Edição

Maio 2013

É preciso acreditar que podemos ultrapassar as dificuldades. É preciso acreditar que os problemas com que nos deparamos nos dias de hoje vão ser rapidamente ultrapassados. Se não acreditarmos, o processo será cada mais penoso e muito mais exigente. A decisão das autoridades helvéticas em limitar a entrada de pessoas oriundas da União Europeia, não nos apanhou desprevenidos. Haverá sempre espaço para se conseguir uma autorização de estadia de trabalho, mesmo se limitada, no entanto, é um sinal forte de alerta que todos devem ter em consideração. Apenas os mais habilitados e com uma maior formação profissional, com conhecimento das Línguas maternas helvéticas, terão mais possibilidades no cada vez mais difícil e exigente mundo do trabalho na Suíça.

Contudo, não vai haver espaço para quem não se sabe adaptar aos novos padrões onde cada vez menos a mão-de-obra pouco especializada tem lugar. A displicência, os incautos pelo seu futuro, poderão sofrer graves problemas pela sua sobrevivência no dia de amanhã. O Estado social não vai ter complacência para quem não se soube precaver. Já são muitos que não conseguem acompanhar os seus descontos para a Segurança Social, dado que não produzem, porque o trabalho é escasso e regateado por muitos. No entanto é preciso acreditar, porque senão acreditarmos, o que é que nos sobra?

Adelino Sá

 

 

 

Abril 2013

As sociedades modernas correm para uma queda sem precedentes, onde sobressai um total desequilíbrio socioeconómico, com o risco de um desmoronamento do normal equilíbrio de um ser humano, levando muitos destes ao suicídio. Para constatar esta triste realidade, basta ler as notícias quotidianas. Não existe, dentro das pessoas que vivem num padrão normal, uma segurança à vida para nada, estando muitas destas dependentes de apoios sociais, ou da resposta das instituições, que cada mais extinguem direitos e cada vez mais exigem padrões que o mercado de trabalho não tem resposta.

Vou contar-vos o caso da família Silva, chamemos de Silva a esta família. O Senhor Silva veio para a Suíça há 28 anos. Trabalhou toda a vida no sector da construção. Tem actualmente 53 anos de idade e há três anos que padece de artrose, que surgiu após de uma pancada no joelho no seu local de trabalho. Em primeiro, o Seguro de Acidentes, não reconheceu o estado clinico do Sr. Silva, como acidente, mas sim como doença. Passados os dois anos de baixa médica, a que teve direito, foi despedido pela empresa. Os serviços de Invalidez, consideraram o que Sr. Silva pode exercer outra profissão no mercado de trabalho helvético, não atingindo assim os valores para indeminização de invalidez. Passou ao fundo de desemprego, onde procurou um posto de trabalho que fosse ao encontro das suas limitações físicas, que não encontrou. Neste momento só pode recorrer da Assistência Social, que só ajuda depois de ele se libertar de quase “todos os seus bens materiais” que adquiriu ao longo de muitos anos de vida. Nada mais o poderá ajudar aos 53 anos de idade. O mercado de trabalho helvético não se compadece com doenças e, neste caso, para um português que se chama de Silva. A linha do que o Senhor Silva pensava ser de estabilidade, depois de 28 anos sempre ao serviço da mesma firma, passou a ser uma luta pela sobrevivência que o vai levar a levantar os Fundos e regressar a Portugal. E felizmente que ainda tem os fundos. Vai ter de esperar até aos 63 anos para poder pedir a reforma antecipada da AHV/AVS, pelos seus 28 anos de descontos na Suíça.

Começa a não haver respostas nas sociedades para os problemas de falta de emprego e de limitação física para exercer uma actividade laboral. Depois de apresentar o caso do Senhor Silva, só posso dizer que a poupança e o cuidado por si próprio é a melhor prevenção para a ténue linha de estabilidade das exigências das sociedades modernas nos dias de hoje. Os valores de solidariedade institucionais são ilusão, em vez dos impostos que cada vez mais são pesados e uma perseguição permanente.

 

Adelino Sá  

Março 2013

A imprensa helvética não se cansa de mencionar o enorme fluxo de portugueses que está a chegar à Suíça. Há uns dias atrás, o jornal de Basileia mencionou isso mesmo na sua primeira página. Muitos falam, inclusivamente, em fechar as fronteiras aos novos emigrantes do Sul da Europa, Espanha, Portugal e Itália. O Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, em declarações à Lusa, afirmou que tal pretensão, caso se confirme por parte das autoridades helvéticas, deve merecer sempre o parecer de Bruxelas, da União Europeia, dado que o acordo de livre circulação de pessoas ainda está em vigor.

Seja como for, o fenómeno está a ganhar cada vez mais força e são muitos portugueses que infelizmente se encontram numa situação de carência e à mercê de quem se aproveita da precaridade de terceiros. Como, por exemplo, no cantão de Berna, temos conhecimento que uma exploração agrícola, tem, ou teve, muito recentemente, portugueses a trabalhar a negro e a pagar cinco francos à hora e em condições muito desumanas. A necessidade de quem tem compromissos familiares, até com as instituições bancárias, no pagamento das hipotecas das suas casas, faz que se aceite todo o tipo de trabalho. O Partido Comunista Português, através da sua organização na Suíça, lançou o alerta com um debate aberto onde foram apresentados alguns casos de licenciados à procura de qualquer tipo de trabalho no país helvético.

Com a entrada da Primavera, o mercado de trabalho tende em ficar mais flexível e com mais possibilidades de emprego. Esperámos que muitos dos nossos compatriotas possam almejar por um posto digno para poderem fazer face aos seus compromissos e alcançar a deseja estabilidade.

 

Adelino Sá

 

Fevereiro 2013

Nunca tantos jovens licenciados vieram para a Suíça à procura de um novo rumo para as suas vidas. São Arquitectos, Professores, Engenheiros Agrónomos, Jornalistas, Advogados, Gestores, entre muitas outras Licenciaturas. Segundo os recentes dados do Instituto de Estatística, mais de 250 mil pessoas saíram do nosso país nos últimos três anos, e segundo os entendidos, pode vir a criar um sério problema demográfico nos próximos anos no nosso país. São números iguais ao primeiro grande Boom da década dos anos sessenta. Se naqueles tempos muitos identificaram os portugueses como os mala de cartão, hoje podemos dizer que são a emigração da batina. Muitos explicam o fenómeno à crise económica internacional que assolou o mundo desde o ano de 2008. Será que é só isso? O que mais impressiona é que muitos destes licenciados procuram uma colocação em qualquer área, e dispõem-se aos trabalhos mais humildes, e muitas vezes sem a compensação económica justa para o trabalho que fazem. Sabemos que todo o trabalho é digno. Mas o que preocupa é o esforço de tantos anos de estudo, o investimento que o Estado também fez nestas Licenciaturas, as pessoas se vejam confrontadas com incertezas e dificuldades no planeamento das suas vidas. Se falamos dos licenciados, também todos os demais procuram um novo rumo e tentam sobreviver nesta sociedade. Segundo as estatísticas, foram registados quase 18 mil portugueses pelas autoridades helvéticas nos últimos 6 meses. E não se fala daqueles que trabalham a negro. Temos conhecimento de alguns nesta situação. Sem contrato de trabalho, sem autorização de estadia, e a ganharem menos de 10 francos à hora. Como se pode ficar indiferente a este problema?

As remessas dos emigrantes nunca atingiram um valor tão elevado como os últimos números apresentados pelo Banco de Portugal. Os portugueses continuam a amar o seu país, por muito ingrato que por vezes este possa ser. O apego à nossa terra e à família, continuam a falar mais forte do que a própria razão.

 

Adelino Sá

 

Janeiro 2013

 

São muitos que fazem, no final de cada ano, uma lista de promessas e objectivos que esperam poder ver cumpridos no final do ano que apenas se inicia. Muitas dessas promessas nunca irão ser cumpridas nem os objectivos irão ser alcançados. É um ritual que toca um pouco a todas as pessoas. Mas a esperança pelo desejo de bonança é sempre um incentivo para se fazer planos de poupança, ou de dietas para se perder os quilos dos excessos das festas.
Os políticos, por exemplo, são uma classe que se repete ao longo dos tempos, nos sucessivos governos, nunca cumprem com as suas promessas e com os seus planos,.

O Ano Novo é também o dia em que se celebra o Dia da Confraternização Universal, reconhecido pela ONU, como é também o Dia Mundial da Paz, desde o ano de 1968, quando o Papa VI instituiu a data para celebrar a paz entre os povos. A esperança pela estabilidade e pela abundância já vem desde os tempos antigos, como as promessas no início de cada ano. Assim, neste ano de 2013, os votos renovam-se um pouco por todo o globo.

O nosso jornal irá continuar o seu caminho, neste ano de 2013, onde cumprirá 15 anos de existência no próximo mês de Setembro. Dentro das suas limitações naturais, irá tentar estar junto da nossa comunidade e dar a conhecer o que mais de relevante se faz. Falhas irão sempre existir. É algo que se tenta sempre evitar, mas sempre sem qualquer garantia.

Não poderia alhear-me de desejar um Bom Ano 2013 para todos os nossos leitores e amigos. Num ano, que se predispõe a ser um ano difícil para os portugueses.

Adelino Sá

 

Dezembro 2012

Estamos no mês de Dezembro e este é um mês distinto; celebra-se o Natal. Na antiguidade o Natal era comemorado em várias datas diferentes, dado que não se sabia com exactidão a data do nascimento de Jesus Cristo. No século IV antes de Cristo, no mundo romano, a Saturnália, festividade ao deus saturno, era comemorado do dia 17 ao 22 de Dezembro, que era um período de alegria e troca de presentes e favores. O Papa Julius I muda para sempre a história do Natal ao escolher o dia 25 de Dezembro como data fixa para a celebração das festividades, com o intuito de substituir os rituais pagãos.
Nos dias de hoje, as tradições de Natal diferem de acordo com os costumes de cada país. Acredita-se, por exemplo, que a tradição da árvore de Natal começou na Alemanha no ano de 1530, quando Lutero caminhava pela floresta e ficou encantado com as árvores carregadas de neve, com as luzes do luar a brilhar sobre o manto do bosque. Outro dos aspectos do Natal, prende-se com o bom velhinho, que deu lugar ao Pai Natal, ao qual dizem que foi inspirado num Bispo chamado Nicolau que nasceu na Turquia 280 anos de Cristo. O homem de bom coração tinha como hábito de ajudar as pessoas pobres colocando pequenos sacos de moedas próximo das chaminés das casas. No entanto, poucos sabem que foi a Coca-Cola que vestiu o Pai Natal de vermelho no ano de 1881 numa campanha publicitária de grande sucesso. O presépio nasceu com São Francisco de Assis em 1223 e o povo assumiu a tarefa de continuar com a sua iniciativa.
Os valores sobre o Natal foram-se construindo ao longo dos séculos como um templo de esperança e de bonança em relação aos mais desprotegidos.
Mas a grande verdade é que a data que deveria ser de partilha e de compreensão e um encontro com a essência do cristianismo, tornou-se num mercado de consumo sem paralelo, onde os valores materiais são motivo de cobiça e de despesismo.  A vida de Jesus foi marcada por valores e ensinamentos que nos dias de hoje estão cada vez mais afastados dos homens.
Assim, espero que os valores como a união, a compreensão, a tolerância, a partilha, o desprendimento e o amor pelo próximo, sejam o melhor voto que vos possa oferecer, queridos leitores do nosso jornal, neste Natal de 2012. Feliz Natal e Bom Ano Novo.

 Adelino Sá

 

Novembro 2012

Após o 25 de Abril o nosso país permitiu situações, com o aval dos diversos governos que por lá passaram, que colocam a nossa sociedade numa situação delicada, de total dependência de terceiros e com grandes probabilidades de a economia portuguesa se asfixiar por completo. A conjuntura económica mundial não explica tudo.
Muitos dos interesses instalados, com a permissividade de uma classe política que se rendeu aos benefícios de lugares de topo nas diversas empresas do Estado e do privado, coloca refém o Estado Editorial português a pagamentos avultados, a concessões pré-estabelecidas, que não beneficiam o colectivo, muito antes pelo contrário.
E, isto, para não falar das Fundações, muitas das quais, subsidiadas pelo Estado, que nasceram com princípios duvidosos, ou mesmo para alentar o ego de algumas figuras públicas. O país está refém de alguns interesses feudais, de um grupo de privados, que continuam a controlar, com acordos ruinosos, sempre por parte dos sucessivos governos, que ao longo dos anos assinaram esses mesmos compromissos, ou permitiram situações, que nunca foram devidamente esclarecidas…
E os casos e as suspeitas são tantas, que é até difícil enumerar…basta apenas mencionar as ruinosas derrapagens de algumas obras obras públicas ao longo dos anos, como a requalificação para Expo 98, Ponte do Mondego, o Centro Cultural de Belém, a Casa da Música no Porto, como também a concessão a privados da ponte Vasco da Gama, das auto-estradas, entre outras. Inclui-se neste triste rol o famigerado caso BPN, aliado a muitos erros do passado, pouco ou nada esclarecidos, como a sucessão de soberania de Macau, com o financiamento do seu aeroporto, que nunca foi também devidamente explicada, a qual deu origem até a mais uma Fundação… Tudo isto, por entre, muitos, muitos outros casos.
Enfim! Um enumerado de acontecimentos, ao longo de trinta e cinco anos, fazem pensar se o sistema democrático está falido ou se foi envolto em interesses de algibeira para uma classe política ávida de lugares ao Sol.
Por isto, e muito mais, não posso deixar de registar o meu sentido protesto contra o aumento de impostos apresentado pelo executivo no seu Orçamento de Estado para o ano de 2013… está-se a lapidar por completo uma
classe média e a sufocar uma faixa da população que não tem outra solução do que prevaricar para poder sobreviver. É isto o resultado da democracia de Abril? Dos bons falantes da estabilidade e da justiça social? O que isto vai dar é uma enorme desordem social no nosso país… Haja bom senso.

Adelino Sá

 

Outubro 2012

O Sindicato Unia foi a Berna no passado dia 22 de Setembro alertar as entidades responsáveis, que o contrato colectivo de trabalho da Indústria está prestes a terminar e que ainda não foram dados os devidos passos para a sua renovação. A Suíça, apesar da crise económica, que devassa alguns países da Europa, continua a crescer e a demonstrar estabilidade económica, mesmo com o Euro tremelicante. Muitos participantes, nessa mesma demostração, eram portugueses que saíram, apesar da chuva intensa, a dar o seu contributo de solidariedade para que paz social na Indústria continue a ser uma certeza. No entanto, a manifestação não disfarça alguns problemas sérios que existem no sector, como o corte nos salários a muitos trabalhadores e o aumento das horas de trabalho na Indústria, quase parecendo uma ordem de ditador, sem apelo sem jeito, por parte das administrações, para a sobrevivência da Indústria não deixando qualquer alternativa de escolha. Algumas fábricas, apenas se estão a aproveitar do esforço e da dedicação de quem trabalha. Muitos sectores da Suíça desfrutam da abundância de mão-de-obra a seu belo prazer, que entra todos os dias sem parar, pelas fronteiras dentro, provocando um dumping salarial sem precedentes neste país helvético. Se por um lado a abundância provoca este aproveitamento descarado, provoca também a incerteza e a angústia a todos aqueles que aspiram por uma vida melhor. Infelizmente, começam a aparecer casos de verdadeiro terror de aproveitamento, de quem necessita verdadeiramente, num país onde por vezes a boa vontade tem um preço e ninguém dá nada a ninguém.

Adelino Sá

 

Setembro 2012

Não podemos deixar de mencionar o nosso décimo quarto aniversário nesta edição de Setembro de 2012. Foi no mês de Setembro de 1998 que demos início ao projecto Gazeta Lusófona. Desde então, foram percorridos milhares de quilómetros para podermos dar a conhecer as actividades e movimentos da comunidade portuguesa na Suíça. Vivemos momentos eufóricos e outros menos bons. Temos a consciência de que fazemos parte da vida de muitos portugueses que se identificam com o nosso projecto.  Não é um percurso fácil, no entanto sabemos que caminho se deve seguir para continuarmos a dar o nosso melhor em prol da informação e da defesa dos interesses da comunidade portuguesa que reside na Suíça. Somos apenas reféns do nosso trabalho e da nossa dedicação.

Um dos temas que iremos abordar na próxima edição é o aproveitamento de algumas empresas, registadas na Suíça, mas que são geridas por portugueses, a explorarem de uma forma vil e vergonhosa, outros portugueses. Um aproveitamento que não pode ser tolerado, onde não existem limite de horas de trabalho nem as compensações devidas. Muitos aproveitam-se apenas da necessidade de quem tem de trabalhar para fazer frente às dificuldades para poder manter as suas famílias.

O nosso país atravessa uma crise profunda que faz com que milhares de portugueses procurem outros horizontes por um posto de trabalho. Muitos deles, sem as mínimas condições nem conhecimento, o que leva por vezes a serem alvos fáceis de quem não tem escrúpulos nem dignidade.

Adelino Sá