Ai Portugal… Portugal!

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Luís Barreira

Num País que, por vezes, parece mergulhado num oceano de contradições e de muitas palermices alimentadas por órgãos de informação ávidos de audiências e vendas de papel, há noticias que nos indignam, porque não correspondem ao padrão de exigência que uma democracia que se quer adulta exige.

Bem sei que há disso por todo o mundo e, nalguns casos, a perversidade até é maior. Mas,…como diz o povo, com o mal dos outros… posso eu bem!
Vem isto a propósito de uma semana recheada de “casos” que, só por azar seriam considerados acasos!

Toda a população portuguesa e, nomeadamente, todos aqueles que verteram lágrimas pelos terríveis acontecimentos que nos enlutaram, com os incêndios em Pedrogão Grande e concelhos limítrofes, tem aguardado ansiosamente pelos resultados de diferentes inquéritos a tudo o que aconteceu. Naturalmente que, assacar culpas a alguém, com justificação e responsabilidade, exige o seu tempo. Mas, o que nada tem a ver com o tempo indispensável às investigações e o sentido de responsabilidade de todos os actores envolvidos, para além das atoardas disparatadas de uma oposição apenas interessada em fazer cair o Governo, é a “caldeirada” de acusações vindas a público, entre todas as instituições envolvidas neste processo. Bombeiros contra Protecção Civil e vice-versa; Instituto responsável pelas alterações climáticas a desmentir os primeiros e a colocar em causa a capacidade técnica dos segundos; GNR a defender-se das acusações, salientando falta de meios e deficiências de comunicação e a Ministra da tutela debaixo de fogo cruzado, porque não fiscalizou convenientemente a eficácia desses mesmos meios de comunicação, ou seja, o famigerado Sirespe, entidade também envolvido em negócios pouco claros. Estas, apenas algumas das “pedras” com que se entrechocam as opiniões dos envolvidos, mas que começam a construir a opinião de quem está interessado em conhecer a verdade dos factos. E, mau grado as esperadas respostas dos inquéritos, essa opinião começa a esboçar-se nos espíritos,…a culpa é de uma cambada de imbecis que nos tomam por idiotas!…

Outra história, que nos parece muito mal contada, tem a ver com os “famosos” 10.000 milhões de euros que “partiram” para offshores, de 2011 a 2014, sem que fosse detectado pelo programa informático do fisco português. O relatório da Inspecção Geral de Finanças disse que tal “erro” não teria disso possível por manuseamento humano, desculpando o anterior governo. No entanto, ficámos agora a saber que, a tal engenharia informática do Ministério das Finanças, sempre funcionou para todas as outras funções mas, os seus erros, apenas aconteceram no registo do dinheiro enviado para os paraísos fiscais!?… Até pode ter acontecido mas,…o português começa a ficar desconfiado!

Por último, para além de assuntos que ainda estão em “banho-maria” e que, mais tarde ou mais cedo, serão motivo de conversa pública, aconteceu o (im)previsto. Um bando de assaltantes, cujas motivações ainda se desconhecem, “foram às compras” a um paiol de armas e munições do exército português em Tancos.

No passado fim-de-semana, durante a noite, dirigiram-se ao paiol que lhes interessava e carregaram: 1450 munição de 9mm, utilizadas normalmente para pistolas de polícia, militares e metralhadoras MP5 (não esquecer que não há muito tempo foram roubadas dezenas de pistolas de um paiol da policia); 25 disparadores e 60 iniciadores, utilizados como detonadores de explosões; 22 bobina de fio para activação por tração, utilizados para armadilhas para explosões; 18 granadas de gás lacrimogéneo; 150 granadas de mão ofensivas; 44 Lança-granadas que podem destruir blindados VIP e até atingir aviões; 112 cargas de corte, que podem ser utilizadas para destruírem portas blindadas e inutilizar infra-estruturas e 264 unidades de explosivo plástico, capaz de destruir um prédio. Tudo material escolhido por “encomenda”!…

Muitos portugueses, ao conhecerem esta noticia e os pormenores que a envolveram, devem ter tido a mesma reacção do que eu. Não sabia se havia de rir, se chorar!…
Então, numa unidade de elite do exército português, com milhares de homens ao seu serviço e um depósito de material de guerra sofisticado, o sistema de vídeo vigilância não funciona há dois anos, as vedações estavam a ser reconstruídas e as rondas militares tiveram 20 horas sem passar pelo local?!…Brincamos ou quê? Será que estes bravos responsáveis militares apenas servem para desfiles com pompa e circunstância??…
Consequências: depois do roubo de armas, o Ministro da Defesa, que não se demitiu, demitiu 5 comandantes daquela área de responsabilidade, abrindo, inquéritos ao que se passou e que, segundo o Chefe do Estado-maior do Exército, teve a conivência com alguém do interior do quartel. A oposição política, como de costume, pede a demissão do Ministro. Os comandos militares, não satisfeitos com a actuação do Ministro, interpretada como um ataque à instituição, acusam os diversos governos pelos cortes de orçamento e pessoal (será que não havia tropa para reforçar as rondas ou estavam a…?) e preparam uma espécie de “levantamento de rancho”!

Como a “procissão ainda vai no adro”, vamos aguardar pelo “milagre” das respostas que nos convençam porque, se elas não vierem, a opinião pública começa a ficar azeda com tanta incúria!

Luís Barreira

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