As “voltas” dos portugueses!

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Luís Barreira

Neste Portugal, ainda às voltas com a possibilidade de não sair do déficite excessivo em 2015, em consequência do desastre adiado pelo anterior governo de Passos Coelho, não resolvendo atempadamente a situação do Banif e em gastar grande parte da célebre “almofada financeira”(empréstimos a juros), os candidatos presidenciais mobilizam todas as energias dos média e encharcam-nos com o “folclore” eleitoral destes “10 magníficos”, ditos independentes, mas que não regateiam os apoios dos respectivos partidos ou das suas franjas. Assim, entre feiras e tascas, distribuindo beijinhos e abraços, nove dos candidatos gritam discursos inflamados ou falam ao coração das gentes, tentando sacudi-los da apatia geral em que se encontram, como forma de conseguirem chegar à segunda volta das eleições e disputarem o lugar com o favorito das sondagens, o professor Marcelo Rebelo de Sousa. Este, habituado a falar “às massas” em tom de mestre escola, já se “elegeu” presidente à primeira volta!
Parco em palavras sobre as próximas eleições presidenciais (talvez porque não quer voltar a dizer disparates…), o ainda Presidente Cavaco Silva fez agora uma breve aparição televisiva, durante uma visita a uma fábrica portuguesa de máquinas agrícolas perguntando, ao dono da empresa, qual era a profundidade de lavra de uma das suas máquinas, uma vez que, prestes a ser reformado, teria interesse em tratar da sua agricultura!?…
Como afirma que é sempre muito poupado, ficámos sem saber se Cavaco (o tal que sabe tudo, raramente tem dúvidas e nunca se engana…), está com receio de uma crise nacional profunda e pretende dedicar-se a plantar batatas no jardim do palácio que vai ocupar gratuitamente, como todos os presidentes cessantes. É um facto que, quando deixar de ser presidente, não pode fazer o que fazia antes, ou seja, fazer aquisições por ajuste directo e sem as divulgar (só em 2014, segundo o Tribunal de Contas, gastou 4,2 milhões de euros…), sendo o Estado a assumir as despesas.
No entanto custa-me a crer que o Sr. Silva, reformado e já com uma certa idade, vá plantar legumes no palácio que lhe foi cedido ou na sua soberba propriedade algarvia, sobretudo porque, quando cessar a sua actividade como Presidente, vai passar a acumular, para além de 80% do seu ordenado, as pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações (valor que deve rondar os 10 mil euros). Dinheiro suficiente para comer todos os dias num restaurante e dar umas voltas!
Ás voltas com as contas da vida andam os portugueses, com cerca de meio milhão de trabalhadores pobres, situação que aumentou fortemente em 2011, com a chegada da troika. Embora o actual Governo tenha aumentado o salário mínimo para 530 euros, o ordenado dos funcionários públicos aumente 2% em janeiro e os privados deixem de pagar a sobretaxa, entre outras vantagens para os trabalhadores que o governo tem vindo a assegurar, a indesejável troika vai voltar brevemente a Portugal com algumas ideias/ameaças na bagagem.
Espero que estes representantes dos nossos credores não venham com as mesmas, ou semelhantes exigências de diminuição dos salários e aumento dos tempos de trabalho. A própria OCDE, se quiserem respeitar as suas conclusões, considerou que, no conjunto de 31 países seus membros, quanto mais horas se trabalha, menos se recebe! Voltar para trás, agora que se vislumbra alguma esperança de melhoria dos nível de vida dos portugueses, não parece estar nas intenções deste povo, nem do seu actal governo.
Por outro lado, a “saída limpa” do programa da troika, dá-nos alguma autonomia de decisão e, apesar das contas do déficite poderem comprometer os resultados orçamentais do País, nas actuais circunstâncias em que se encontra a União Europeia e, nomeadamente, alguns dos seus grandes países com seus déficites comprometidos (…), o Governo tem margem para recusar mais medidas gravosas para os portugueses ou, pelo menos, diminuir o seu impacto.
E, se a troika não gostar,…pode sempre ir dar uma volta!

Luis Barreira

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