Edição Junho 2018

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Longe vão os tempos em que uma pessoa que quisesse emigrar para a Suíça estava dependente do pedido à polícia dos estrangeiros, por parte da entidade empregadora, para poder receber o “Permis A”, e talvez muitos não saibam que a entrada estava dependente de um controlo médico e de uma radiografia que se realizava antes de podermos sair do aeroporto, ou nas estações de comboios, à entrada das fronteiras. O Permis “A” dava a possibilidade de se poder trabalhar por um período máximo de 9 meses, e, só depois de 3 meses fora da Confederação, é que se podia dar início a um novo ciclo de 9 meses, e assim sucessivamente, até se perfazer um mínimo de 36 meses, para se poder obter a autorização “B,” que dava a possibilidade de se trabalhar e manter a residência a tempo inteiro.

Assim foi durante muitos anos. Muitos deram voz contra esse estatuto de dependência e de injustiça pelos estrangeiros que chegavam à Suíça à procura de uma vida melhor. Recordo que o grande objetivo dos portugueses era o de poderem comprar a sua casa, ou apartamento, criando ideias e expetativas sobre como o poderiam fazer. Em muitas conversas nas horas da pausa nos hotéis onde trabalhavam, nos estaleiros das obras, os emigrantes portugueses davam azo à sua imaginação e aos seus desejos. Não havia iphones, nem tablets, nem internet; havia, sim, um rádio de onda curta para se ouvir os relatos dos grandes jogos de futebol. E olhem que não se passaram assim tantos anos como isso. Estávamos nos anos 80. Casas essas que agora são tributadas sem agravo nem apelo pelas autoridades helvéticas, como também são em Portugal, mesmo se se tratam de impostos diferentes; mas, seja de maneira for, o mesmo objeto é tributado de duas formas diferentes, ao abrigo deste novo acordo que Portugal assinou, mas não informou a diáspora do que esta poderia esperar, apenas os diálogos das comunidades de que muitos saíram ainda mais confusos. Nada em concreto.

Quero reiterar que acho a ideia destes diálogos fantástica e promove a aproximação com as comunidades, mas, por favor, sejam mais objetivos e claros nas informações de que a comunidade necessita, porque muitos estão a receber faturas a dobrar, quase como se tratassem de delinquentes fiscais.

Volto a colocar a mesma pergunta: que informações os serviços ficais passam ao abrigo deste acordo?

Serão apenas as contas financeiras?

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