Contas,…contas,…contas!

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Contas,…contas,…contas!

Aproximamo-nos do final do ano e toda a gente começa a fazer contas!
As famílias, que têm vindo a recuperar o seu poder de compra, aproveitam os saldos, as promoções e os «black Friday», para completar as prendas de Natal. As empresas, que têm tido uma situação economicamente favorável, fazem um balanço de um ano que, em geral, tem sido positivo e perspectivam os investimentos para o próximo ano, tendo em consideração a estabilidade económica interna e as hipóteses do mercado externo. O Estado, do ponto de vista económico e financeiro, apresenta este ano um bom resultado e a recente aprovação do Orçamento pra 2018 vai no mesmo sentido.
Mas, se a simples leitura destes indicadores económicos gera uma visão optimista do País que somos e daquele que queremos ser, do ponto de vista politico nem tudo correu bem este ano, nem o próximo ano se apresenta com um cenário idílico.
A solução governativa que foi encontrada para Portugal: um governo minoritário do PS, com o apoio parlamentar do BE, do PCP e dos Verdes, é extremamente difícil de gerir, face à natural oposição do PSD e do CDS e da competição com o PS, por parte das forças parlamentares que o apoiam, mas que não querem perder resultados nas próximas eleições legislativas de 2019 e, muito menos, que o PS atinja a maioria absoluta nas referidas eleições. Razão de muitos equívocos governamentais que empastelam publicamente as acções do governo e dos protestos político-sindicais que tendem a aumentar à medida que se aproximam as eleições.
Além disso, 2018 é um ano abalado pela maior catástrofe de incêndios, com imensa perda de vidas e de bens, para as quais o governo e as instituições que dispunha, não estavam preparadas para o necessário socorro, nem os governantes capazes de coordenar a melhor atitude a tomar. Razões porque foram alvo de algumas justas críticas!
Se se compreende que o governo tenha, nestes dois anos, optado por fazer com que os seus cidadãos recuperassem muito do poder de compra perdido desde 2011, relançado a economia nacional, diminuindo o desemprego e corrigindo algumas assimetrias sociais, neste Portugal há ainda muito a fazer!
E porque há ainda muito a fazer, a oposição PSD/CDS tem terreno para criticar assiduamente o governo, por toda a espécie de futilidades e por não fazer o que falta fazer, de acordo com a sua visão política e orientação ideológica. E o PCP e o BE, com igual vigor mas com outro tipo de preocupações, exigem que se faça de imediato o contrário daquilo que fez o anterior governo e se invista mais em benefícios sociais. Se uns fingem esquecer as contas, os outros, porque estão contra as imposições da EU, estão-se “borrifando” para elas!
Perante estas circunstâncias que contas faz o Governo do PS?
Porque está submetido às regras de Bruxelas, nomeadamente do défice e da dívida que, sem o seu cumprimento, a situação seria um verdadeiro quebra-cabeças para qualquer governo, faz um controlo exaustivo das finanças públicas, permitindo que o défice fique este ano e no próximo, muito abaixo dos traumáticos 3%, antecipa os pagamentos dos empréstimos do tempo da “troika”, diminuindo os juros a pagar e mantém a dívida pública nos limites do razoável.
Quanto à sua atitude face às diversas oposições, as suas contas são outras!
Porque não se pode agradar a “gregos e troianos” e porque o PS advoga uma sociedade socialmente mais equilibrada, o Governo opta, naturalmente, por satisfazer uma parte considerável das exigências daqueles que lhe dão o suporte governativo, o BE e o PCP, sem que isso possa descontrolar as contas do País. Isto,… se o nosso Super-Mário das finanças não se enganar nas contas!
Com o CDS em plena afirmação política da sua nova presidente, ora criticando tudo e todos ou fazendo coro com a constante gritaria do PSD, o Governo tem mantido as “contas saudáveis”, procurando leves aproximações quiçá, eventuais futuros entendimentos.
Com o PSD de Passos Coelho as “contas” estão há muito furadas! O “Diabo”, prometido por ele, não chegou e é ele e alguns dos seus “diabretes” quem se vai embora. Resta agora saber qual dos dois candidatos à presidência do PSD (Rui Rio ou Santana Lopes) vai assumir a direcção deste partido que, ainda nesta legislatura tem a uma maioria de deputados. Em qualquer dos casos, nem um, nem outro, se assemelham ao demissionário Passos Coelho, o que só por si já é positivo e, na óptica da reorganização deste partido, tudo vai depender do número de “espingardas” que cada um possa arregimentar. Naturalmente que, o vencedor, tentará posteriormente afirmar-se como o campeão da oposição ao PS, o que obrigará o actual Governo a mais uns “golpes de rins”, para ajustar a sua estratégia de defesa, ou baralhar as contas com uma aproximação a um eventual “bloco central” com o futuro PSD!
Equações a várias incógnitas, que os algoritmos disponíveis não conseguem ainda resolver, porque tudo está sujeito ao resultado de outras contas,… as eleitorais!…
O preocupante é que estas contas têm uma implicação directa nas contas das famílias e das empresas. Não podem ser apenas de somar e muito menos de diminuir, é preciso multiplicar e dividir!

Luís Barreira
Luís Barreira
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