CERN, um mundo da alta tecnologia que mereceu a visita do embaixador de Portugal

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O CERN, inicialmente conhecido como “Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire”, e agora como “Laboratório Europeu de Física de Partículas” —mas será sempre o CERN — é o maior laboratório de física de partículas do mundo. Foi fundado no ano de 1954, alguns anos depois de ter terminado a segunda guerra mundial, numa perspetiva de partilha europeia do mundo da ciência, em prol da estabilidade e da paz no mundo. Desde a sua fundação, foram numerosas as descobertas em física fundamental da matéria e os prémios Nobel associados, assim como os desenvolvimentos tecnológicos que vieram a ser utilizados na medicina, nas áreas de diagnóstico (como o PET Scan, mais concreta e explicita do que a radiografia) e de tratamento (com feixes de partículas, mais precisos e menos invasivos que a radioterapia ou quimioterapia). Exemplos de tecnologias desenvolvidas ou aperfeiçoadas no CERN, são a criogenia e a supercondutividade, utilizados na ressonância magnética, ou a world wide web, que foi criada há 30 anos no CERN para facilitar a comunicação entre os cientistas e que nos dias de hoje utilizámos correntemente nas nossas casas e telefones. O CERN situa-se na região de Genebra, em Meyrin, na fronteira franco-suíça, e conta atualmente com 23 estados membros. Portugal aderiu a esta organização no ano de 1986. Todos os anos recebe a vista de 140 mil visitantes, na sua grande maioria alunos provenientes da escolas de todo o mundo, que assim se podem inteirar do que se faz ao mais alto nível na investigação em física das partículas elementares, e cujas descobertas nos podem fazer entender melhor como tudo teve início no universo.  E, claro, a pergunta pertinente que sempre intrigou a classe científica: como foi a criação do universo?

Em Meyrin, onde se encontra a sede da organização, assistiu-se à visita do embaixador de Portugal em Berna, Dr. António Ricoca de Freire e da sua comitiva, que contou com o Dr. Bruno Paes Moreira, Cônsul Geral de Portugal em Genebra,  Dra. Ester Vargas, Conselheira Social em Berna, Dra. Mariana Martins, Dr. Ricardo Antunes, e Gaspar Santos. Esta visita realizou-se no passado dia 22 de março, e todos tiveram a oportunidade de se inteirar, sempre com uma natural curiosidade, dada a grandeza e a envolvência de todo o projeto, da extrema relevância de todo o trabalho desenvolvido no CERN. Uma nota de enorme regozijo foi o facto de constatarmos que trabalham no CERN mais de 170 portugueses, com uma formação ao mais alto nível científico, sendo muitos destes a nova geração que abraça projetos e ideias que podem mudar o mundo.

As ferramentas que o CERN utiliza para desvendar os segredos da natureza são os aceleradores, que levam partículas até velocidades muito próximas da luz, os detetores, que coletam os restos depois do choque frontal das partículas aceleradas, e os computadores, que analisam, filtram e armazenam a informação produzida por esses mesmos detetores. O maior e mais poderoso acelerador do CERN, e do mundo, é o Large Hadron Collider (LHC), e está instalado num túnel a 100 m de profundidade, com 27 km de circunferência. O LHC conta com quatro experiências: ALICE, em st Genis, CMS em Cessy, LHCb em Ferney-Voltaire, todos em território francês, e ATLAS em Meyrin, na Suíça. Tivemos a oportunidade de visitar o primeiro acelerador do CERN, o Sincro-Ciclotrão, já desativado, e que começou a funcionar na década de 50, assim como a experiência CMS e o Centro de Computação.

Para quem é um leigo em matéria de física, como é o meu caso, será difícil descortinar explicações como as seguintes: um átomo de hidrogénio é formado por um protão, com carga elétrica positiva, e um eletrão com carga elétrica negativa; o universo terá sido criado em partes iguais de matéria e antimatéria,  nos dias de hoje o Universo é feito apenas de matéria, em que se encontra  a antimatéria fugazmente, o que faz com que os cientistas procurem o paradeiro da tal antimatéria que falta ou a razão pela qual desapareceu, tendo ficado só a matéria.( de que somos constituídos).

Claro que toda a comitiva ficou incrédula e com a natural curiosidade de conhecer um pouco mais sobre este fantástico mundo da ciência, o que o CERN proporciona de portas abertas, de uma forma muito transparente e de um modo muito educativo. O CERN conta com 2600 empregados, 11 mil cientistas e engenheiros, que representam cerca de 500 universidade e centros de pesquisa, entre 80 nacionalidades.

O embaixador e a sua comitiva foram recebidos ao mais alto nível, pela senhora Charlotte Warakaulle, diretora das relações internacionais, e pela Dr.ª Pippa Wells, que deu uma loquaz e abrangente explicação do trabalho que se realiza no CERN; foi também possível a diretora geral,  Dra. Fabiola Gianotti, dar as boas vindas pessoalmente ao embaixador e à sua comitiva. Durante as visitas às diversas instalações, ouviram-se, igualmente, a Dr.ª Clara Gaspar do LHCb Control System Coordinator, o Dr André Tinoco Mendes, o Dr. Rolf Landua, Dr. Frederic Hemmer, Eng. Pedro Ferreira, Prof. Roberto Carlin e a simpatia pertinente e muito agradável de José Carlos da Silva. Uma nota de reportagem a merecer particular destaque foi termos ainda tido a possibilidade de fotografar o casal de cientistas mais mediático de todo o CERN, a  senhora  e o senhor Maria e Giuseppe FIDECARO, com uma idade na casa dos 90 anos, que foram protagonistas de grandes descobertas, com experiências no primeiro acelerador, (sincro-ciclotão) que esteve em serviço durante 33 anos, e que ainda caminham de braço dado,  sendo ambos muito acarinhados por todos neste centro de investigação. Por último, uma palavra de agradecimento à Paula Carvalho Correia e ao Paulo Gomes pela disponibilidade, simpatia e profissionalismo como receberam toda a comitiva. O embaixador de Portugal, Dr. António Ricoca de Freire, assinou o livro de visitas do CERN, perante os olhares atentos dos portugueses que trabalham neste local, e no final foi tirada uma fotografia de grupo. Visite o site www.home.cern

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