Edição Julho 2018

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No seio da nossa comunidade, acontecem certos fenómenos de que quase ninguém fala. Fenómenos esses que levam a muita tristeza e os familiares mais chegados colocam perguntas para as quais, na maior parte dos casos, não obtêm resposta. Neste caso, estamos a falar dos suicídios na comunidade portuguesa. O nosso jornal vai cumprir vinte anos de atividade no próximo mês de setembro, e sabemos muito bem quantas pessoas colocaram um fim à sua vida nestes anos todos. E, acreditem: foram já muitos. Neste mês, tivemos conhecimento de mais três casos, e, entre estes, o de uma jovem. Claro que este tema tem sido ao longo dos anos abordado pelos sociólogos que procuram uma explicação para o facto social. Émile Durkheim foi o sociólogo que deu início à discussão entre os licenciados e foi quem chamou de facto social o suicídio, além de se ter também interessado por outros assuntos da esfera do comportamento das pessoas nas sociedades. Durkheim acreditava ser impossível analisar um facto social sem se observar a totalidade do seu desenvolvimento no seio da sociedade. Deu muitas vezes como exemplo do fenómeno do suicídio um próprio conjunto de vários suicídios, traduzindo-se cada um num facto social isolado. Quer isto dizer que, socialmente, só faz sentido analisar o fenómeno no seu conjunto e na sua origem. Para ele, a Sociologia deveria estudar as sociedades globalmente e fazer a análise comparativa dos diversos tipos de sociedade. O espaço, o tempo, as atividades, as ocupações e a forma de enfrentar as regras da sociedade podem levar a criar outro tipo de comportamentos que podem não ser compreendidos num primeiro momento. E isto entre muitas outras formas que podem envolver um ambiente social muito particular, até no seio familiar. A Suíça continua a ser um dos países onde a taxa de suicídios é muito elevada. Uma relação, uma situação muito particular, um acontecimento, um trauma, podem ser factos que levem a um outro facto muito mais extremo, gerando uma desregulação comportamental que, infelizmente, pode terminar em tragédia. Claro que não desejo procurar a solução do problema nem a origem, nem tenho essa habilidade, nem capacidade, nem formação para tal, mas sinto com muita tristeza a dor dos familiares que procuram uma resposta para o sucedido, recriminando-se em seguida para o resto das suas vidas. Esperemos que este tipo de situações possa desaparecer e, em caso de um alerta, estas pessoas possam ser ajudadas.

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