Edição Setembro 2017

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Depois das férias começa a habitual azáfama para milhares de portugueses em terras helvéticas. A luta do seu dia a dia. E um novo ciclo se inicia, nele se depositando sempre as esperanças em se voltar de novo à sua terra natal. Esta ansiedade da partida faz crescer uma outra de se voltar em breve. Sucede assim ano após ano. Muitos, não todos, voltarão de novo para as férias da quadra natalícia. Enquanto isso, a vida continua sem grandes altercações, por enquanto, a não ser a expectativa do resultado do referendo do próximo dia 24 de setembro. Referendo esse que tem que ver com a estabilidade do sistema da segurança social no que diz respeito às reformas. Mas, como sempre, aparecem as vozes alarmistas de que o sistema pode colapsar; no entanto, para outros, nem por isso. E isto porque se está a aproximar daquilo que os especialistas chamaram de boom-baby dos anos 60, e o que vai levar milhares de pessoas a atingir a idade da reforma nos próximos anos. Por um lado, segundo os especialistas, a Suíça vai perder mão de obra qualificada, e, por outro, vai aumentar de sobremaneira a folha de encargos da AVS/AHV, com o pagamento das reformas a essas pessoas. No entanto, ninguém fala da desvalorização constante da taxa de conversão dos Fundos do Segundo Pilar, que está a retirar capacidade financeira a todos aqueles que optaram pelo complemento de reforma. Já o dissemos, e mais do que uma vez, que este sistema faz com que todos os pensionistas fiquem reféns dos seguros a seu belo prazer. E muitos sofrem pelas imposições das Caixas de Pensão quando desejam levantar os seus fundos e dinheiros que não pertencem às Caixas. E a lei é pouco clara em relação a certo tipo de situações. Infelizmente.

Desejo, ainda, abordar um tema de quase ninguém fala. Já o fiz no passado, mas sinto que se deve discutir este problema sem tabus e sem complexos, dado que muitas famílias sofrem em silêncio: o suicídio na nossa comunidade. São muitos os portugueses que se suicidam na nossa comunidade. Muitos mais do que qualquer um possa imaginar. Ainda este ano aconteceram alguns casos. Sei que é difícil abordar este tema, mas também sei que se se discutir e aprofundar este problema, que o sociólogo Durkheim chamou de facto social, podemos ficar em alerta e alertar para quem se sinta excluído desta sociedade, que também sei que não é nada fácil e é muito egoísta e exigente. Para muitos, as pessoas são apenas números. Até na morte.

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