Dados sobre a evolução comunidade portuguesa na Suíça e o inicio do regresso a Portugal

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Dados sobre a evolução comunidade portuguesa na Suiça

Muitos têm lançado através das redes sociais números e dados sobre a comunidade portuguesa que não correspondem minimamente à realidade. Muitos alvitram opiniões sobre a evolução da comunidade portuguesa que não correspondem à verdade e que não têm qualquer significado ou valor objetivo. Deve conhecer-se a fundo o contexto, como a sua própria dimensão.

A comunidade portuguesa na Suíça começou a ganhar forma no início dos anos 60, não sofrendo alterações de vulto na primeira fase, até meio dos anos 70, crescendo até de uma forma pouco visível. Ou seja, no ano de 1979, estavam registados na Suíça pouco menos de 18 mil portugueses. No ano de 1975, segundo os números oficiais da SECO, Ofício de Estatísticas Federais da Suíça, estavam registados apenas 9400 portugueses. Foi nos anos 80 que a comunidade começou a crescer de forma significativa, cerca de 10 mil a 15 mil ao ano, chegando ao mês de agosto de 2006 com 189 mil portugueses inscritos, sendo que muitos calcularam que esse número ultrapassaria os 200 mil, dado que era reconhecido que havia portugueses a trabalhar sem autorização de estadia ou sem um contrato de trabalho, ou seja os trabalhadores conhecidos como os sem papéis ou a negro.

A emigração para a Suíça caracterizou-se, quase sempre, pelo mesmo número proporcional entre homens e mulheres, sendo que essa taxa era de 60% para os homens e 40% para as mulheres no ano de 1974. Esses números normalizaram-se, chegando-se ao ano de 2006 com uma taxa de 55% para os homens e 45 % para as mulheres. Claro que houve sempre um número elevado de trabalhadores sazonais, com o antigo estatuto Permis A, mas a verdade é que muitos conseguiram, mesmo assim, trazer as suas famílias.

Os setores laborais que empregam na sua grande maioria os portugueses são o setor da construção, limpezas e gastronomia, sendo que nos dias de hoje podem encontrar-se portugueses em lugares de administração de empresas e até médicos e enfermeiros nos hospitais helvéticos.

Outro ponto que sempre distinguiu a nossa comunidade de todas as outras é que, em número global de portugueses a viver na Suíça, o número efetivo de trabalhadores foi sempre muito alto. Quer isto dizer que a maior parte dos portugueses que vivem na Suíça tem uma atividade laboral fixa ou parcial, em número elevado, em comparação com o seu número real total. Entre os países europeus, a emigração para a Suíça verificou um significativo aumento de portugueses, alemães e franceses, quando os italianos e espanhóis reduziram significativamente a sua presença no país helvético. Mesmo assim, os italianos continuam a ser a maior força de estrangeiros com 319 367 pessoas, seguindo-se os alemães com 305 785 pessoas e no terceiro lugar estão os portugueses com 268 012 pessoas. Temos de adiantar que pela primeira vez, em muitos anos, o seu número baixou no ano de 2017 em 1509 indivíduos, e acreditamos que este poderá ainda baixar mais no corrente ano.

Outro dos pontos que preocupa é o crescente número de desempregados portugueses no Fundo de Desemprego suíço, que chegou a atingir mais de 14 mil pessoas há dois anos, muitos deles devido à precariedade do seu vínculo laboral no setor da construção civil e nas limpezas.

Motivos do regresso dos portugueses? Pois são vários, na minha opinião: primeiro, tem que ver com a declaração do património em Portugal, depois do acordo assinado e que entrou em vigor no corrente ano. Depois, tem que ver com o facto de que muitos portugueses têm medo de perder o acesso aos seus fundos acumulados nas Caixas de Pensão, ao longo de décadas, e um outro motivo tem que ver com a falta de rigor e de informação de muitos agentes que proliferam na nossa comunidade. E por último, um cansaço de muitos anos de labuta e as pessoas que estão perto da idade da reforma procuram o merecido descanso na sua terra e nas suas casas para as quais lutaram uma vida inteira. Claro que para que isso aconteça, têm de ter acesso aos fundos do Segundo Pilar. De certeza que se poderia acrescentar e desenvolver muito mais esta tese sobre a comunidade portuguesa nos dias de hoje, mas creio que seja o suficiente para se formar uma ideia da realidade atual.

A Sá

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