António Costa e “o milagre das rosas”!…

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Luís Barreira
Luís Barreira

No passado Domingo os portugueses foram chamados a votar. Tratou-se de eleger os seus milhares de representantes nas Câmaras, Freguesias e Assembleias das autarquias do País, situação que se repete de quatro em quatro anos, desde 1976.

Num País que vem progressivamente aumentando a taxa de abstenção nos actos eleitorais, foi uma agradável surpresa verificar que, nestas eleições, a abstenção ficou-se pelos 45%, contrastando com os 47,4% verificados nas últimas eleições semelhantes de 2013.

Os portugueses parecem estar mais interessados, em eleger para os lugares dos seus representantes mais directos: os melhores autarcas com provas dadas; aqueles que mais se notabilizam na sua zona ou os que apresentam as melhores propostas. Mas foi apenas isso que motivou o sentido de voto dos votantes?

É evidente que as características pessoais dos candidatos tiveram a sua importância mas, num País saído de uma enorme depressão económica e social com o governo PSD/CDS e que, a partir de Novembro de 2015, vem encontrar hoje um Portugal diferente, governado pelo Partido Socialista e com o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda e do PCP, com um crescimento económico permanente e um aumento das suas exportações, o controle do seu défice, um desemprego a atingir mínimos históricos, um aumento de salários e pensões, uma paz social e uma diminuição de impostos para os mais desfavorecidos, esse País não poderia votar indiferente a esta realidade, independentemente de, neste caso, apenas se tratasse de eleições locais.

O Primeiro-ministro António Costa, num apoio permanente aos seus candidatos, conseguiu nestas eleições um autêntico “milagre das rosas”, fazendo com que o Partido Socialista ganhasse o maior número de votos, a maioria das Câmaras Municipais e das respectivas Assembleias, transformando a leitura destas eleições autárquicas num contexto de eleições legislativas. Transformou o que deu aos cidadãos do País em votos nos candidatos rosa!…

Com o PS a conquistar 157 Câmaras Municipais, entre as quais a de Lisboa, o PSD de Passos Coelho (o grande derrotado dessa noite…) conseguiu apenas 95, colocando o seu líder numa posição desastrosa que ele se recusa a admitir, não renunciando ao seu lugar de principal estratega do PSD e único responsável pelo desaire do seu partido em Lisboa, onde obteve o terceiro lugar (11,2%), atrás do CDS de Assunção Cristas (20,57%) e muito perto do PCP (9,56%) e no Porto, ganho por maioria absoluta pelo candidato independente Rui Moreira, obteve o PSD um fraco resultado de 10,39%, atrás do PS com 28,55%.

O mapa de Portugal virou um “Mapa Cor-de-rosa” (desta vez fora do contexto histórico do “ultimato britânico”…) em que o Partido Socialista se tornou no claro vencedor da vontade dos portugueses e o líder do PSD, obstinado em não assumir as consequências pessoais da pesada derrota do seu partido, acabou por fazer da noite da contagem dos votos a “noite dos facas longas” do seu partido, ansiosos desde há muito pela sua substituição e que não lhe perdoam os erros políticos cometidos nesta legislatura e o facto de ter herdado 139 Câmaras Municipais em 2009 e deixar actualmente 95.

Mas, a escolha da candidata e a consequente derrota eleitoral do PSD na capital do País não é apenas numérica. O CDS de Assunção Cristas, ao captar uma considerável fatia de eleitores lisboetas (para além de ganhar mais uma Câmara), posicionando o seu partido em segundo lugar neste importante centro urbano, vai passar a ser muito mais exigente com o seu habitual parceiro de coligação, o PSD, e não apenas a “muleta” para todo o serviço.

Entre as esperadas vitórias de uns e as previstas derrotas de outros, estas eleições autárquicas reservaram-nos algumas surpresas.

O PCP perdeu 10 Câmaras (9 foram para o PS), entre as quais alguns ícones do partido, como Almada, Barreiro ou Beja. Esta situação, que tem ocasionado numerosas especulações por parte da oposição sobre qual vai ser o futuro comportamento deste partido, que vê resvalarem os seus votantes para o Partido Socialista que apoia na Assembleia da Republica, pode tornar mais difícil a convivência entre os partidos que compõem a chamada “geringonça”. No entanto e embora o seu Secretário-geral tenha desmentido tal possibilidade, nesta campanha eleitoral e como forma habitual de arregimentar mais votantes, o PCP tornou-se mais crítico da governação do Partido Socialista considerando que o que de bom foi feito, foi por sua causa e o que de errado aconteceu,… era culpa dos socialistas. Afinal, estar com um pé dentro e outro fora, acabou entalado!

Outra curiosidade interessante foi a eleição, por maioria absoluta, do agora independente Isaltino Morais para a Câmara de Oeiras, depois de ter estado 14 meses na prisão por crime fiscal e branqueamento de capitais, quando era presidente dessa autarquia pelo PSD. Se a moda pega, ainda vou ver José Sócrates, depois de eventualmente cumprir alguma condenação, concorrer ao cargo de primeiro-ministro de Portugal como independente!…

Luis Barreira

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