As “mentirinhas” de Abril!…

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Luís Barreira
Luís Barreira

Talvez por influência do período pascal que atravessamos, muita gente apostada no sucesso governativo, prognosticou a “morte” do actual Governo português e a sua “ressurreição”, com outros rostos e outras formas de governar. No entanto, ninguém se atreveu a pôr em causa a continuidade do seu Primeiro Ministro e poucos tiveram o atrevimento de querer “apear” o actual Ministro das Finanças.
A razão compreende-se e tem pouco a ver com a deterioração da nossa imagem externa, que já péssima ficou, após a divulgação pelo INE do aumento do nosso défice e da nossa dívida pública!…
No caso da saída de Passos Coelho, sem que tivesse havido um Congresso extraordinário do PSD que lhe retirasse a liderança, isso significaria a queda do Governo e novas eleições. Situação que, face  ao actual descontentamento popular, provocaria uma “catástrofe” eleitoral no partido e pesadas consequências nas muito próximas eleições autárquicas.
Substituir o Ministro das Finanças, era retirar o estratega deste Governo (a quem todos devem obediência…) e deixar o nosso jovem 1° Ministro sem plano A, nem plano B, vagueando em ziguezague entre as ortigas discursivas dos seus críticos apoiantes e as “narrativas” demolidoras dos seus opositores.
Retirar o actual Ministro da Economia, substituindo-o por outro, era preciso encontrar alguém disposto a continuar a prestar “vassalagem” ao colega das finanças, sem instrumentos capazes de relançar a nossa débil economia, nem voz activa para se impôr perante o governo e os seus homólogos europeus. E, para isso, parece-me difícil encontrar um candidato, a não ser,… mais um igual ao outro!
Mandar embora o Relvas (como muitos insistem), era “cortar as raízes” a Passos Coelho, deixando-o orfão do seu criador! Já conhecemos suficientemente o carácter impositivo (e convencido…) de Passos Coelho, para não esperar que dê o “braço a torcer” nesta questão.
Também me parece despropositado esperar que seja o Tribunal Constitucional a motivar qualquer alteração ministerial. Se tal acontecesse, pelo eventual chumbo de algumas matérias do Orçamento de Estado, só demonstraria que o poder político não soube tomar as atitudes mais acertadas, defendendo-se de quaisquer inconstitucionalidades.

Resta, na opinião de alguns comentadores, a hipótese de que o CDS/PP, envolvido nos maus resultados da governação (por muito que lhes queira escapar…), “exija” uma mudança de ministros, como contrapartida da seu apoio ao Governo. Penso que Passos Coelho estaria mais disposto a demitir-se, do que a aceitar publicamente que, qualquer remodelação governamental, tinha sido feita por pressão do seu parceiro de governo e este não quer ficar responsável pelo seu desaire!
Há ainda uns (cada vez menos…) que esperam do Presidente da República, uma atitude que o conduza a “forçar” o Primeiro Ministro a substituir alguns dos seus Ministros. Mas Cavaco, para além de “não dar cavaco” sobre questões que lhe dizem directamente respeito (enquanto Presidente e não como pensionista…), já demonstrou que não se quer “sujar” com qualquer solução governativa, não vá perder o lugar na história a que se sente por direito.
Seja como for, “pintar a fachada” do governo, sem reconstruir alguns “muros” políticos que o afectam, no meio de uma “chuvada” de protestos que o têm atingido, não é solução. Quando a “corrosão” se instala, tem de ser tudo “lixado”!
Então qual é a solução? Bem,.. parece que essa já foi descoberta e divulgada por Joe Berardo, no passado dia 1 de Abril: “Portugal vai ter um perdão da dívida…!”
E se alguém pensa que é uma “mentirinha” de 1 de Abril, já se esqueceu do que Passos Coelho disse a 1 de Abril de 2011 (2 meses antes de formar governo), quando Sócrates o acusou de querer acabar com o 13° mês. Disse ele:”..nunca falámos disso e isso é um disparate”!

A avaliar pelo excelente efeito que causam as “mentirinhas” de Abril, em contraste com as verdades, pode ser que o “Big” Joe tenha razão e, nesse caso, considerando o entendimento que começa a haver entre os parceiros sociais, até já nem precisamos de Governo,… seja ele novo ou retocado!

 

Luis Barreira

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