Alberto Pessoa e a sua Musicland

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A empresa Musicland é por todos conhecida no mundo da música no seio da nossa comunidade. Alberto Pessoa é o rosto desta empresa que já leva 21 anos de atividade, e são muitos os músicos portugueses que recorrem aos seus serviços. O seu armazém impressiona pela imponência de todo o material que lá se encontra. Muito deste, confidenciou-nos o Alberto, terá de ser substituído pelos novos modelos, dado que a evolução é uma constante neste ramo. O Alberto é natural de Soutelo do Douro, S. João da Pesqueira e veio para a Suíça no ano de 1987, com apenas 13 anos de idade, para junto dos seus pais. A sua esposa Sandra é uma conhecida empresária da música brasileira, e grandes nomes do Brasil também têm sido apresentados ao longo dos últimos anos na Suíça, com muito sucesso. O Alberto tem 43 anos de idade e a sua Musicland foi fundada no ano de 1997 na cidade de Luzerna.

–Como é que nasceu a tua empresa Musicland?

Alberto Pessoa – Pelo imenso gosto que sempre tive pelo mundo da música. Sempre senti uma imensa atração pelo mundo dos teclados desde os meus 12 anos de idade.  Desde sempre gostei de me envolver no mundo da música e creio que vem também pelo facto de o meu pai ter colaborado com alguns grupos musicais no seio da nossa comunidade. Era vocalista e sempre o acompanhei. Nunca fui um grande músico, tenho de reconhecer, mas sempre senti uma enorme paixão por este mundo.

–E como nasce, então, a tua empresa Musicland, tanto mais que já estás no mercado há mais de 21 anos?

Alberto Pessoa – Apesar de ter sido muito complicado, fiz sempre aquilo que desejei e sonhei. Trilhei o caminho do que sempre gostei de fazer, envolvendo-me com todo o acompanhamento aos concertos, músicos, e aconselhamento no som, porque é uma área para que nem todos estão habilitados e têm conhecimento para o fazer, apesar de pensarem que sim. Tive de ultrapassar imensas dificuldades;  recordo que no ano de 2006 tive imensos problemas financeiros, devido a vários fatores que agora não interessa mencionar, mas sinto uma enorme satisfação por ter ultrapassado esse período menos bom, que durou até 2012, mas consegui; e a minha atividade subiu e continuo a ser solicitado de forma a sentir-me realizado. Depois, sinto um enorme prazer em ter trazido nomes grandes da música e fiz o som para grandes bandas portuguesas, como, por exemplo, os Xutos e Pontapés.

–Mas também colaboras com outras comunidades?

Alberto Pessoa – Sim, de tudo o que tem a ver com os artistas da América do Sul, e tudo que tem a ver com o Brasil, posso dizer que quase 80% passa pelas minhas mãos. Tenho trabalhado também com os suíços, mas devo reconhecer que em número muito mais baixo, é um mercado mais exigente e complicado, até pela concorrência natural. Tenho trabalhado sob contrato para grandes empresas helvéticas, como a Johnson & Johnson, entre outras…

–Ao entrar no teu armazém uma pessoa fica abismada com a quantidade de caixas e de aparelhos que encontra. Sabes exatamente o que tu tens neste teu espaço?

Alberto Pessoa – Felizmente sei, porque tudo o que tenho foi comprado e muito suado. Não há nenhum canto do armazém que não conheça e não saiba o que lá está.

–Mas o investimento tem de ser constante, porque esta é uma área que está sempre em evolução?

Alberto Pessoa – Sim, mas quem tiver gosto nisto tem de investir e só assim é que consegue seguir em frente. Existe sempre o desejo e gosto de se estar sempre atualizado.

–Mas o que fazes a todo aquele material que  fica ultrapassado?

Alberto Pessoa – Existe sempre mercado para esse material, porque aqueles grupos que estão a dar os primeiros passos têm assim a possibilidade de o comprar a um preço muito mais conveniente e que lhes vai proporcionar também prazer e ser-lhes útil; assim como existem muitas pessoas privadas que desejam ter em casa, simples amadores no mundo da música, e consigo chegar até eles através das redes sociais. Como tal, existe sempre um mercado paralelo e devo dizer que as pessoas vão muito bem servidas. Nós, profissionais, é que temos de nos atualizar sempre que nos seja possível, pois este é um mundo que corre muito depressa.

–Num investimento para um concerto do Xutos, por exemplo, estamos a falar de um valor considerável do material que é lá colocado?

Alberto Pessoa – Sim, um valor mesmo muito alto. As pessoas nem imaginam. O investimento que está no som, no back line, nas luzes; é muito elevado, e depois nem sempre é ter o produto; também é saber trabalhar com todo este equipamento e isso também requer formação e, como tal, investimento pessoal.

–Tens algum curso de som?

Alberto Pessoa – Não, infelizmente não tenho. Tenho é muitos anos de experiência. O único curso que tirei foi o de mecânico. Tenho participado em diversos cursos de som, mas não são reconhecidos a nível oficial, são cursos das empresas às quais eu compro o material. Agora, tenho muitos anos de experiência…, mas quando se trata de grandes concertos, as próprias bandas têm os seus engenheiros de som, nós apenas nos limitamos a montar o material. Mas, claro, os anos de experiência dão-me alguma autoridade para falar e saber o que digo… já lá vão mais de vinte anos no mercado.

–Sempre me fascinaram as vossas mesas de som, enormes e com muitos botões. Será que quanto maior for a mesa e mais botões tenha, melhor som se pode ter numa sala?

Alberto Pessoa – Não, isso faz parte de outros tempos. Infelizmente, esse tempo já passou, porque eu gostava muito de acertar e controlar todos esses botões. Nos dias de hoje, uma mesa digital, com apenas meio metro de largura, tem 200 canais e nos dias de hoje o tamanho nada tem mesmo a ver com a qualidade.  Basta um computador e faz exatamente o que fazia uma mesa de som, com todos esses botões que mencionaste. Isto quer dizer que, apesar de ser mais prático trabalhar numa sala, no que diz respeito ao som, não quer dizer que seja mais fácil. O digital facilitou muito, mas requer um empenho e um estudo muito maior para se poder trabalhar com esta tecnologia. Para se trabalhar com o som ou com a iluminação, quase se precisa de se ser um informático, porque existe sempre um computador por detrás.

–A comunidade portuguesa organiza muitas festas?

Alberto Pessoa –Demasiadas. (risos)

–Com qualidade?

Aberto Pessoa – Ah, isso não. Devo reconhecer que na nossa comunidade existem apenas 3 ou 4 pessoas que sabem organizar uma festa com qualidade, e todas as outras é a quantidade sem qualidade. Sem querer entrar em grandes polémicas, os consumidores por vezes não sabem o que estão a consumir. Não existe qualidade no consumo. Mesmo nos grandes eventos, existem sempre imensas dificuldades, o prazo para a montagem do material é muito curto, muitas das salas não oferecem as melhores garantias no som, é sempre muito complicado. Nem sempre tudo corre como desejamos. Agora, existe muita falta de qualidade e muito aparato.

–O mundo está sempre a evoluir; até onde isto vai?

Alberto Pessoa – Estamos na era do digital; creio que isto vai abrandar um pouco a nível de novidades; creio que estamos num patamar elevado; a grande diferença foi passar do analógico para o digital, e esse passo foi dado.

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