Edição

Agosto 2014

Agosto 2014Segundo os últimos dados da Secretaria de Estado da Economia Suíça (SECO), entraram na Suíça 13 000 novos emigrantes portugueses, no ano de 2013. Sabe-se, ainda, que, entre o ano de 2002 e o ano de 2013, entraram na Suíça cerca de 40 700 novos emigrantes por ano, o que faz que em cada quatro suíços um seja estrangeiro. Dos oito milhões habitantes registados no final do ano de 2013 na Suíça, 1 949 000 eram estrangeiros. Ora este número representa um aumento de 70 mil pessoas, em relação ao ano anterior. A comunidade portuguesa, só por si, já representa 13% do número de estrangeiros que vivem na Suíça, e corresponde, também, a um aumento da população lusitana residente em 23%. São números que reflectem efectivamente a crise que se vive no nosso país e que faz com que os portugueses procurem novos horizontes de vida e, essencialmente, um posto de trabalho para poderem honrar os seus compromissos.

A Suíça tem picos sazonais de trabalho, sendo que, no verão, é quando necessita de mais mão-de-obra, mesmo se fica sempre condicionada às condições do tempo, como sucede também no inverno, nas zonas de turismo, nas montanhas.

Sente-se, efectivamente, que a grande afluência de chegadas de portugueses ao país helvético diminuiu, em relação a anos anteriores, já que não temos conhecimentos de casos extremos de precaridade como aqueles que, infelizmente, aconteceram no passado.

Os sectores da construção, das limpezas e da hotelaria continuam a ser as áreas nas quais os portugueses têm mais facilidades em encontrar um posto de trabalho, o que representa mesmo uma mais-valia para a economia helvética.

A guerra fria entre Bruxelas e a Suíça já começou, e isto devido ao resultado do passado dia 9 de fevereiro, que prevê a introdução de contingentes e a prioridade para os trabalhadores locais, mesmo se o relatório apresentado pelo SECO e pelo Gabinete Federal das Estatísticas mencionam que o balanço da imigração europeia para a economia suíça é globalmente positivo.

A terminar, chegou-nos a notícia de um acidente mortal de um cidadão português residente com uma viatura de matrícula suíça e aqui fica uma nossa sentida homenagem. Mais uma morte a lamentar. Não podemos, assim, deixar de alertar, mais uma vez, para a importância de uma condução em segurança. Boas férias.

 

Julho 2014

Julho 2014

O governo helvético acaba de anunciar medidas que visam limitar o acesso aos Fundos do Segundo Pilar. Não se sabe ao certo que medidas vão ser essas. O que se sabe é que, em breve, muito provavelmente não se poderá retirar parte dos fundos para se investir na aquisição de uma casa ou para um negócio pessoal. E isto, porque cada vez mais pessoas recorrem aos subsídios de complemento de reforma, dado que o montante que recebem não é suficiente para terem uma vida condigna, em terras helvéticas. Sabemos, efetivamente, que muitas pessoas solicitam este tipo de subsídios. No entanto, estamos em crer que não serão tomadas medidas quanto ao levantamento desses mesmos fundos, aquando da partida em definitivo da Suíça. Contudo, as vozes mais críticas, no seio político, já por diversas vezes se pronunciaram contra essa possibilidade. Existe, no entanto, um acordo administrativo assinado que dá essa possibilidade aos emigrantes, aquando então do seu regresso em definito ao seu país. Também é verdade que muitas caixas de Pensão atrasam mais do que os três meses previstos, nesse mesmo acordo, o pagamento desses mesmos fundos. Há pessoas que estão há mais de um ano à espera do pagamento do capital que descontaram e que lhes pertence por direito.

Cada vez mais os portugueses são despedidos com idades perto dos sessenta anos, alienando a muitos a possibilidade de terminarem a sua atividade laboral até à data da reforma. Acabámos de ter conhecimento de que um português com 57 anos e seis meses de idade, a trabalhar na empresa há 27 aos, acaba de ser despedido, porque, segundo a entidade empregadora, não tem mais trabalho. Como sabem, a idade limite da reforma para a construção civil na Suíça é 60 anos de idade. Depois de tantos anos, deve ser muito frustrante um trabalhador receber a carta de rescisão do seu contrato de trabalho. Este é um exemplo de como estão as coisas.

Para terminar, desejo umas boas férias a todos os nossos assinantes, amigos e anunciantes do nosso jornal. Se conduzirem, tenham cuidado, porque as multas chegam a casa seja de que país for. E, mormente, sejam felizes.

Junho 2014

Junho 2014

O salário mínimo de 4000 francos foi linearmente recusado em referendo pelo povo helvético, no dia 18 de maio. Ninguém tinha grandes ilusões sobre o resultado. Contudo, estou em crer, houve muita falta de informação acerca desta iniciativa. Ou será que quem levou a proposta a referendo não se soube explicar convenientemente junto da população? No entanto, muitos são de opinião de quem estava contra esta iniciativa defendeu as suas ideias de tal forma, que não deu possibilidades de que o resultado da votação não fosse inequívoco e, assim, não causou qualquer surpresa. O que é certo, porém, é que muitos estrangeiros são pagos abaixo do que a lei permite. Temos conhecimento de casos de pessoas que estão a ganhar no sector da agricultura 9 francos à hora. Se contarmos com o que têm de pagar para o seu seguro de doença, aliado à dureza do seu trabalho, bem que poderiam referendar iniciativas no país helvético para terminar com este tipo de situações.

A abstenção ganhou nas últimas eleições para o parlamento europeu, junto da diáspora portuguesa na Europa. A abstenção atingiu 98.11%. Também é verdade que a mensagem dos conteúdos e das ideias dos candidatos dos partidos não chegaram às comunidades. Pelo menos de forma visível e objectiva. Devem estar a ganhar força e fôlego para as legislativas.

 

 

Maio 2014

Maio 2014

Que possamos ir todos votar nos próximo dias 24 e 25 de maio, nos respectivos postos consulares. No entanto, e para isso, importa estar recenseado, para que se possa então exercer um direito cívico tão vital para a democracia de um Estado de direito. É claro que os portugueses sentem-se desiludidos com a actual situação do nosso país. É indiscutível que os jovens não têm trabalho e que muitos – sejamos verdadeiros – são explorados com salários de miséria. E, na realidade, a escolha – tenho de o reconhecer – é difícil, porque, pela parte dos políticos, não aparecem novas ideias; reiteram vezes sem conta os mesmos slogans que nos fazem desconfiar. Seja como for, a democracia é um direito consagrado pelos acontecimentos do dia 25 de abril de 1974. E não nos podemos mesmo esquecer desta data histórica que devolveu ao nosso país, e ao nosso povo, direitos que lhes tinham sido sonegados, durante anos, pelo anterior regime. Porém, o caminho tem sido difícil e a classe política tem de ter a consciência de que muitos erros foram cometidos e que as soluções demoram a aparecer. Uma outra situação que está a desesperar os portugueses que trabalham na Suíça tem que ver com o formulário E411. A segurança Social em Portugal teima em emitir, com a celeridade necessária, e quem está a padecer são os portugueses que não recebem o abono de família pelas caixas de compensação helvéticas. São muitos os portugueses que têm as suas famílias em Portugal. Não entendo mesmo por que razão demoram tanto a emitir um documento, que não deveria tardar mais de um dia. É inadmissível. Mas a verdade é que ninguém resolve a situação. Imaginem um português que consegue um trabalho numa agência de trablho temporário, que muitas das vezes trabalha um ou dois meses, e o formulário, que devia ser preenchido pela Segurança Social portuguesa, pode demorar 4 a 5 meses. Não é a Segurança Social que vai pagar o abono. Mas sim as devidas Caixas helvéticas. E então? Adelino Sá

Abril 2014

gl_04_2014-01

Falta pouco. É já no próximo dia 25 de maio que os portugueses, a viver em Portugal, irão ser chamados a votar para a eleição dos seus deputados, que vão representar Portugal, no parlamento europeu. E a verdade é que também nós, portugueses a viver na Suíça, poderemos exercer esse direito cívico, nos postos consulares de Zurique, Berna, Genebra, Sion e Lugano. São muitas as iniciativas em curso para mobilizar os portugueses a votar para estas eleições, em terras helvéticas. O Partido Socialista Suíço, por exemplo, empenhou-se a fundo, junto de todos os migrantes europeus, que vivem então na Suíça, para exercerem o seu direito cívico, mesmo se este partido não pode eleger nenhum dos seus deputados helvéticos. No entanto, percebe a importância deste ato eleitoral para os desígnios europeus, que vive momentos de grande incerteza e com alguns desafios importantes por resolver. Quais? Muitos. Talvez o flagelo do desemprego e a defesa dos direitos sociais dos seus cidadãos, entre muitos outros problemas económicos que afetam os mercados europeus, estejam entre os mais relevantes. Com efeito, são sobejamente conhecidos os casos de Portugal, Irlanda e Grécia, no que a tais problemas diz respeito. Efetivamente, o desemprego é um dos problemas mais pertinentes e a causar mais preocupação, junto de todos os sectores da sociedade. E também não podemos esquecer o reflexo negativo de tal problema no próprio empobrecimento das pessoas e que pode inclusive conduzir ao desmembramento da estrutura familiar. E também já na Suíça se começam a fazer sentir a precariedade do trabalho e a influência cada vez maior das agências de trabalho temporário, sendo, no entanto, que muitas delas não respeitam a lei e a dignidade de quem precisa de um posto de trabalho. Dou o exemplo de uma agência de trabalho temporário em Reiden, no cantão de Lucerna, que foi buscar trabalhadores portugueses ao Instituto de Emprego em Portugal – e, sim, fixem bem: em Portugal -, tendo-as ludibriando-as com promessas contratuais, que não foram depois cumpridas. Ora, essas pessoas, que caíram no logro, acabaram então por ficar num situação pior do que aquela que tinham antes de sair de Portugal. Um dos próximos temas a abordar será, precisamente, o problema de muitos portugueses na Suíça e que resulta de ações de outros portugueses. Explico-me melhor: portugueses que têm empresas e que não cumprem com os contratos coletivos assinados com as entidades helvéticas competentes, pagando abaixo do salário mínimo, não cumprindo ainda as obrigações sociais para com os seus conterrâneos, que exercem uma atividade laboral para aqueles.

Adelino Sá

Março 2014

Março 2014Começo este meu editorial por homenagear todas as mulheres no mundo. O dia 8 de Março é, como bem sabemos – e não deveríamos nunca esquecer - o Dia da Mulher. Vivemos no século vinte e um, é um facto. Porém, a verdade é que ainda são cometidas numerosas atrocidades contra as mulheres, cujos direitos continua a ser devassados em tantos cantos deste planeta. E o respeito pelo ser humano é colocado muitas vezes em causa, inclusive, até nas próprias sociedades ditas modernas, com as mulheres a serem vítimas de ações vis e repugnantes. Por outro lado, e depois da ressaca do resultado do referendo, no passado dia 9 de fevereiro, muitas entidades helvéticas, de respeito incomensurável, alvitram, na grande imprensa, alternativas passíveis de fazer com que todos possam ficar contentes: satisfazer os resultados do referendo e a iniciativa do partido da UDC e contentar a própria União Europeia, para que os acordos bilaterais sejam respeitados. O povo suíço foi sempre muito bom negociador e nunca descurou, na verdade, os seus interesses. Também é verdade que a Suíça tem um trunfo de grande importância, de que poucos falaram: pelo território helvético, passam milhares de camiões que ligam o norte ao sul da europa. Mas vamos ainda a outro assunto. Este ano, comemoram-se os 40 anos da revolução dos cravos: o tão nosso vinte e cinco de abril. Na verdade, não passaram ainda assim tantos anos desde esse dia histórico, mas a verdade é que os nossos jovens pouco ou nada sabem da nossa história contemporânea. Deturpam os valores e o porquê da necessidade de os capitães de abril terem rompido com a ditadura e com o poder absoluto do Estado de então. Diz o sempre tão sábio povo que o tempo apaga a dor e as memórias. No entanto, não pode jamais esta ser esquecida. Nem poderá também ser apagada dor que causou a muitos filhos da nação, que perderam as suas vidas, num momento tão importante para Portugal. Para todos nós.

Fevereiro 2014

Fevereiro 2014A Suíça a ferro e fogo com a proposta da UDC O partido populista da UDC lançou mais uma vez o desafio de limitar a entrada de estrangeiros na Suíça. Assim, o povo vai a referendo no dia 9 de Fevereiro. Esta não é a primeira vez que o povo helvético é chamado a votar sobre este tema. São muitas as vozes que se levantam contra esta medida, no entanto, em relação a referendos passados, são muitos agora que dizem que chegou a hora de se voltar aos contingentes, como acontecia antes dos sete acordos bilaterais assinados com a União Europeia. A percentagem de estrangeiros na Suíça foi desde sempre muito alta. Já em 1910,  14,7% da população era estrangeira. No final do ano de 2012 chegou aos 23,3%, que representa um milhão oitocentas e oitenta mil pessoas mais. No ano passado entraram 83 mil novos de estrangeiros e soou o alarme por parte dos partidos de direita. A imprensa portuguesa fez grande eco de um comunicado emitido pela Confederação Federal Helvética e muitos órgãos de comunicação social em Portugal prestaram um mau serviço, dado que escandalosamente deturparam por completo a situação, acabando um deles colocar em garrafais na primeira página ” 250 mil portugueses em risco de expulsão da Suíça”, um atentado à boa verdade da informação. Os tempos mudaram, e todos têm a consciência desta realidade. O mercado de trabalho começa a ser mais disputado pelo excedente da oferta da mão-de-obra, mais trabalho sazonal, mais pessoal qualificado à procura de um emprego, entre muitas outras razões. Alguns cantões da Suíça alemã já colocaram em prática, há cerca de dois anos, de retirar a autorização B a uma pessoa, ao renovar esse documento junto da Polícia dos estrangeiros e se este se encontrasse na situação de desempregado. Retiraram o B, para dar o L, somente e apenas para os meses  que tivesse direito ao subsidio de desemprego. Não é uma prática nova nos cantões de língua Alemã. E isto, para salvaguardar os Serviços de assistência Social e, de uma certa forma, obrigar essa mesma pessoa a regressar ao país de origem. No entanto, essa pessoa pode regressar sempre que tenha um novo contrato de trabalho, alojamento e seguro de doença. É claro que podemos sempre criticar e ter uma opinião diferente. Não podemos é deturpar a realidade e a verdade. Os duzentos e cinquenta mil portugueses não estão em risco de expulsão, estão, sim, é sujeitas à forte concorrência no mercado de trabalho e ao ligeirismo de como muitas entidades patronais despedem os seus efectivos, dado que a Lei de Trabalho na Suíça assim o permite. Uma das armas é a formação profissional. Quanto mais empenho na valorização, mais possibilidades de afirmação, uma pessoa tem. Os números são do conhecimento de todos e, como no ano passado, os portugueses são a comunidade com o maior número de pessoas inscritas no fundo de desemprego. Made In Portugal Março 2014

Janeiro 2014

gl_01_2014-01

Milhões de francos esquecidos nas Caixas de Pensão

De acordo com um estudo efetuado, recentemente, mais de 500 mil pessoas não têm a mínima ideia sobre uma parte do dinheiro acumulado nas Caixas de Pensão. Calcula-se que esta cifra se eleve a 6 000 milhões de francos. Depois de uma pessoa deixar um posto de trabalho, o dinheiro de pensão (Segundo Pilar) acumulado, na maior parte das vezes, não é transferido para a nova Caixa de Pensão, mas depositado numa central de fundos por parte dos empregadores como exige a lei. Ainda segundo a lei, a Caixa de Pensão, do antigo empregador, só pode manter esse montante por um período de seis meses. Segundo a indicação da Central de Fundos da Pensão Caixa, em Zurique, no ano de 2012 esta tinha sobre a sua tutela 820 mil contas registadas, e dentro deste número estima-se que cerca de 200 mil contas não tinham um titular conhecido, calculando-se que o valor destas contas anónimas seria de 300 a 400 milhões de francos. Além disso, calcula-se que se encontrem mais de 6 000 milhões de francos em todas as seguradoras e centrais de fundos, sem um titular conhecido. O mais interessante é que este montante, que é investido, está a render fortunas pelos juros acumulados nestas caixas de fundo. Não nos admira que assim seja. Depois do acordo estabelecido, em 2007, uma pessoa só pode levantar os seus fundos se deixar em definitivo a Suíça e se não estiver assegurado na Segurança Social do seu país de origem, ou num outro país da União Europeia, onde seja a sua residência oficial. Sabemos que muitos dos nossos compatriotas trabalham poucos meses na Suíça, descontam os seus fundos, e quando saem daqui, pensam sempre num regresso, que muitas vezes não acontece. Este é um pequeno exemplo de como se pode perder o rasto aos fundos, mesmo que o montante seja pequeno. Já tinha mencionado, em edições anteriores, que o sistema pode ser perverso e adverso para quem procura um novo rumo de estabilidade na confederação. Se tiver dúvidas sobre o paradeiro dos seus fundos, de qualquer parte da Suíça, ou até de Portugal, contacte o seguinte endereço: Zentralstelle 2. Saule Sicherheitsfonds BVG Geschäftstelle Postfach 1023 3000 Bern 14 Adelino Sá

Dezembro 2013

gl_12_2013-01

Este vai ser um editorial com palavras já repetidas em editoriais anteriores. Não é que me faltem ideias para vos dar uma visão desta quadra, mas os valores e as boas intenções repetem- -se também ano após ano. Decidi, assim, partilhar convosco, queridos leitores, estas mesmas palavras que já vos presenteei. O Natal também se repete ano após ano, com desejos nobres de boas vontades na terra dos homens. Ficam pelo menos as intenções. Assim, estamos novamente no mês de Dezembro e este é um mês distinto, uma vez que se celebra, mais uma vez, o Natal. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, dado que não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus Cristo. No século IV a. C., no mundo romano, a Saturnália, festividade em honra do Deus Saturno, era comemorada do dia 17 ao dia 22 de Dezembro, que era um período de alegria e troca de presentes e favores. O Papa Julius I mudou para sempre a história do Natal ao escolher o dia 25 de Dezembro como data fixa para a celebração das festividades, com o intuito de substituir os rituais pagãos. Nos dias de hoje, as tradições de Natal diferem de acordo com os costumes de cada país. Acredita-se, por exemplo, que a tradição da árvore de Natal começou na Alemanha no ano de 1530, quando Lutero caminhava pela floresta, ficando encantado com as árvores carregadas de neve e com as luzes do luar a brilhar sobre o manto do bosque. Outro aspeto do Natal prende-se com o bom velhinho, que deu lugar ao Pai Natal, o qual dizem que foi inspirado num Bispo chamado Nicolau que nasceu na Turquia, 280 anos antes de Cristo. O homem de bom coração tinha o hábito de ajudar as pessoas pobres, colocando pequenos sacos de moedas ao pé das chaminés das casas. No entanto, foi a Coca-Cola que vestiu o Pai Natal de vermelho, no ano de 1881, numa campanha publicitária de grande sucesso. Relativamente ao presépio, este nasceu com São Francisco de Assis, em 1223, e o povo assumiu a tarefa de continuar com a sua iniciativa. Os valores sobre o Natal foram-se construindo ao longo dos séculos, como um templo de esperança e de bonança, em relação aos mais desprotegidos. Contudo, a grande verdade é que a data, que deveria ser de partilha e de compreensão e um encontro com a essência do Cristianismo, se tornou num mercado de consumo sem paralelo, cujos valores materiais são motivo de cobiça e de despesismo. A vida de Jesus foi marcada por valores e ensinamentos que, atualmente e infelizmente, estão cada vez mais afastados dos homens. Assim, neste Natal de 2013, espero que valores como a união, a compreensão, a tolerância, a partilha, o desprendimento, a boa vontade e o amor pelo próximo sejam os melhores votos que eu vos possa oferecer, queridos leitores do nosso Jornal. Feliz Natal e Bom Ano Novo!

Adelino Sá

Novembro 2013

gl_11_2013-01

Muitos apregoam pela cultura em terras helvéticas. Temos uma espécie de cavaleiros, a guarda inteligente e briosa da tradição artística e pensadora, os portadores das novas ideias que agitam o nosso tempo e que, de certeza, irão revolucionar e transformar o futuro numa sociedade de artistas, poetas, cronistas, editores, escritores, sem saberem muito bem do que falam ou escrevem. Haja decência e respeito pelo mundo da escrita. Haja decência pelas competências de cada um. Haja respeito pelo trabalho isento e honesto que, pressurosamente, nos arrasta há quinze anos. Existe uma corrente de boémios publicistas que brotam, das suas intrínsecas veias, algumas ideias de iluminados decadentes, caindo na confortável posição de percucientes do mundo das Letras. Estes são, em resumo, os resultados apurados de uma panóplia de pessoas coloridas, pela porosidade da sua massa encefálica, que enfeitam a nossa comunidade; insignes eruditas munificentes, de caneta na mão, que plagiam sem contemplações e que só querem injuriar a nossa linha de pensamento. Há espaço para todas as ideias. Há espaço para agradar a todos os leitores. É preciso trabalhar. Trabalhar muito e perder muitas horas de sono a estudar.

Adelino Sá

Outubro 2013

gl_10_2013-01

Estamos apenas a três meses do fim do ano e muitos dos portugueses, que trabalham em regime sazonal, vão-se inscrever novamente nos Centros de Emprego, portanto, vamos assistir outra vez ao aumento do desemprego. Deste modo, tal como sucedeu no ano passado, talvez as televisões helvéticas façam reportagens aos estrangeiros sobre os fundos de desemprego que a Suíça lhes paga. O mundo de trabalho na Suíça mudou e no passado era encoberto pelas autorizações de residência A, que permitiam apenas a estadia a um trabalhador por nove meses. O avanço da tecnologia “rouba” milhares de postos de trabalho, pois as máquinas passaram, em alguns casos, a substituir os homens, sem que a sociedade tivesse descoberto uma forma de lhes dar uma ocupação plena. A Europa tem mais de 28 milhões de desempregados registados, e a Suíça continua a ser um oásis no meio deste velho continente, com uma taxa média de 3,3% de desempregados, na sua maioria portugueses. A formação profissional será provavelmente a única forma de podermos combater esta situação, uma vez que o mundo de trabalho é cada vez mais competitivo e complexo. Sem grandes alaridos, o nosso jornal cumpriu 15 anos de atividade e nunca falhou uma única edição, o que só revela a muita dedicação e paixão pelo que temos vindo a fazer. No entanto, os grandes obreiros da nossa publicação são todos aqueles que a têm vindo a apoiar, nomeadamente as empresas e instituições bancárias que, ao longo dos anos, nunca desistiram do nosso projeto, e as centenas de assinantes que continuam fiéis às páginas do nosso jornal. Somos apenas um veículo que tenta fazer o seu trabalho, para que a comunidade se possa conhecer um pouco melhor, alertando-a em relação aos seus interesses e valores. Não somos perfeitos, nem temos meios para cobrir todo o território helvético. A realidade leva-nos, por vezes, a escolher o que melhor se adapta, correndo o risco de sermos injustos com os organizadores de muitos eventos, que se realizam no seio da nossa comunidade. Assim, não é tempo para grandes comemorações, mas é tempo de continuarmos a tentar fazer o nosso melhor em prol de uma comunidade rica em valores, tradições, altruísmo, eloquência e capaz de ultrapassar todas as adversidades.

Adelino Sá

Setembro 2013

gl_09_2013-01

Segundo um estudo apresentado recentemente pelo Oficio Federal das Estatísticas, a taxa de pobreza baixou na Suíça, ou seja, menos pobres em tempo de crise. No entanto, o estudo revela alguns dados curiosos. Dentro da lista dos mais afectados, vemos por último os estrangeiros. Sabemos que para usufruir de uma ajuda social, por parte do cantão de residência, o estrangeiro necessita de possuir o “Permis” B, caso contrário não pode candidatar-se a tal ajuda. O que é mais curioso, é que muitos cantões estão retirar essa autorização a todos os estrangeiros que estejam na situação de desempregados — a receber o subsídio de desemprego– em caso de estarem para renovar o “Permis B” , (a dar-lhes o Permis L em vez do B) , que lhes retira qualquer possibilidade de pedido de ajuda social, quando terminem o período de subsidio de desemprego. Ainda segundo os números apresentados, uma pessoa em cada 13, é considerada pobre, que leva a que 580 mil pessoas vivam nesta situação, que representa 7,6% da população. Por último, todas as pessoas que vivem sozinhas com menos de 2200 francos ao mês, ou se vive em união com dois filhos, e que não atingem os 4050 francos ao mês, são considerados pobres. Estamos em crer que os estrangeiros deveriam subir na lista dos mais afectados, porque conhecemos muitos que não atingem os valores apresentados no estudo.

É curioso ver na grande imprensa nacional o estigma no que se refere a notícias que tenham a ver com cidadãos nacionais que vivam no estrangeiro; tudo o que façam são emigrantes; o emigrante bateu, o emigrante teve um acidente, o emigrante fez isto ou aquilo. O mais engraçado, em alguns casos, as pessoas em questão viveram em países estrangeiros durante anos, mas a residir em Portugal definitivamente, são sempre emigrantes. Somos emigrantes no país de acolhimento e somos emigrantes no nosso país. Triste a sina do emigrante, só nos falta pôr a mala de cartão numa mão e o garrafão de vinho na outra.

Adelino Sá

Agosto 2013

gl_08_2013-01

Na Suíça sucedem-se sempre episódios que passam despercebidos a muitos portugueses que vivem neste país. Por exemplo, foram detidas 16 pessoas no cantão de Soleta, 2 dos quais são portugueses, com cerca de 5 quilos de heroína, 700 gramas de cocaína, e cerca de 6 quilos de substâncias para produzir outro tipo de estupefacientes, 6 veículos de alta gama e mais de 120 mil francos em dinheiro. Sabemos, infelizmente, que muitos portugueses continuam envolvidos em negócios escuros do mundo da droga. Alguns deles já foram detidos. A polícia anunciou que esta detenção foi o resultado de uma investigação que durou dois anos. Se as autoridades continuarem atentas, temos a certeza que mais alguns dos nossos compatriotas vão ter problemas. No cantão de Lucerna as autoridades detiveram um cidadão de cor para um controle que deveria ser de rotina. A pessoa em questão regressava a casa às 3 da manhã do turno da noite. Foram-lhe pedidos os documentos, fizeram-no soprar o balão duas vezes, com resultado negativo em ambos. A polícia, numa atitude de prepotência, levou a pessoa em questão ao hospital de Lucerna onde lhe foi feito um exame ao sangue, que resultou mais uma vez negativo. As autoridades, que nada mais tinha a fazer, deixaram a pessoa às 4 e meia da manhã no hospital e disseram-lhe para a apanhar um táxi para ir buscar a sua viatura. Se isto não é prepotência e racismo, não sei o que deverei dizer. Depois de soprar duas vezes o balão, as autoridades olharam para o individuo e lá pensaram; este tem alguma coisa a esconder na sua cor…e nem o levaram de volta ao local onde o pararam. Todos os cidadãos, sejam eles suíços ou estrangeiros, pagam os seus impostos e merecem respeito por parte deste grupo de pessoas fardadas a quem se apelidam de autoridades. Caros amigos: vamos parar de encher o “traseiro” das autoridades com as nossas multas. Infelizmente os portugueses são os que estão à frente das estatísticas no pagamento de multas, e essencialmente por álcool ao volante. A Polícia quando tem conhecimento de uma festa de portugueses, seja em que parte for da Suíça, esfrega as mãos de contente, coloca-se em pontos estratégicos, e é só controlar as viaturas. Se conduzir não beba. Posso assegurar que muitos cantões têm nas multas o seu filão de receitas para sanear as suas contas. Cada vez existem mais radares, cada vez existem mais pontos de controlo por parte das autoridades; é a caça às multas. Continuem a ser felizes e tenham umas boas férias.

Adelino Sá

Julho 2013

A taxa de desemprego na Suíça não tem a mesma expressão do que aquela que existe em toda a Europa, e muito em especial os números que o nosso país apresenta. A Europa tem mais de 26 milhões de desempregados. Um fenómeno que faz com que muitos coloquem em causa o espírito europeu e as políticas do velho continente. Em Portugal a taxa atingiu os 17,2% da população. Na Suíça, a taxa situa-se nos 3.1%, mas a comunidade portuguesa é a que mais pessoas tem inscritas à procura de um posto de trabalho. Nunca é demais falar na formação profissional, uma valorização pessoal que pode abrir muitas portas no mercado de trabalho. Nos tempos que correm a Suíça não se padece com as limitações dos portugueses dado que tem muita oferta para satisfazer os pedidos das empresas.  Depois da entrada da cláusula de salvaguarda a Suíça tem limitado o número de autorizações de longa estadia, como que coloca muitas imposições aos que estão inscritos no Fundo de desemprego e têm de renovar a sua autorização de estadia. Muitas delas, são imposições absurdas que nos leva a questionar os verdadeiros objectivos destas medidas. Devo realçar que varia de cantão para cantão, sendo os da Suíça central muito mais exigentes e intransigentes.

Na próxima edição vamos apresentar um trabalho sobre a taxa de desemprego da comunidade portuguesa no país helvético. A reportagem já deveria ter saído na edição anterior, mas infelizmente é sempre um assunto actual devido às actuais circunstâncias. Também é verdade que o fluxo de portugueses à procura desesperada por um contrato não é tão evidente nos últimos tempos. No entanto, a comunidade portuguesa continua a crescer. Os últimos números das autoridades apontam para cerca de 247 mil portugueses registados.

Estamos no tempo de férias. Aproveito para desejar a todos os nossos leitores e amigos um repouso merecido e para quem conduzir, todo o cuidado é pouco.

Junho 2013

 

Maio 2013

É preciso acreditar que podemos ultrapassar as dificuldades. É preciso acreditar que os problemas com que nos deparamos nos dias de hoje vão ser rapidamente ultrapassados. Se não acreditarmos, o processo será cada mais penoso e muito mais exigente. A decisão das autoridades helvéticas em limitar a entrada de pessoas oriundas da União Europeia, não nos apanhou desprevenidos. Haverá sempre espaço para se conseguir uma autorização de estadia de trabalho, mesmo se limitada, no entanto, é um sinal forte de alerta que todos devem ter em consideração. Apenas os mais habilitados e com uma maior formação profissional, com conhecimento das Línguas maternas helvéticas, terão mais possibilidades no cada vez mais difícil e exigente mundo do trabalho na Suíça.

Contudo, não vai haver espaço para quem não se sabe adaptar aos novos padrões onde cada vez menos a mão-de-obra pouco especializada tem lugar. A displicência, os incautos pelo seu futuro, poderão sofrer graves problemas pela sua sobrevivência no dia de amanhã. O Estado social não vai ter complacência para quem não se soube precaver. Já são muitos que não conseguem acompanhar os seus descontos para a Segurança Social, dado que não produzem, porque o trabalho é escasso e regateado por muitos. No entanto é preciso acreditar, porque senão acreditarmos, o que é que nos sobra?

Adelino Sá

Abril 2013

As sociedades modernas correm para uma queda sem precedentes, onde sobressai um total desequilíbrio socioeconómico, com o risco de um desmoronamento do normal equilíbrio de um ser humano, levando muitos destes ao suicídio. Para constatar esta triste realidade, basta ler as notícias quotidianas. Não existe, dentro das pessoas que vivem num padrão normal, uma segurança à vida para nada, estando muitas destas dependentes de apoios sociais, ou da resposta das instituições, que cada mais extinguem direitos e cada vez mais exigem padrões que o mercado de trabalho não tem resposta.

Vou contar-vos o caso da família Silva, chamemos de Silva a esta família. O Senhor Silva veio para a Suíça há 28 anos. Trabalhou toda a vida no sector da construção. Tem actualmente 53 anos de idade e há três anos que padece de artrose, que surgiu após de uma pancada no joelho no seu local de trabalho. Em primeiro, o Seguro de Acidentes, não reconheceu o estado clinico do Sr. Silva, como acidente, mas sim como doença. Passados os dois anos de baixa médica, a que teve direito, foi despedido pela empresa. Os serviços de Invalidez, consideraram o que Sr. Silva pode exercer outra profissão no mercado de trabalho helvético, não atingindo assim os valores para indeminização de invalidez. Passou ao fundo de desemprego, onde procurou um posto de trabalho que fosse ao encontro das suas limitações físicas, que não encontrou. Neste momento só pode recorrer da Assistência Social, que só ajuda depois de ele se libertar de quase “todos os seus bens materiais” que adquiriu ao longo de muitos anos de vida. Nada mais o poderá ajudar aos 53 anos de idade. O mercado de trabalho helvético não se compadece com doenças e, neste caso, para um português que se chama de Silva. A linha do que o Senhor Silva pensava ser de estabilidade, depois de 28 anos sempre ao serviço da mesma firma, passou a ser uma luta pela sobrevivência que o vai levar a levantar os Fundos e regressar a Portugal. E felizmente que ainda tem os fundos. Vai ter de esperar até aos 63 anos para poder pedir a reforma antecipada da AHV/AVS, pelos seus 28 anos de descontos na Suíça.

Começa a não haver respostas nas sociedades para os problemas de falta de emprego e de limitação física para exercer uma actividade laboral. Depois de apresentar o caso do Senhor Silva, só posso dizer que a poupança e o cuidado por si próprio é a melhor prevenção para a ténue linha de estabilidade das exigências das sociedades modernas nos dias de hoje. Os valores de solidariedade institucionais são ilusão, em vez dos impostos que cada vez mais são pesados e uma perseguição permanente.

  Adelino Sá  

Março 2013

A imprensa helvética não se cansa de mencionar o enorme fluxo de portugueses que está a chegar à Suíça. Há uns dias atrás, o jornal de Basileia mencionou isso mesmo na sua primeira página. Muitos falam, inclusivamente, em fechar as fronteiras aos novos emigrantes do Sul da Europa, Espanha, Portugal e Itália. O Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, em declarações à Lusa, afirmou que tal pretensão, caso se confirme por parte das autoridades helvéticas, deve merecer sempre o parecer de Bruxelas, da União Europeia, dado que o acordo de livre circulação de pessoas ainda está em vigor.

Seja como for, o fenómeno está a ganhar cada vez mais força e são muitos portugueses que infelizmente se encontram numa situação de carência e à mercê de quem se aproveita da precaridade de terceiros. Como, por exemplo, no cantão de Berna, temos conhecimento que uma exploração agrícola, tem, ou teve, muito recentemente, portugueses a trabalhar a negro e a pagar cinco francos à hora e em condições muito desumanas. A necessidade de quem tem compromissos familiares, até com as instituições bancárias, no pagamento das hipotecas das suas casas, faz que se aceite todo o tipo de trabalho. O Partido Comunista Português, através da sua organização na Suíça, lançou o alerta com um debate aberto onde foram apresentados alguns casos de licenciados à procura de qualquer tipo de trabalho no país helvético.

Com a entrada da Primavera, o mercado de trabalho tende em ficar mais flexível e com mais possibilidades de emprego. Esperámos que muitos dos nossos compatriotas possam almejar por um posto digno para poderem fazer face aos seus compromissos e alcançar a deseja estabilidade.

  Adelino Sá

Fevereiro 2013

Nunca tantos jovens licenciados vieram para a Suíça à procura de um novo rumo para as suas vidas. São Arquitectos, Professores, Engenheiros Agrónomos, Jornalistas, Advogados, Gestores, entre muitas outras Licenciaturas. Segundo os recentes dados do Instituto de Estatística, mais de 250 mil pessoas saíram do nosso país nos últimos três anos, e segundo os entendidos, pode vir a criar um sério problema demográfico nos próximos anos no nosso país. São números iguais ao primeiro grande Boom da década dos anos sessenta. Se naqueles tempos muitos identificaram os portugueses como os mala de cartão, hoje podemos dizer que são a emigração da batina. Muitos explicam o fenómeno à crise económica internacional que assolou o mundo desde o ano de 2008. Será que é só isso? O que mais impressiona é que muitos destes licenciados procuram uma colocação em qualquer área, e dispõem-se aos trabalhos mais humildes, e muitas vezes sem a compensação económica justa para o trabalho que fazem. Sabemos que todo o trabalho é digno. Mas o que preocupa é o esforço de tantos anos de estudo, o investimento que o Estado também fez nestas Licenciaturas, as pessoas se vejam confrontadas com incertezas e dificuldades no planeamento das suas vidas. Se falamos dos licenciados, também todos os demais procuram um novo rumo e tentam sobreviver nesta sociedade. Segundo as estatísticas, foram registados quase 18 mil portugueses pelas autoridades helvéticas nos últimos 6 meses. E não se fala daqueles que trabalham a negro. Temos conhecimento de alguns nesta situação. Sem contrato de trabalho, sem autorização de estadia, e a ganharem menos de 10 francos à hora. Como se pode ficar indiferente a este problema?

As remessas dos emigrantes nunca atingiram um valor tão elevado como os últimos números apresentados pelo Banco de Portugal. Os portugueses continuam a amar o seu país, por muito ingrato que por vezes este possa ser. O apego à nossa terra e à família, continuam a falar mais forte do que a própria razão.

  Adelino Sá

Janeiro 2013

São muitos que fazem, no final de cada ano, uma lista de promessas e objectivos que esperam poder ver cumpridos no final do ano que apenas se inicia. Muitas dessas promessas nunca irão ser cumpridas nem os objectivos irão ser alcançados. É um ritual que toca um pouco a todas as pessoas. Mas a esperança pelo desejo de bonança é sempre um incentivo para se fazer planos de poupança, ou de dietas para se perder os quilos dos excessos das festas. Os políticos, por exemplo, são uma classe que se repete ao longo dos tempos, nos sucessivos governos, nunca cumprem com as suas promessas e com os seus planos,.

O Ano Novo é também o dia em que se celebra o Dia da Confraternização Universal, reconhecido pela ONU, como é também o Dia Mundial da Paz, desde o ano de 1968, quando o Papa VI instituiu a data para celebrar a paz entre os povos. A esperança pela estabilidade e pela abundância já vem desde os tempos antigos, como as promessas no início de cada ano. Assim, neste ano de 2013, os votos renovam-se um pouco por todo o globo.

O nosso jornal irá continuar o seu caminho, neste ano de 2013, onde cumprirá 15 anos de existência no próximo mês de Setembro. Dentro das suas limitações naturais, irá tentar estar junto da nossa comunidade e dar a conhecer o que mais de relevante se faz. Falhas irão sempre existir. É algo que se tenta sempre evitar, mas sempre sem qualquer garantia.

Não poderia alhear-me de desejar um Bom Ano 2013 para todos os nossos leitores e amigos. Num ano, que se predispõe a ser um ano difícil para os portugueses.

Adelino Sá

 

Dezembro 2012

Estamos no mês de Dezembro e este é um mês distinto; celebra-se o Natal. Na antiguidade o Natal era comemorado em várias datas diferentes, dado que não se sabia com exactidão a data do nascimento de Jesus Cristo. No século IV antes de Cristo, no mundo romano, a Saturnália, festividade ao deus saturno, era comemorado do dia 17 ao 22 de Dezembro, que era um período de alegria e troca de presentes e favores. O Papa Julius I muda para sempre a história do Natal ao escolher o dia 25 de Dezembro como data fixa para a celebração das festividades, com o intuito de substituir os rituais pagãos. Nos dias de hoje, as tradições de Natal diferem de acordo com os costumes de cada país. Acredita-se, por exemplo, que a tradição da árvore de Natal começou na Alemanha no ano de 1530, quando Lutero caminhava pela floresta e ficou encantado com as árvores carregadas de neve, com as luzes do luar a brilhar sobre o manto do bosque. Outro dos aspectos do Natal, prende-se com o bom velhinho, que deu lugar ao Pai Natal, ao qual dizem que foi inspirado num Bispo chamado Nicolau que nasceu na Turquia 280 anos de Cristo. O homem de bom coração tinha como hábito de ajudar as pessoas pobres colocando pequenos sacos de moedas próximo das chaminés das casas. No entanto, poucos sabem que foi a Coca-Cola que vestiu o Pai Natal de vermelho no ano de 1881 numa campanha publicitária de grande sucesso. O presépio nasceu com São Francisco de Assis em 1223 e o povo assumiu a tarefa de continuar com a sua iniciativa. Os valores sobre o Natal foram-se construindo ao longo dos séculos como um templo de esperança e de bonança em relação aos mais desprotegidos. Mas a grande verdade é que a data que deveria ser de partilha e de compreensão e um encontro com a essência do cristianismo, tornou-se num mercado de consumo sem paralelo, onde os valores materiais são motivo de cobiça e de despesismo.  A vida de Jesus foi marcada por valores e ensinamentos que nos dias de hoje estão cada vez mais afastados dos homens. Assim, espero que os valores como a união, a compreensão, a tolerância, a partilha, o desprendimento e o amor pelo próximo, sejam o melhor voto que vos possa oferecer, queridos leitores do nosso jornal, neste Natal de 2012. Feliz Natal e Bom Ano Novo.

Adelino Sá

Novembro 2012

Após o 25 de Abril o nosso país permitiu situações, com o aval dos diversos governos que por lá passaram, que colocam a nossa sociedade numa situação delicada, de total dependência de terceiros e com grandes probabilidades de a economia portuguesa se asfixiar por completo. A conjuntura económica mundial não explica tudo. Muitos dos interesses instalados, com a permissividade de uma classe política que se rendeu aos benefícios de lugares de topo nas diversas empresas do Estado e do privado, coloca refém o Estado Editorial português a pagamentos avultados, a concessões pré-estabelecidas, que não beneficiam o colectivo, muito antes pelo contrário. E, isto, para não falar das Fundações, muitas das quais, subsidiadas pelo Estado, que nasceram com princípios duvidosos, ou mesmo para alentar o ego de algumas figuras públicas. O país está refém de alguns interesses feudais, de um grupo de privados, que continuam a controlar, com acordos ruinosos, sempre por parte dos sucessivos governos, que ao longo dos anos assinaram esses mesmos compromissos, ou permitiram situações, que nunca foram devidamente esclarecidas… E os casos e as suspeitas são tantas, que é até difícil enumerar…basta apenas mencionar as ruinosas derrapagens de algumas obras obras públicas ao longo dos anos, como a requalificação para Expo 98, Ponte do Mondego, o Centro Cultural de Belém, a Casa da Música no Porto, como também a concessão a privados da ponte Vasco da Gama, das auto-estradas, entre outras. Inclui-se neste triste rol o famigerado caso BPN, aliado a muitos erros do passado, pouco ou nada esclarecidos, como a sucessão de soberania de Macau, com o financiamento do seu aeroporto, que nunca foi também devidamente explicada, a qual deu origem até a mais uma Fundação… Tudo isto, por entre, muitos, muitos outros casos. Enfim! Um enumerado de acontecimentos, ao longo de trinta e cinco anos, fazem pensar se o sistema democrático está falido ou se foi envolto em interesses de algibeira para uma classe política ávida de lugares ao Sol. Por isto, e muito mais, não posso deixar de registar o meu sentido protesto contra o aumento de impostos apresentado pelo executivo no seu Orçamento de Estado para o ano de 2013… está-se a lapidar por completo uma classe média e a sufocar uma faixa da população que não tem outra solução do que prevaricar para poder sobreviver. É isto o resultado da democracia de Abril? Dos bons falantes da estabilidade e da justiça social? O que isto vai dar é uma enorme desordem social no nosso país… Haja bom senso.

Adelino Sá

Outubro 2012

O Sindicato Unia foi a Berna no passado dia 22 de Setembro alertar as entidades responsáveis, que o contrato colectivo de trabalho da Indústria está prestes a terminar e que ainda não foram dados os devidos passos para a sua renovação. A Suíça, apesar da crise económica, que devassa alguns países da Europa, continua a crescer e a demonstrar estabilidade económica, mesmo com o Euro tremelicante. Muitos participantes, nessa mesma demostração, eram portugueses que saíram, apesar da chuva intensa, a dar o seu contributo de solidariedade para que paz social na Indústria continue a ser uma certeza. No entanto, a manifestação não disfarça alguns problemas sérios que existem no sector, como o corte nos salários a muitos trabalhadores e o aumento das horas de trabalho na Indústria, quase parecendo uma ordem de ditador, sem apelo sem jeito, por parte das administrações, para a sobrevivência da Indústria não deixando qualquer alternativa de escolha. Algumas fábricas, apenas se estão a aproveitar do esforço e da dedicação de quem trabalha. Muitos sectores da Suíça desfrutam da abundância de mão-de-obra a seu belo prazer, que entra todos os dias sem parar, pelas fronteiras dentro, provocando um dumping salarial sem precedentes neste país helvético. Se por um lado a abundância provoca este aproveitamento descarado, provoca também a incerteza e a angústia a todos aqueles que aspiram por uma vida melhor. Infelizmente, começam a aparecer casos de verdadeiro terror de aproveitamento, de quem necessita verdadeiramente, num país onde por vezes a boa vontade tem um preço e ninguém dá nada a ninguém. Adelino Sá

Setembro 2012

Não podemos deixar de mencionar o nosso décimo quarto aniversário nesta edição de Setembro de 2012. Foi no mês de Setembro de 1998 que demos início ao projecto Gazeta Lusófona. Desde então, foram percorridos milhares de quilómetros para podermos dar a conhecer as actividades e movimentos da comunidade portuguesa na Suíça. Vivemos momentos eufóricos e outros menos bons. Temos a consciência de que fazemos parte da vida de muitos portugueses que se identificam com o nosso projecto.  Não é um percurso fácil, no entanto sabemos que caminho se deve seguir para continuarmos a dar o nosso melhor em prol da informação e da defesa dos interesses da comunidade portuguesa que reside na Suíça. Somos apenas reféns do nosso trabalho e da nossa dedicação.

Um dos temas que iremos abordar na próxima edição é o aproveitamento de algumas empresas, registadas na Suíça, mas que são geridas por portugueses, a explorarem de uma forma vil e vergonhosa, outros portugueses. Um aproveitamento que não pode ser tolerado, onde não existem limite de horas de trabalho nem as compensações devidas. Muitos aproveitam-se apenas da necessidade de quem tem de trabalhar para fazer frente às dificuldades para poder manter as suas famílias.

O nosso país atravessa uma crise profunda que faz com que milhares de portugueses procurem outros horizontes por um posto de trabalho. Muitos deles, sem as mínimas condições nem conhecimento, o que leva por vezes a serem alvos fáceis de quem não tem escrúpulos nem dignidade.

Adelino Sá