Edição Novembro 2018

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Muitos conhecem a Suíça como um país organizado, prestável e certamente muito seguro. Com um bom sistema de educação, que permite diversas possibilidades de formação profissional e não só. Tudo isto é verdade. Mas também é verdade que existe um outro lado que muitos não conhecem e quando conhecem é porque se encontram numa situação de extrema dificuldade e o sistema não lhes reconhece qualquer direito, ou poucos, e com muito pouca margem para contestar.  Também é verdade que muitos, em tempos remotos, se aproveitaram deste próprio sistema, das ajudas sociais, temos de o reconhecer. Nos dias de hoje, isso já não acontece tão facilmente.  Se uma pessoa tem o seu trabalho estável, se tem saúde, tudo vai correr às mil maravilhas. Agora, se alguém tem um problema de saúde permanente, e se tiver mais de 50 anos, mesmo se esteve empregado no seu trabalho por mais de 30 anos – como exemplo, até podem ser menos anos -, então o caso pode ficar complicado e bem depressa a sua estabilidade pode desaparecer em poucos meses. Quando uma pessoa está doente, o seu salário é pago por um Seguro — geralmente os empregadores escolhem esse mesmo Seguro, e há muitos no mercado — que lhes paga, o que geralmente dizemos ser uma baixa médica, e por norma 80% do seu salário. O tempo de duração deste seguro são 730 dias. Este mesmo seguro pode, passados poucos meses, geralmente a partir do 3.° mês,  enviar o assegurado, mesmo com relatórios médicos do seu médico e dos especialistas, a uma junta médica que trabalha para esta mesma seguradora, interesses em causa própria; e, em quase dos 95% dos casos que conheço, dizem que estes podem exercer uma outra atividade, um hipotético trabalho ligeiro, que estes dizem que existe no mercado de trabalho  e, como tal, ficam sem qualquer tipo de apoio, mesmo se continuam doentes e com devidos certificados médicos, e isto um mês depois. É atroz, e desumano, dado que em muitos dos casos as pessoas exerceram trabalhos pesados que não podem voltar a exercer. Sim, podem dizer que podem recorrer a um advogado. E os custos que isso acarreta? Sim, podem dizer que podem estar assegurados juridicamente. E será que estes lhes resolvem o problema? A alguns sim, mas em muitos outros não. Existem lacunas no sistema helvético a nível de apoios sociais que levam a crer que não falamos de seres humanos, mas sim de números. A Suíça precisa de mão de obra, e importou pessoas, mas esquece-se muito frequentemente deste pequeno pormenor.  Por vezes são situações desumanas e que colocam as pessoas em sérias dificuldades, e bem depressa o seu el dourado se transforma num verdadeiro pesadelo.  E sei muito bem do que estou a falar. E isto para não falar a nível das creches, que só os ricos podem pagar; para não falar na discriminação do sistema do fundo de desemprego, em que quem não fala a língua fluentemente é fortemente penalizado se não se fizer acompanhar de um tradutor, e muito mais. Para não falar no sistema de invalidez que recusa numa primeira abordagem todos os casos, ou manda trabalhar doentes cancerosos que mal forças têm para se levantar. Como referi, caso tenha saúde e um trabalho estável, então, sim, a Suíça é o país perfeito para se viver.

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