Edição Fevereiro 2014

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A Suíça a ferro e fogo com a proposta da UDC

O partido populista da UDC lançou mais uma vez o desafio de limitar a entrada de estrangeiros na Suíça. Assim, o povo vai a referendo no dia 9 de Fevereiro. Esta não é a primeira vez que o povo helvético é chamado a votar sobre este tema. São muitas as vozes que se levantam contra esta medida, no entanto, em relação a referendos passados, são muitos agora que dizem que chegou a hora de se voltar aos contingentes, como acontecia antes dos sete acordos bilaterais assinados com a União Europeia. A percentagem de estrangeiros na Suíça foi desde sempre muito alta. Já em 1910, 14,7% da população era estrangeira. No final do ano de 2012 chegou aos 23,3%, que representa um milhão oitocentas e oitenta mil pessoas mais. No ano passado entraram 83 mil novos de estrangeiros e soou o alarme por parte dos partidos de direita. A imprensa portuguesa fez grande eco de um comunicado emitido pela Confederação Federal Helvética e muitos órgãos de comunicação social em Portugal prestaram um mau serviço, dado que escandalosamente deturparam por completo a situação, acabando um deles colocar em garrafais na primeira página ” 250 mil portugueses em risco de expulsão da Suíça”, um atentado à boa verdade da informação. Os tempos mudaram, e todos têm a consciência desta realidade. O mercado de trabalho começa a ser mais disputado pelo excedente da oferta da mão-de-obra, mais trabalho sazonal, mais pessoal qualificado à procura de um emprego, entre muitas outras razões. Alguns cantões da Suíça alemã já colocaram em prática, há cerca de dois anos, de retirar a autorização B a uma pessoa, ao renovar esse documento junto da Polícia dos estrangeiros e se este se encontrasse na situação de desempregado. Retiraram o B, para dar o L, somente e apenas para os meses que tivesse direito ao subsidio de desemprego. Não é uma prática nova nos cantões de língua Alemã. E isto, para salvaguardar os Serviços de assistência Social e, de uma certa forma, obrigar essa mesma pessoa a regressar ao país de origem. No entanto, essa pessoa pode regressar sempre que tenha um novo contrato de trabalho, alojamento e seguro de doença. É claro que podemos sempre criticar e ter uma opinião diferente. Não podemos é deturpar a realidade e a verdade. Os duzentos e cinquenta mil portugueses não estão em risco de expulsão, estão, sim, é sujeitas à forte concorrência no mercado de trabalho e ao ligeirismo de como muitas entidades patronais despedem os seus efectivos, dado que a Lei de Trabalho na Suíça assim o permite. Uma das armas é a formação profissional. Quanto mais empenho na valorização, mais possibilidades de afirmação, uma pessoa tem. Os números são do conhecimento de todos e, como no ano passado, os portugueses são a comunidade com o maior número de pessoas inscritas no fundo de desemprego.

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