanha e para todas as marcas conhecidas no mercado helvético. Porque somos especializados em produzir todo o suporte de plásticos. Depois deu-se a oportunidade de ficar responsável por esse departamento e foi também quando comecei a interessar-me pela informática e iniciei os respectivos estudos nessa área. E fiquei como responsável da logística e da informática de toda a empresa em Romont, até há cerca de três anos. Nos dias de hoje faço parte do grupo, mas o meu contrato está em Amesterdão. Trabalho a nível de direção do grupo neste momento.  Em 2010, e até a esta data, a empresa esteve em risco de fechar pelo menos 4 vezes. Depois da restruturação, foi quando me propuseram um cargo nas finanças do grupo e o controle de gestão. Como tinha já uma imensa experiência, a minha contra proposta à empresa foi de me pagarem um curso de gestão, onde fiz um ano na universidade em Genebra, numa especialização. Depois pedi que me pagassem um segundo curso de forma a validar toda a minha experiência ao longo dos anos na logística. Foi assim que fiz um segundo ano de curso onde consegui o diploma de Management e Logística e Estratégia, que são os dois cursos que tenho.  Desempenhei o cargo durante três anos, e foi quando me propuseram, mais uma vez, para ser o diretor na fábrica em Romont. Passaram assim 4 anos, quando me convidaram para ir para França,  numa fabrica da empresa com mais de duzentos empregados, que não veio acontecer, estávamos no ano de 2015, e mais tarde voltaram a convidar-me para ir para Inglaterra, em Windsford, também não aconteceu, porque de verdade não estava a ver-me  a levar a família e mudar tudo para França ou para Inglaterra. Foi quando apareceu no mês de agosto de pertencer à direção e de controlar todas as 13 empresas do grupo…

–Quer fizer que passas mais tempo a voar do que viver em Romont?

Frederico Vilaranda –Sim, é verdade. Faço uma média de 80 voos por ano. Há semanas que vou a dois ou três países.

–Vocês têm alguma fábrica em Portugal?

Frederico Vilaranda—Não, mas temos clientes em Portugal que são servidos pelas duas fábricas que temos em Espanha, uma em Barcelona e a outra em Murcia.

–São uma empresa à escala mundial?

Frederico Vilaranda–Sim, somos, com mais projetos de expansão dentro em breve.

–Vocês como é que lidam com o meio ambiente, tanto mais que fabricam plásticos e recipientes diversos?

Frederico Vilaranda – Sou aquilo que se chama de “Global Process Owner  Manufactering” e estou no projeto da sustentabilidade do ambiente. Temos de ver que existem diversos tipos de plástico, vou dar um exemplo que muitos conhecem, aquelas caixas verdes de plástico, que muitos supermercados utilizam, que se dobram, essas caixas são vendidas, com a garantia de que as vamos receber depois de três ou quatro anos de utilização, reciclamos e voltam de novo aos clientes para uma nova vida. O nosso plástico é aquilo que nós dizemos de 360°, vai e volta. Uma caixa das nossas para terminar no mar é preciso mesmo alguém de má fé que a vá lá pôr. Isso geralmente  não acontece com os nossos produtos que vão para o cliente e regressam à fábrica para serem reciclados e darem início a uma nova vida. No nosso site está tudo muito bem explicado. Temos muito respeito pelo meio ambiente. Temos uma variedade imensa de plásticos, para diversos fins, e sempre com o objetivo de receber o produto para depois darem de novo início a um novo ciclo. Não é por nada que somos o número 1 no mercado.

–Quer dizer que existe ainda muita margem de progressão?

Frederico Vilaranda—Sim, claro que existe muita margem de progressão. O plástico é muito técnico e temos uma equipa de investigação nos nossos laboratórios na Holanda para melhorar e os nosso produtos serem uma mais valia  de acordo com o meio ambiente.

–Se fizeres uma retrospectiva, chegas à conclusão de que valeu a pena todo esse teu empenho profissional?

Frederico Vilaranda—Sem dúvida nenhuma que valeu a pena. Quando cheguei à Suíça uma das frases que aprendi quando cheguei foi: Aquele que quer, consegue. Dei sempre o meu melhor…

–Mas também devemos reconhecer que a empresa reconheceu o teu empenho?

Frederico Vilaranda—Reconhecimento e um grande investimento, os dois cursos que fiz custaram mais de 100 mil francos à empresa.

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