Edição Setembro 2016

0
865

É curioso verificar que a área política da esquerda está muito calma em relação aos grandes temas que dizem respeito à emigração. Já não vemos grandes convulsões em relação à propina do ensino de português no estrangeiro, que tanta celeuma levantou, e quantos comunicados, quantas reuniões… e, parece que passados alguns meses, está tudo perfeito com esta temática. Será que é assim mesmo? Qual é o futuro dos cursos da língua e cultura portuguesas no estrangeiro? Quais os resultados? Quantas aferições? Que qualidade de ensino? Bem… Com os fluxos migratórios, pouco ou nada se fala: se os portugueses estão a emigrar, vão para onde? Como vivem? Será que todos os emigrantes vivem faustosamente nos países de acolhimento? Como se deslocam no momento? Será que no nosso país acabou o desemprego? Não creio. Em relação à burocracia na emissão dos formulários pelos serviços da segurança Social, como o E 411, que prejudica todos os trabalhadores que trabalham nas agências de trabalho temporário, dado que muitas vezes ficam sem trabalho e têm de procurar uma outra agência, novas caixas de compensação, novos formulários, para receberem o pagamento do abono de família. Será que em poucos meses o problema foi resolvido? De novo, não creio. Outro assunto de que ninguém fala— nunca me irei calar—: a injustiça da tributação do IRS aos reformados emigrantes que regressem a Portugal. Recordarei sempre aos senhores deputados que não é a Segurança Social portuguesa que paga as reformas aos emigrantes reformados. Porque é que será que os reformados estrangeiros têm isenção de IRS durante 10 anos e os portugueses não? Eu sei, e passo a explicar: não podem ter uma relação com o fisco nos últimos cinco anos ao regresso e a grande maioria dos emigrantes teve o sonho de construir a sua casa e poupou para conseguir tal objetivo. Assim sendo, tem de pagar o IMI, e assim sendo, tem uma ligação com o fisco e deixa de poder estar isento ao abrigo do decreto 243. Que injustiça. Os estrangeiros podem, e os emigrantes portugueses não, que investiram, que geraram riqueza no seu país, enquanto os estrangeiros vão desfrutar do Sol isentos de IRS. Fica o consolo de que, se estes estrangeiros tiverem casas muito altas, perto do mar, e apanharem muito Sol, vão pagar mais IMI. Recordo que os reformados emigrantes não querem ficar totalmente isentos, mas sim pagar uma taxa mais moderada como aquela que pagariam no país de acolhimento e que lhes paga a sua reforma. Mas, será que a esquerda se esqueceu de todos estes problemas? E será que tal esquecimento se deve ao facto de que há uma coligação no parlamento de esquerda? Perdoem-me, mas isto começa a ser uma tremenda hipocrisia, porque os problemas mantêm-se e as revindicações também.

Publicidade

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here