Edição Abril 2017

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São muitas as pessoas que sofrem as consequências de trabalharem muitos anos em condições difíceis que levam a ter que deixar os seus postos de trabalho, por motivos de saúde. São as chamadas doenças profissionais que levam até muitas destas a uma incapacidade e deformação do corpo, como, por exemplo, as artroses nas mãos, e nada têm direito dos serviços de invalidez. Existe mesmo uma guerra surda entre os seguros de doença e acidentes na Suíça que pressionam na maior parte das vezes as pessoas a terem de desistir de tudo, colocando-as numa posição de enorme precariedade. Os exemplos são imensos. Os serviços de invalidez entraram numa rotina enfadonha: a de declarar todas as pessoas aptas a procurarem um posto no mercado de trabalho, e que na maioria dos casos não existe, e o pior é que estas pessoas não podem mesmo trabalhar. Recentemente conheci o caso do José, com 50 anos de idade, que sofreu uma rotura dos tendões no ombro direito, durante o trabalho, na área da construção, e que o levou à sala de operações e o resultado médico é claro: o José tem uma incapacidade permanente no seu ombro direito que nunca poderá exercer uma atividade física na área da construção. O problema vem com o seguro de acidentes ao declarar que o caso clinico do José nada tem a ver de acidente, dado que sofreu um esticão quando pegava num elemento de cimento, que o seu problema decorre de problemas de artrose antigos, e como a sua limitação não atinge o limite mínimo de invalidez, 40% de incapacidade, na opinião dos médicos da invalidez, não conseguiu, assim, nenhuma pensão destes serviços. O José teve de se inscrever no Fundo de Desemprego, sem obter qualquer indeminização ou apoio depois de uma vida a trabalhar na construção. Como o caso do José existem centenas de outros casos que deixam as pessoas numa situação difícil e sem qualquer apoio. Com esta perseguição da invalidez e dos seguros de acidentes, quem mais sofre são na maior parte das vezes os trabalhadores emigrantes, que desempenham os trabalhos mais difíceis e que só são bons e reconhecidos quando estão aptos ao trabalho. Esta é uma realidade surda e penosa para centenas de pessoas que sofrem a exigência no mercado de trabalho helvético, sem qualquer garantia ou apoio social num caso de incapacidade por uma doença profissional.

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