Afinal havia outra!….

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Luís Barreira
Luís Barreira

Ao longo destes últimos meses, tenho-me pronunciado com estranheza e crítica sobre as inconsequências da governação do Primeiro Ministro de Portugal.

Estranheza,… porque, quem se propôs governar, reafirmando o conhecimento profundo da situação portuguesa e nunca utilizar as críticas ao seu antecessor, como justificação dos seus problemas, outra coisa não tem feito. Porque quem disse que não aumentaria impostos, não retirava o 13° mês, não dificultaria economicamente o acesso à saúde, ao ensino e a tantos outros aspectos da vida social e económica dos portugueses, mais não tem feito do que isso e de forma tão calamitosa.

Crítica,…porque não tem sido capaz de reconhecer os erros da sua política, em razão dos objectivos que diz perseguir, antes acentua a gravidade social e económica dessas mesmas medidas, contra todas as opiniões e maus resultados das experiências anteriores, demonstrando uma surdez às críticas que até lhe chegam do seu próprio partido e do seu parceiro de coligação, assumindo uma atitude de “quero, posso e mando”, que provoca profundas interrogações sobre a sua personalidade e propósitos.

Porque é que Passos Coelho insiste neste tipo de medidas, reconhecendo (porque é público) que elas não vão dar o resultado desejado? Um Orçamento Geral do Estado para 2013, que irá provocar o “afundamento” da nossa já débil economia, uma quase impossível e absurda recuperação a médio prazo, e isto se apenas quisermos falar de indicadores económicos e “esquecermos” a situação das pessoas!

Mas que raio se passa na cabeça desta gente?

Quando aqui há dias ouvi o Ministro das Finanças, antes de apresentar o seu Orçamento para 2013, afirmar que a “ receita” que se segue “é um brutal aumento de impostos”, fiquei a pensar se, aquele senhor de “falinhas mansas”, não sendo louco, ou era sádico ou estava a gozar com o “pagode”!

A resposta foi dada recentemente, quando o mesmo senhor desafia os portugueses a discutirem o papel do Estado, face aos impostos que pagam. Dito de outra maneira: se os portugueses querem manter o Estado Social que conquistaram, vão ter de continuar a pagar pesados impostos.

Ainda mais recentemente, o PM completou a dica do seu liberal mentor, provocando o líder do Partido Socialista, para uma discussão em torno da reavaliação das funções do Estado, uma vez que necessita de cortar 4 mil milhões de euros na despesa.

As coisas começam agora a ficar mais claras!

Ou concluem que cometeram erros colossais na política que imposeram e a situação não tem saída, ou começo a acreditar que, afinal, havia outra ideia!…Que não eram inocentes os erros de avaliação e de estratégia deste governo, nem a sua recusa em tomar outras medidas, nem tão pouco estavam enganados no caminho a seguir.

Era preciso colocar a economia de rastos, as pessoas e as empresas a sofrerem o mais possível e a contestação a subir de tom, para fazer aceitar a destruição do Estado Social e todas as políticas de solidariedade para com os mais fracos e deprotegidos, como sendo a única “tábua de salvação” contra a miséria em que nos vamos encontrando.

Como prenúncio deste objectivo, já nos vinham habituando aos cortes no Ensino Público, no Serviço Nacional de Saúde, na Segurança Social e em todas as medidas destinadas a salvaguardar o apoio inter-geracional, além da redução progressiva de todo um conjunto de serviços que, até aqui, tal como em muitos outros países europeus, têm sido da competência dos respectivos estados.

Se for esta a intenção dos nossos actuais governantes e do seu séquito de servidores obedientes, a expressão de Passos Coelho para definir o que agora pretende, como sendo a “refundação” do acordo com a “troika”, talvez deva aplicar primeiro este termo ao nome social democrata do seu partido, apelidando-o de “partido vitoriano”. É que, a ideologia social democrata, está associada à criação e desenvolvimento do Estado Social e mal ficaria que, uma associação política com esta designação, ficasse ligada a uma tentativa de recuo social de muitas décadas.

Ao senhor Gaspar, ilustre pensador do “republicanismo americano”, aconselhava-o a não fazer deste País “terra queimada”, nem esquecer a história da cultura democrática europeia, para testar as suas teorias económicas neo-liberais.

Reaprendemos a nossa democracia há quase 40 anos, com base em valores humanistas, que ainda estão bem patentes na maneira de ser e de estar das nossas gerações e, do outro lado do Atlântico, nem sempre nos chegam bons ventos! Tenha cuidado senhor Ministro, para que a ventania não force o seu regresso às origens!…

Luis Barreira

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