Cristiano Azevedo árbitro na 2ª Liga em Zurique

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Cristiano Azevedo tem 39 anos de idade e subiu à 2a Liga como árbitro da Federação de Futebol do cantão de Zurique. Um feito que deixa o nosso compatriota muito contente e já tem metas bem definidas neste desporto, pelo qual nutre uma paixão imensa. O Cristiano foi jogador federado e noto pela virilidade e pelo seu empenho nos jogos, que levava sempre ao limite. Iniciou a sua carreira de árbitro nos Juniores, há dois anos, para subir à 2a Liga no passado mês de dezembro. Uma subida rápida, mas sustentada pela capacidade física, técnica e um conhecimento profundo das leis do jogo, que mereceu a atenção de todos aqueles que avaliaram as suas prestações.  O Cristiano chegou à Suíça no ano de 1990, com 12 anos de idade, para o cantão de Aargau. Na sua atividade profissional é secretário sindical na Suíça central.

Como aparece a carreira de árbitro?

Cristiano Azevedo – Sempre estive ligado ao futebol, uma paixão que carrego desde sempre, e com o avançar da idade, dado que joguei sempre a nível federado, no início até pensei abraçar a carreira de treinador, mas com a minha intensa atividade profissional, sou secretário sindical, vi que teria mais disponibilidade em ser árbitro, e assim foi. Claro que gostava muito de ser treinador, mas seria muito complicado devido ao planeamento dos treinos, os próprios treinos, jogos, de verdade que seria muito complicado abraçar esse caminho, pela minha atividade profissional. Mas estou muito contente com o meu percurso de árbitro…

Foste jogador federado no F.C Wallisellen da 2a Liga. Foi difícil a passagem de jogador a árbitro?

Cristiano Azevedo – Não, não foi. Bem, depois de passar à 2a Liga não me foi possível jogar mais, aliás tal não é permitido. Mas a idade passa e estou contente com esta minha opção e continuo ligado ao futebol. Como disse, é uma enorme paixão que sinto por este desporto. Posso jogar futebol amador e ser árbitro, agora jogador federado na 2a Liga, isso não é mais possível.

É reconhecido o teu lado viril como jogador. Agora, como árbitro, como é que sentes esta tua nova função?

Cristiano Azevedo – Pois, é verdade, era muito resmungão com os árbitros, e agora é que vejo quanto difícil é ser árbitro.  Mas desempenho a minha função com seriedade e com muito empenho. Tento ser o mais imparcial possível e acompanhar todos os lances para julgar com isenção e no cumprimento da lei. Mas é claro que para uns fazes uma boa arbitragem para um ou outro, já não é bem assim. Mas estou contente com o meu percurso de árbitro até ao momento, como já referi. 

Já tiveste alguma situação mais complicada?

Cristiano Azevedo – Sim, e na verdade foi em torneios de portugueses. Uma situação desagradável que estou mesmo a ponderar em declinar todos os convites para arbitrar torneios organizados por portugueses. Sabes, até às duas da tarde és o melhor árbitro da europa, depois já não é assim, porque o álcool fala mais alto…esta é a verdade e quem quiser que vá ver os torneios e o que muitos jogadores bebem à hora do almoço…depois, sabes como é, discordam de tudo e já não têm a mesma serenidade. E o problema é que muitos destes jogadores nem se apercebem do que bebem e que a cerveja em demasia altera o próprio comportamento. Depois, basta uma pequena falta no jogo para começarem todos a discordar de tudo e de todos. Não estou para isso. Agora, a nível federado, nunca tive problemas, é um prazer arbitrar jogos federados e sinto um enorme prazer nesta minha nova atividade. Depois, como subi sempre em quase todos os meus jogos como árbitro, tive sempre um inspetor da Federação de Futebol do cantão a controlar os meus jogos.   E o resultado está à vista, em dois anos e meio subi à 2a Liga como árbitro.

Nas equipas da 2a Liga jogam jogadores portugueses?

Cristiano Azevedo – Sim, é verdade. Mas não jogam assim tantos jogadores portugueses como se possa pensar. Dois, três por equipa, pelo menos é o que tenho encontrado. Mas, jogue quem jogar, para mim não influência em nada, para mim, são duas equipas e tento apenas cumprir as regras com a maior imparcialidade possível.

Mas o que te fascina mais em ser árbitro?

Cristiano Azevedo – O futebol para mim é tudo. Como já referi, e de verdade é sempre uma enorme sensação pisar um campo de futebol, agora noutra função, é certo, mas sinto-me muito bem e estou muito contente por poder dar o meu contributo ao futebol, mesmo numa outra atividade, que é também de muita responsabilidade.

Existem outros árbitros portugueses no cantão de Zurique?

Cristiano Azevedo – Sim, felizmente temos outros árbitros portugueses em atividade no cantão de Zurique, penso que serão cerca de 6 árbitros portugueses, mas não tenho a certeza quanto ao seu número.

Até onde podes chegar como árbitro?

Cristiano Azevedo – Pela idade que tenho penso que cheguei ao limite, mas desejo alcançar a 2a Liga inter-regional como árbitro. Como bandeirinha, ou melhor dizendo, como juiz de linha, já sou, mas de verdade que essa é a minha meta e pretensão. Tenho indicações por parte da federação e dos inspetores que tal pode vir a ser possível. Antes era até aos 45 anos de idade, que ainda não tenho, mas nos dias de hoje tem a ver com a condição física também. Todos os anos somos avaliados, como disse, tanto fisicamente tanto com uma prova escrita, que nos vai dar a possibilidade ou não, de continuar no escalão. Para um árbitro se manter na 2a Liga tem de obter sempre uma pontuação entre 7,6 a 7,8, caso contrário baixa à 3a Liga.

Quer dizer que ser treinador está fora de questão?

Cristiano Azevedo – Sim, no momento sim, como já referi pela minha atividade profissional. Mas no futuro nunca se sabe, mas de verdade que não penso. Apesar de ter a carteira de treinador para treinar os infantis. Mas não, estou focado em ser um bom árbitro e dar o meu melhor por este desporto que gosto muito. 

Tu que és um homem do futebol, um profundo conhecedor da realidade do futebol da comunidade no cantão em Zurique, pensas que alguma equipa portuguesa poderá chegar a uma 2 Liga?

Cristiano Azevedo – Não, não creio. Com as condições que existem agora, é quase mpossível. Agora, se a comunidade portuguesa fosse inteligente, deixasse os grupinhos de lado e se tornasse num só grupo, forte e coeso, aí sim, e temos o exemplo dos albaneses com o F.C. Kosovo que subiram à 1a Liga, aliás, recordo quando joguei no Centro Lusitano, eles estavam na 3a Liga, e nós eramos muito mais fortes do que eles. Os melhores jogadores juntaram-se e agora chegaram à 1a Liga. Nós, à parte das divisões, temos dois jogadores bons ali, dois acolá, e sempre com guerrinhas.  Assim, vai ser difícil. Não temos estruturas, mas temos matéria humana, precisamos é que todos se sentem à mesa e deixem as rivalidades de lado e que pensem num só todo. A união faz a força. Mas nas condições atuais é quase impossível. O meu caminho é ser árbitro e tentar ser o melhor possível.

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