Edição Janeiro 2020

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Está em curso a recolha de assinaturas para mais um referendo— este é, afinal, o país dos referendos—, com a democracia direta a funcionar, mas desta vez com o objetivo de que as reformas da AHV/AVS tenham direito a uma 13,ª prestação, ou, se quiserem, a um 13.° mês. No momento, a Suíça paga apenas 12 prestações anuais. Porém, há ainda mais: deseja-se que os casais não sejam penalizados com a fórmula dos 150% da reforma, ou seja, o limite máximo de 3555 CHF para os casais, e para quem descontou 44 anos para os homens e 43 anos para as mulheres. Quer isto dizer que, atualmente, todos os casais saem penalizados, dependendo do número de anos que descontaram, independentemente de quais tenham sido os seus rendimentos. Estou em crer que esta iniciativa vai ter uma contestação feroz por parte dos partidos burgueses na Suíça, dado que se irá, assim, alimentar o espetro da falência futura do sistema e do dito estado social, ao qual se poderá mesmo colocar muitas observações. As quotizações foram aumentadas em 0,3%, ou seja, todos pagam mesmo mais, a partir de 2020. E outro facto muito curioso é o de serem já muitas as pessoas que, quando chegam a cerca de 6 anos da idade-limite da reforma na Suíça, pedem oficialmente a separação dos seus cônjuges –divórcio –, mesmo se continuam a partilhar em comum as suas vidas. E seis anos, porque o sistema não permite o pagamento integral da pensão a quem não esteja no mínimo divorciado pelo período de 5 anos.  Claro está, sentem a descriminação deste sistema. E são já muitos os suíços que o fazem. Muitos não se apercebem de que, quando chegarem à sua idade da reforma – e tenho alertado neste ponto, porque muitos portugueses estão a poucos anos do seu direito de usufruir dos anos em que descontaram, dado que o grande número de portugueses que chegou à Suíça foi na década dos anos 80 – não vão receber o que podem erradamente imaginar.

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