O Natal de 2012 já passou! Mal ou menos mal, a maioria dos portugueses celebrou a sua festa preferida, a festa da família.
Entre dentes ficou a raiva mal contida de não poderem corresponder, em presentes, a todas as solicitações das suas crianças e, de alguma maneira, às expectativas dos seus familiares e amigos mais próximos.
Foi o Natal das “lojas dos trezentos”, actualmente bem representadas no nosso comércio, pelos novos “mandarins” do baixo preço, que proporcionaram prendas a custo reduzido, para enfeitar os sapatinhos na noite da consoada.
Felizmente que, para a esmagadora maioria do nosso povo, a ceia de Natal é um prato tradicional que ainda vai tendo um preço acessível. Se o bacalhau não é de primeira escolha, não deixa de ser bacalhau e, as couves e as batatas, ainda se plantam no quintal.
Aproximamo-nos agora (e ainda vivos…) do fim do ano, depois de algumas consciências perversas nos terem anunciado o “fim do mundo”, para o passado dia 21 de Dezembro.
Como os portugueses estão cada vez menos crentes nas promessas que lhes são feitas, só de uma única certeza estão conscientes: o final do ano não será festejado como a passagem do “cabo da Boa Esperança”, mas como a entrada no “Mar das Tormentas”, onde só se salvarão os que sabem “nadar em dinheiro”, ou os que possuem uma boa “tábua de salvação”!….
Tendo em consideração que o governo se mantém fiel à sua austera política e que o aumento dos impostos este ano, em vez de aumentar as receitas do Estado, as diminuiu em quase 6´%, relativamente a Novembro do ano passado, deixando as previsões governamentais a “abanar” com o cumprimento das metas orçamentais, o que nos espera em 2013 ainda é pior do que estava inicialmente orçamentado.
Se a nossa “troika” (Cavaco Silva, Passos Coelho e Vitor Gaspar) não se render perante a evidência do fracasso desta política, que assumiram como sua, 2013 vai ter como sumário: “continuação da lição anterior”, com medidas agravadas a que já alguns chamam de “excepcionais” (mas que duram sempre…), acompanhadas de discursos “justicialistas” (em que ninguém já acredita…) e uma eventual promessa de que, “em 2030…”, os portugueses terão alcançado o déficite de 3%, ou seja, o “paraíso”!???…
Como a população está envelhecida, os mais idosos já não estarão cá, para provar o que o Governo prometerá e os mais novos, emigrados, estar-se-ão nas “tintas” para o que se passa em Portugal! Ficarão por cá, apreciando ou criticando os executivos, as juventudes partidárias (os jotinhas…), que têm emprego assegurado em cada legislatura, em conformidade com o seu desempenho, ou seja, mantendo ou derrotando governos.
O futuro só não será uma catástrofe se, no seio dos partidos ou fora deles, surgirem Homens e Mulheres, dignos representantes dos interesses deste sacrificado povo, capazes de realizarem uma correcta leitura das nossas potencialidades e necessidades, no espaço geopolítico a que estamos inevitavelmente associados assumindo, com discernimento e coragem, todos os desafios do presente e do futuro próximo.
Se a fome não é normalmente boa conselheira, esperemos que, pelo menos, ela faça “luz” sobre algumas consciências adormecidas, que sabemos existirem, despertando-as para uma actividade humilde e generosa, que deve sempre constituir-se como o padrão moral da atitude política, em contraste com a malfadada arrogância e oportunismo pessoal ou partidário, que se apoderou de uma parte substancial da comunidade política portuguesa.
Face às ciscunstâncias que vivemos e às que se avizinham, o meus melhores votos para 2013, não são os da tradicional esperança gratuita, que sabemos impossível de realizar, dentro do actual quadro político em que nos encontramos.
A minhas esperanças,…não vão no sentido de um regresso ao passado, que tanto atraso e insatisfação física e intelectual nos causou. Elas encerram o desejo de um “toque a rebate” em todos os sininhos das nossas capacidades, para colocar Portugal na rota dos nossos desejos colectivos, rompendo com o bastardo marasmo do presente e a falta de perspectivas de futuro, em que nos encontramos hoje.
Para todos vós,…que os “sininhos” vos acompanhem em 2013!
Luis Barreira






























