Edição Julho 2019

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Um programa televisivo na Suíça alemã, a DRS, que tem apresentado problemas concretos da sociedade helvética, fez saber que, nos últimos meses, cerca de 20 mil portugueses, deixaram a Suíça e regressaram a Portugal. Na verdade, não é nada que me surpreenda, tanto mais que já abordei este assunto mais do que uma vez nas páginas do nosso jornal. Os portugueses estão a regressar a Portugal e muitos deles sentem-se desiludidos com a forma como foram tratados com a declaração do património, e outros anteciparam o seu regresso para não terem de declarar ao fisco suíço o que acumularam durante muitos anos de poupanças e sacrifícios na Suíça, rendimento esse que já foi devidamente tributado pelo fisco helvético. Como todo o património adquirido em Portugal, ao longo dos anos, quando se pagam os respetivos e devidos impostos. Também tenho de reconhecer que fiquei muito surpreendido com os últimos números apresentados pelo Ofício de Estatísticas federal, dado que não refletem, na minha opinião, o verdadeiro número dos que partiram já no ano passado. Sem querer duvidar da competência do Ofício das Estatísticas, que considero uma entidade íntegra e bem cuidada, mas fiquei com a sensação de que os números apresentados não refletem mesmo a realidade. A verdade é que um funcionário dos impostos na cidade de Luzerna me perguntou, com um ar de muita admiração, o que é que se passava com os portugueses que estavam a deixar o cantão… Eu respondi que existia demasiado zelo por parte das autoridades fiscais helvéticas, e logo me ele olhou com um ar de muito surpreendido. Mas é a pura verdade, assim como também acho que as autoridades portuguesas deviam ter salvaguardado os interesses dos portugueses aquando da retificação do acordo de dupla tributação, em 2016, e não o fizeram, tanto mais que estava para entrar o acordo da transferência de dados dos países da ODCE, acordo esse assinado no mês de outubro de 2017, e que entrou em vigor no dia 1 de janeiro de 2018.  Para finalizar, acho que vão regressar ainda muitos mais portugueses nos próximos meses, e tanto que assim é, que devemos duvidar e ter em atenção o desempenho de algumas Caixas de Pensão – basta ver os últimos relatórios dessas mesmas caixas assim como também  a tendência da taxa de conversão para os próximos anos, que nos deve de facto preocupar sobre as nossas poupanças dos haveres do Segundo Pilar.

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