Fernando Rocha continua a fazer rir a comunidade portuguesa e o público em geral

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–O Fernando Rocha continua a ser o Fernando Rocha?

Fernando Rocha – O Fernando Rocha continua a ser o Fernando Rocha. Durante vinte anos que tenho uma carreira muito estável, claro com altos e baixos, mas nunca no que se diz de 8 para 80, sempre foi numa média de 48, 52, sempre no meio da tabela, e sempre me orgulhei de poder aguentar as tempestades e atravessar desertos. E, assim, estes vinte anos passaram muito depressa.

— É difícil ser cómico nos dias de hoje em Portugal?

Fernando Rocha – É difícil teres uma estratégia que dure tanto tempo, é difícil aguentares sempre os primeiros nomes das tabelas, quando se fala de humoristas, e estares sempre nos primeiros lugares, é muito difícil uma pessoa manter-se assim durante todo este tempo. Mas não é difícil fazer comédia, porque temos um país que está cheio de cromos; tens de tudo, tens corruptos e tens políticos que te dão muita matéria para poderes trabalhar. O mais difícil é saber gerir tudo isto do que propriamente fazer comédia em cima do palco.

–As televisões dão oportunidades aos cómicos?

Fernando Rocha – Dão oportunidade aos cómicos e penso mesmo que a comédia é o veículo que arrasta mais espetadores, basta ver as visualizações nas redes sociais, seja ela qual for, porque a comédia abrange todas as faixas etárias, muito mais transversal a todas as idades. Vê-se com muita frequência nos espetáculos de comédia o avô, o pai e o neto sentados na mesma plateia. Já não se vê isso, por exemplo, num espetáculo de hip-pop, porque o avô põe-se no ca..(pi)….

–Ao longo de vinte anos como fazes com as anedotas?

Fernando Rocha – Claro que adapto as anedotas ao longo dos anos. Algumas vão aparecendo novas, outras, por exemplo, já não fazem sentido, como, por exemplo, esta que te conto em duas linhas: um pai advogado muito famoso, o filho estuda advocacia e tira o curso e o pai diz: Filho, ficas aqui no consultório a trabalhar e a tomar conta disto, enquanto eu vou de férias com a tua mãe. Quando regressa das férias, o filho para o pai diz: Pai, sabes aquele caso do Joaquim da mercearia que se arrastava há 15 anos?, pois eu resolvi-o. O Pai dá-lhe um estalo e diz-lhe: estúpido, era esse caso que nos pagava as faturas durante todos estes anos. No dia seguinte o filho ficou chateado e foi abrir o consultório e não tendo nenhum trabalho quando viu aparecer um senhor de pastinha, a secretária veio anunciar a sua presença e ele diz -lhe: Faça-o esperar e começa a fazer que falava ao telefone nos sucessos de todo os seus casos, que nunca tinha perdido uma causa em tribunal; passados largos minutos pousa o telefone e pergunta ao senhor que ficou todo o tempo escutando : Que posso fazer por si?. O qual o homem responde: Eu venho por parte da companhia dos telefones ligar a linha do telefone…. Bem, esta anedota nos dias de hoje talvez não tenha muito sentido, até porque temos os telemóveis  e  poucos utilizam os telefones fixos, tudo funciona de maneira diferente. Mas, seja como for, temos aqui uma piada, que com a evolução dos tempos e das tecnologias talvez não faça muito sentido. Nos dias de hoje não faz sentido contar anedotas de telegramas e faxes, porque não existem nos dias de hoje.

–Mas existe espaço para se criar novas anedotas?

Fernando Rocha – Claro que sim, sempre. Eu procuro brincar com factos verdadeiros e reais, assim procuro as minhas anedotas. Personagens às quais a sociedade apelida de cromos, esses são sempre matéria fértil para se fazer humor. Refiro-me aos estereótipos dos banqueiros, de advogados, entre outros. Claro que nem todos os advogados são mentirosos e vigaristas, mas a verdade é que da fama já não se livram. Como, por exemplo, muitos dizem que sou malcriado e ordinário, mas nunca tratei mal ninguém, e da fama também já não me livro, mas é para o lado que durmo melhor.

–Tens uma carreira de vinte anos que te levou a imensos países onde existe comunidade portuguesa. Sentes alguma diferença quando atuas para as comunidades por esse mundo fora?

Fernando Rocha – Sinto uma diferença entre o público em Portugal e aqueles que estão no estrangeiro. Ou seja, noto diferença no público que reside no nosso país e aquele que vive fora.  A diferença é que o público que reside em Portugal compra um bilhete para assistir a uma comédia, enquanto o que reside no estrangeiro compra um bilhete para matar saudades, para se rever naquilo que estou a dizer, claro que para assistir a uma comédia também, mas creio que dão muito mais valor, por exemplo, quando falo de algo que se passou em Carrazeda  de Ansiães, vai haver alguém desse lugar e que se empolga ao ouvir o que estou a dizer, e em Portugal já não se passa assim. Ou se eu falar das Caldas, vai haver alguém de lá e, de uma certa forma, vou matar as saudades do nosso país, daí que a reação seja diferente do público fora de Portugal. Mas não me posso queixar de todo do público, dado que estou aqui depois de 20 anos. Sinto, também, que o público no estrangeiro gosta de um artista toda uma vida, enquanto muitos em Portugal passam de moda e ninguém mais se lembra deles.

— Utilizas muito as redes sociais. Este meio de comunicar é uma mais-valia para a tua carreira?

Fernando Rocha –Sem dúvida nenhuma que sim. Tenho um projeto no youtube e é uma rede social que está em nr. 1, enquanto o facebook está em 2.° lugar. Estas redes sociais são muito mais fortes do que se possa pensar. Tenho um canal no facebook que, de uma certa forma, é uma ideia parecida com o Levanta-te e Ri, que é o Pi 100 em Pé, não é nenhum palavrão, mas que foneticamente pode parecer, um programa de comédia, em que num espetáculo nas Caldas e na zona de Leiria, não fiz um único flyer, apenas investi 200 euros nas redes sociais e tenho o espetáculo completamente esgotado. Aqui se pode ver a importância das redes socais.

— Ao longo da tua carreira participaste em alguns filmes. Como estamos a nível de filmes do Fernando Rocha?

Fernando Rocha – Um pergunta fantástica dado que se estreou no passado dia 14 de março, em todas as salas de cinema, um filme português intitulado “ Ladrões de tuta e meia”.  Eu sou um participante desse filme.

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