Edição

Junho 2016

 

06.2016Vou ter de voltar ao tema do editorial do mês passado, dado que suscitou alguma animosidade no seio de alguns professores suíços. Recebi, inclusivamente, alguns emails pouco esclarecedores, o que me leva a crer que ou não perceberam o sentido das minhas palavras ou alguém traduziu muito mal e de forma deturpada o que quis dizer. Não tenho nada contra o sistema escolar helvético. Antes pelo contrário. Que fique bem claro. Sou pai de três filhos que nasceram na Suíça e só posso reclamar é do excesso de zelo de alguns professores. O que eu digo é que muitos professores não estão preparados nem sensibilizados para lidar com muitas crianças estrangeiras, o que pode levar a uma má orientação para o seu futuro na sua formação escolar. Estou convicto do que estou a dizer e os relatos de que tenho conhecimento são imensos. Passei por uma situação semelhante. Repito, estou convencido de que o sistema escolar helvético dá imensas oportunidades aos alunos para conseguirem uma formação profissional ou até mesmo cursos superiores. É um sistema equilibrado que oferece, na verdade, muitas oportunidades aos alunos. O problema é a animosidade de alguns professores, para não dizer de muitos, que não estão preparados para lidar com crianças com uma matriz cultural diferente. Como referi já, estou mesmo convencido do que estou a dizer, o que prejudica e desmoraliza imensos alunos portugueses. Também não estou a dizer que este é o motivo principal do insucesso escolar dos alunos portugueses. O que digo é que os factores são imensos e seria necessário um estudo aprofundado sobre o tema, o que infelizmente ninguém fez, nem pela parte da tutela do ensino de português no estrangeiro, nem qualquer outra entidade. Não me quero alongar mais sobre o tema e não voltarei a falar sobre o mesmo. Os emails não foram nada simpáticos, o que só vem reforçar a minha opinião. Que pena.

Maio 2016

Maio 2016Li um artigo na revista suíça Beobachter que dá conta de que os jovens portugueses continuam a não ter sucesso escolar no ensino helvético, como todos desejaríamos. Muito poucos alunos portugueses chegam ao ensino universitário, em proporção com o número de alunos portugueses inscritos no ensino helvético. Recordo que este é um tema que já foi muitas vezes discutido a diversos níveis. As respostas para o problema podem ser muitas, mas creio que este problema nunca será de fácil resolução. Contudo, não creio que o problema seja apenas e unicamente dos pais, como muitos querem dar a entender. Claro está que haverá muita negligência por parte de alguns progenitores, isso é verdade. Mas também não será verdade que há muita discriminação por parte do sistema e dos professores, especialmente nos primeiros anos de estudante dos jovens portugueses? Creio e estou convencido de que sim. Passo a citar um caso de que tive conhecimento bem há pouco tempo: um jovem que não frequentou a creche foi para a primeira classe, mesmo se esta criança conviveu com crianças suíças e já falava e entendia bastante bem o alemão. Pois, a professora, ao fim de dois meses, fez com que esta criança de sete anos voltasse ao Jardim infantil porque alegou e teimou que este menino não estava preparado para a primeira classe. A pergunta deve colocar-se: qual foi a oportunidade que esta professora deu a esta criança? Na primeira classe, enviá-lo ao fim de dois meses para o jardim infantil? Não estou a ver que esta tenha sido a melhor solução. Contudo, este e muitos outros casos que conheço acontecem frequentemente no ensino primário helvético, e condicionam o normal desenvolvimento de aprendizagem de uma criança. Mas não quero com este comentário desculpabilizar muitos pais, dado que estes devem dar o máximo de atenção aos seus filhos, e muitos não a têm. Que fique bem claro.
Uma palavra para o 25 de abril. Passaram-se 42 anos do dia da revolução. Muito se fala do 25 de abril, mas muitos não têm a mínima ideia do que foi este dia histórico da história contemporânea e o que representou para Portugal. O 25 de abril é de todos os portugueses e não apenas pertença de alguns, como muitos fazem crer. O dia 25 de abril foi um virar de história para todo o povo português. Todo mesmo. O 25 de abril é de todos mesmo.

Abril 2016

Abril 2016A desgraça voltou a ser tema para a comunidade portuguesa que reside na Suíça. E o tema é tão delicado que ultrapassa por vezes qualquer linha de bom senso do que deveria ser na realidade. O certo é que 12 pessoas perderam a vida na estrada quando se dirigiam a Portugal para as festividades da Páscoa. O certo é que cada vez mais o negócio das carrinhas está descontrolado e todos pensam que têm condições de exercer esta atividade, quando na realidade não é verdade. Eu próprio, mais do que uma vez, vi estas carrinhas de transporte com pneus “carecas” a circular nas estradas, muitas vezes sem condições e sem condutores habilitados para o fazerem. Muitos destes veículos circulam com excesso de peso e ávidos de percorrem as centenas de quilómetros no mais curto espaço de tempo. A prova é a tragédia do que aconteceu no passado dia 24 de março em Moulins, França, após terem percorrido 300 km depois de terem saído da Suíça. Uma dor incomensurável para as famílias que vai perdurar nas suas memórias para sempre. As autoridades portuguesas deveriam colocar-se em alerta nas fronteiras e controlar a pente fino estes veículos. Não há muito tempo, houve relatos de quem fizesse uma viagem nestas carrinhas de pé. Como é que pode ser possível? O único sobrevivente do acidente, um jovem de 19 anos, condutor do veículo, tem o seu futuro completamente manchado e com um peso que o vai perseguir até ao final da vida. Não vai ser fácil esquecer os rostos das 12 vítimas. Depois, transportar 13 pessoas quando a carrinha tinha apenas condições para 6 passageiros, é algo que demonstra a má formação que existe em certas pessoas. Infelizmente, para as doze vitimas, não há nada a fazer, se não venerar a sua memória e exigir que a lei atue em conformidade. Não posso deixar de mencionar que felizmente existem serviços de carreiras de transporte da Suíça para Portugal de enorme qualidade e que cumprem com todos os requisitos do que a lei exige. E são fáceis de serem identificados. Mas infelizmente não são todos assim.

 

Spar Logo

Março 2016

Gazeta Março 2016Vou voltar a falar de um tema que merece a maior atenção por parte de toda a comunidade: atributação do IRS aos reformados portugueses quando estes chegarem à idade da reforma. Depois de abordar o assunto com diversas identidades, reparo que este não merece qualquer interesse nem tão pouco estão sensibilizadas para se inteirarem do tema. Com muito desagrado meu, reparei que as entidades com quem falei, entre deputados, secretário de estado, diplomatas, entre outros, ninguém considera ou tem a menor intenção de se inteirar do que realmente vai acontecer a quem mude a sua residência fiscal quando chegar o momento da sua reforma. Portugal vai taxar rendimentos para os quais nunca contribuiu de uma forma implacável e sem contemplações. Taxas essas que podem chegar aos 48%, consoante for o rendimento em questão. Que fique bem claro, não espero que os emigrantes portugueses fiquem isentos de qualquer contribuição fiscal, espero, isso sim, que Portugal aplique a mesma taxa da proveniência desses mesmos rendimentos, dado que foi durante a vida ativa desses portugueses que atingiram esse mesmo direito social. Portugal não pode reiteradamente fazer campanhas de charme junto dos emigrantes, apelando constantemente ao investimento, quando a maior parte desses mesmos portugueses teve nos momentos difíceis da sua vida de procurar um novo rumo. No entanto, o Estado português apela investimento dos reformados estrangeiros, com um decreto-lei de 2009, isentando-os de tributações ficais, com uma lei que isenta apenas aqueles que não tenham qualquer ligação com o fisco nos últimos 5 anos. Ora, as campanhas de charme levam a que se peça o investimento, fazendo, assim, que todos os emigrantes fiquem ligados ao fisco, através do IMI, por exemplo, ficando estes impedidos de usufruir das regalias que oferecem aos reformados estrangeiros que escolhem Portugal como residência. Apenas a mobilização dos portugueses emigrantes pode fazer mudar de opinião os nossos políticos. É uma questão de elementar justiça e não uma falta de amor à pátria.

Fevereiro 2016

Gazeta Fevereiro 2016As eleições presidenciais serviram para testemunhar a enorme indiferença que acomunicação social nacional, os políticos e comentadores têm pela emigração. Não houve um único comentário sobre as votações para a eleição do presidente da república, no seio da diáspora portuguesa, que está espalhada por todo o mundo. Centenas de compatriotas emigrantes exerceram o seu direito cívico e nem uma palavra por parte dos grandes jornais nacionais, ou de qualquer iluminado comentador. E são muitos. Quando um português parte da sua terra à procura de uma vida melhor, fica desde à partida limitado na sua ligação à pátria. A verdade é que apenas um candidato visitou a comunidade portuguesa na Suíça, Edgar Silva, e todos os outros destacaram mandatários em sua representação. A elevada abstenção que quase todos mencionaram tem a ver, também, com o elevado número de portugueses que partiu de Portugal para um outro país, e que ainda não estão recenseados no posto consular da circunscrição que corresponda à área da sua nova residência. Podemos falar do desencanto de políticas menos assertivas em relação ao desenvolvimento económico, podemos falar de políticas de todo o género, mas a verdade é, que para muitos portugueses, emigrar é sinónimo de estabilidade financeira e a forma de poder alcançar muitos dos seus objetivos pessoais, que acabam quase sempre por se realizarem no nosso país. A emigração é um ponto de captação de riqueza, em diversas vertentes, que são muito importantes para o nosso país, mas,no sentido inverso, a indiferença e a pouca atenção para os problemas de fundo, como a tributação fiscal para os portugueses que desejam regressar ao nosso país, aquando da sua reforma, continuam ainda esquecidos por quem de direito. Contudo, parece que o novo presidente da república, Marcelo Rebelo de Sousa, deseja comemorar o próximo dia 10 de junho, dia de Portugal e das comunidades, nas comunidades. Se assim for, é um sinal positivo para reconhecer quem labuta fora do seu país, independentemente de qual seja o país em que ele estará presente.

Janeiro 2016

Gazeta Janeiro 2016
Ano novo vida nova, lá diz o velho ditado. Neste ano novo que acaba de iniciar, podemos aventurar-nos a pedir que o atual Executivo possa rever a situação da fiscalidade para os reformados emigrantes. Já não é a primeira vez que se menciona tal problema neste editorial. Acontece, porém, que o problema é sério e muito injusto. Mas, neste ano de 2016, vamos ver, então, se é o tal e que todos possamos sentir assim confiança no futuro e, também, em quem nos governa. Vamos ver, ainda, se a economia estabiliza e não anda aos tropeções, provocando sempre calafrios a quem sente o seu posto de trabalho em perigo.

O Conselho das Comunidades reuniu-se pela primeira vez e vai em breve apresentar as suas ideias à comunidade. São, de facto, muitos os problemas que devem ser abordados com a maior seriedade e com o maior empenho possível por todas as entidades. Já não há o fluxo migratório em massa, pelo menos nos últimos meses, como aconteceu há três anos, mas, mesmo assim, existem problemas que têm de ser abordados. Vamos estar atentos e iremos acompanhar as atividades deste Conselho das Comunidades.

Vamos então começar o ano com o pé direito e desejo a todos os nossos leitores e aos nossos anunciantes as maiores felicidades. Há muito trabalho pela frente para se realizar. Bem hajam a todos!

Dezembro 2015

Gazeta Dezembro 2015
Ano novo vida nova, lá diz o velho ditado. Neste ano novo que acaba de iniciar, podemos aventurar-nos a pedir que o atual Executivo possa rever a situação da fiscalidade para os reformados emigrantes. Já não é a primeira vez que se menciona tal problema neste editorial. Acontece, porém, que o problema é sério e muito injusto. Mas, neste ano de 2016, vamos ver, então, se é o tal e que todos possamos sentir assim confiança no futuro e, também, em quem nos governa. Vamos ver, ainda, se a economia estabiliza e não anda aos tropeções, provocando sempre calafrios a quem sente o seu posto de trabalho em perigo.

O Conselho das Comunidades reuniu-se pela primeira vez e vai em breve apresentar as suas ideias à comunidade. São, de facto, muitos os problemas que devem ser abordados com a maior seriedade e com o maior empenho possível por todas as entidades. Já não há o fluxo migratório em massa, pelo menos nos últimos meses, como aconteceu há três anos, mas, mesmo assim, existem problemas que têm de ser abordados. Vamos estar atentos e iremos acompanhar as atividades deste Conselho das Comunidades.

Vamos então começar o ano com o pé direito e desejo a todos os nossos leitores e aos nossos anunciantes as maiores felicidades. Há muito trabalho pela frente para se realizar. Bem hajam a todos!

Novembro 2015

Gazeta Novembro 2015Sabem os nossos leitores que o jornal Gazeta Lusófona cumpriu 17 anos de actividade sem nunca ter falhado com uma única edição? Pois é. A primeira edição saiu no mês de setembro/outubro de 1998 e a partir daí nunca falhou. Claro está que com limitações e com imensas dificuldades, mas também é verdade que, com muita paixão e com muito entusiasmo, fomos conseguindo levar as notícias da comunidade aos nossos leitores. Não é necessário ir buscar notícias ao além; a nossa comunidade é demasiado rica e como tal há sempre motivos de reportagem junto das nossas gentes que vivem na Suíça. Para a nossa efeméride não são precisas velas, nem festejos, nem tão pouco são precisas grandes manifestações efusivas para celebrar o acontecimento; queremos apenas recordar de forma simbólica que continuamos atentos ao que a comunidade faz. Temos pessoas de grande valor que dão muito de si à nossa comunidade, o que a torna mais solidária, mais presente, com alma de fadista, mais folclorista e muito desportiva. Não temos a presunção de dizer que somos os melhores, apenas dizemos que estamos sempre presentes no momento que se impõe e no momento que se justifica.

Estamos a atravessar um período em que vai haver muito folclore na nossa comunidade. Cerca de 40% dos nossos assinantes são folcloristas, e, como tal, vai haver sempre um espaço privilegiado no nosso jornal dedicado às suas manifestações, que movimentam já centenas de portugueses nos seus arraiais. Não vamos poder estar presentes em todos os eventos, mas, àqueles para os quais fomos convidados, tentaremos não faltar. Bem hajam e contem com o nosso entusiasmo também.

Outubro 2015

Gazeta Edição Outubro 2015Sabem os nossos leitores que o jornal Gazeta Lusófona cumpriu 17 anos de actividade sem nunca ter falhado com uma única edição? Pois é. A primeira edição saiu no mês de setembro/outubro de 1998 e a partir daí nunca falhou. Claro está que com limitações e com imensas dificuldades, mas também é verdade que, com muita paixão e com muito entusiasmo, fomos conseguindo levar as notícias da comunidade aos nossos leitores. Não é necessário ir buscar notícias ao além; a nossa comunidade é demasiado rica e como tal há sempre motivos de reportagem junto das nossas gentes que vivem na Suíça. Para a nossa efeméride não são precisas velas, nem festejos, nem tão pouco são precisas grandes manifestações efusivas para celebrar o acontecimento; queremos apenas recordar de forma simbólica que continuamos atentos ao que a comunidade faz. Temos pessoas de grande valor que dão muito de si à nossa comunidade, o que a torna mais solidária, mais presente, com alma de fadista, mais folclorista e muito desportiva. Não temos a presunção de dizer que somos os melhores, apenas dizemos que estamos sempre presentes no momento que se impõe e no momento que se justifica.
Estamos a atravessar um período em que vai haver muito folclore na nossa comunidade. Cerca de 40% dos nossos assinantes são folcloristas, e, como tal, vai haver sempre um espaço privilegiado no nosso jornal dedicado às suas manifestações, que movimentam já centenas de portugueses nos seus arraiais. Não vamos poder estar presentes em todos os eventos, mas, àqueles para os quais fomos convidados, tentaremos não faltar. Bem hajam e contem com o nosso entusiasmo também.

Nos dias de hoje, os novos fluxos migratórios trazem para a discussão novos problemas que as sociedades vão ter de enfrentar. Alguns países, Portugal incluído, começam a demonstrar sinais de envelhecimento e a desertificação do interior é uma realidade. Também a falta de saber, em muitas artes tradicionais, retira todas as caraterísticas de um percurso cultural ao longo dos anos. É por demais evidente que o mundo do trabalho mudou com o avanço da tecnologia e que a mão de-obra só por si não é mais uma mais-valia, como foi nos anos 60 para França ou com o boom da emigração para a Suíça nos anos 80 e mais recentemente para a Inglaterra. A formação profissional e a flexibilidade são as valências necessárias para que uma pessoa singre no exigente e no competitivo mundo do trabalho. Não podemos escamotear a realidade da nossa comunidade, que começa, cada vez mais, a ser atingida pelo flagelo do desemprego. Muitos poderão ter de regressar a Portugal, dado que o seu período de subsídio está para terminar. E a Suíça, em alguns cantões, é cada vez menos condescendente na atribuição de subsídios da assistência social.

Setembro 2015

edição-setembro-2015As eleições do passado dia 6 de setembro legitimaram a única lista que se apresentou a sufrágio para o Conselho das Comunidades. Depois das críticas que se fizeram sentir – na verdade, um pouco por todo o lado -, as eleições realizaram-se sem grandes sobressaltos e com muito pouca adesão – como era também, e aliás, já expectável. É preciso mudar as mentalidades e não dizer, por dizer, que ninguém faz nada, deixando as coisas correr… É preciso agir coerentemente e não como agiota de algibeira. É preciso expor as suas ideias de forma aberta e não esperar que a sua verdade seja absoluta. As boas vindas aos novos conselheiros das comunidades e desde já uma palavra de apreço pelo vosso empenho e e pela vossa coragem.

Nos dias de hoje, os novos fluxos migratórios trazem para a discussão novos problemas que as sociedades vão ter de enfrentar. Alguns países, Portugal incluído, começam a demonstrar sinais de envelhecimento e a desertificação do interior é uma realidade. Também a falta de saber, em muitas artes tradicionais, retira todas as caraterísticas de um percurso cultural ao longo dos anos. É por demais evidente que o mundo do trabalho mudou com o avanço da tecnologia e que a mão de-obra só por si não é mais uma mais-valia, como foi nos anos 60 para França ou com o boom da emigração para a Suíça nos anos 80 e mais recentemente para a Inglaterra. A formação profissional e a flexibilidade são as valências necessárias para que uma pessoa singre no exigente e no competitivo mundo do trabalho. Não podemos escamotear a realidade da nossa comunidade, que começa, cada vez mais, a ser atingida pelo flagelo do desemprego. Muitos poderão ter de regressar a Portugal, dado que o seu período de subsídio está para terminar. E a Suíça, em alguns cantões, é cada vez menos condescendente na atribuição de subsídios da assistência social.

Agosto 2015

gazeta agostoNo próximo dia 6 de Setembro, vamos ter eleições para o Conselho das Comunidades. Até ao fecho da edição do mês de agosto, nenhuma lista entrou em contacto com a nossa redação a dar conhecimento das suas ideias e dos elementos que a compõem, ainda que saibamos que estão duas listas interessadas em apresentar a sua candidatura. Se se inscreveram a tempo, não o sabemos, então. No entanto, a data apresentada para o efeito não vai ao encontro do interesse do próprio Conselho das Comunidades, nem para o debate de ideias e propostas para a problemática da emigração no seio da comunidade. Mesmo se estamos de acordo com algumas reformas efetuadas a nível da rede consular, como as presenças consulares, que estão a merecer a melhor atenção, muitos outros assuntos estão à espera de um melhor desempenho pelas entidades competentes, como, por exemplo, o formulário E 411 por parte da Segurança Social em Portugal, o que faz com que muitos portugueses desesperem para regularizar a sua situação junto das Caixas de Compensação (AHV, AVS), na Suíça, e assim poderem receber a prestação social a que têm direito. Já o dissemos: o estatuto de emigrante perde-se na opulência em pedir e nada em retribuir. Sabem os nossos leitores quanto tempo é necessário a um cidadão português, que regresse ao nosso país alguns anos antes do limite de idade, para pedir através dos serviços da Segurança Social a sua reforma à Suíça? Neste momento, há quem espere mais de um ano. E a culpa não é das instituições helvéticas. Os processos entram e ficam amontoados, à espera do deus dará. É que quem regressar a Portugal antes do limite da idade para a sua reforma vai ter de iniciar o processo no nosso país. E não vamos falar agora na taxa do IRS, para os reformados, que recebam a sua pensão de um outro país, porque tal é simplesmente vergonhoso e discriminatório. Políticas sérias e coerentes… são o que todos esperam dos deputados da emigração. E, se nos permitem, esta edição saiu com uns dias de atraso, porque também fomos para férias. Boas férias e regressem em segurança e felizes.

Julho 2015

julho_2015Efectivamente existe um decreto-lei que isenta os reformados emigrantes portugueses de pagarem IRS, por um período de 10 anos, em Portugal. A mesma lei é aplicada aos cidadãos estrangeiros que desejem ir viver para o nosso país. O que a lei não diz, aliás, ninguém diz, é que a mesma só pode ser solicitada, se nenhum português tiver nada em absoluto com a fazenda pública. Ora, isso é quase impossível dado que todos os emigrantes têm interesses, partilhas, casas adquiridas e como tal estão a pagar os impostos indirectos ao Estado. É uma falácia este decreto-lei e nada vem ajudar os portugueses que desejem trocar o seu endereço fiscal quando regressarem a Portugal para usufruir da sua pensão. O Estado deseja incluir estes portugueses no mesmo escalão dos nacionais, quando o dinheiro destas pensões não é pago, nem tão pouco mais ou menos, pela Segurança Social Portuguesa, mas sim pelos serviços de segurança social dos países de acolhimento onde os portugueses fizeram a sua vida activa. É um abuso, quando pedem aos portugueses que vivem fora de Portugal, a maior parte deles uma vida inteira, que invistam no meio de slogans apelativos de amor pela pátria, e que estes portugueses indubitavelmente sentem, quando deviam ter uma vida digna e um descanso sem sobressaltos…, mas o Estado vem agora cobrar algo com que que nunca teve que ver nem para o qual nunca contribuiu. E, depois, muitas destas reformas não são tão elevadas como muitos possam pensar. Basta ver a tabela das pensões helvéticas, em que, para pagar 2350CHF por mês, uma pessoa tem de ter descontado 44 anos de descontos e com salários médios elevados. Os emigrantes portugueses desejam pagar impostos, mas que sejam equivalentes ao que pagariam nos países de acolhimento. Boas políticas para a emigração são o que todos desejamos — justas e coerentes -,- tanto mais que o estatuto de emigrante
está gasto e sem qualquer benefício em Portugal. Tiraram-nos tudo. Não nos tirem a dignidade às nossas reformas.

Junho 2015

Junho 2015

O mês de junho é muito especial para Portugal e para os portugueses. Celebra-se no dia dez junho o dia de Portugal e das comunidades. São alvos de distinções diversas personalidades, em todas as áreas, e é também um momento de reflexão sobre o estado da nação. Paulo Rangel afirmou num colóquio que, com a abertura das fronteiras à europa, ao mundo, muito provavelmente daqui a muitos anos não vai existir mais Portugal nem portugueses. O fenómeno da globalização é aglutinador e imparável. Não sei se será assim o futuro, como o deputado do parlamento europeu afirmou com muita convicção. Mas sei que os portugueses vivem problemas reais, uma tributação excessiva e sufocadora, que não deixa muita margem para se ter uma vida digna e confortável, e que as zonas urbanas vivem numa miséria encapotada que está a levar ao desespero milhares de pessoas. Cada vez mais o Estado delega nas organizações privadas o papel social que deveria assumir. Cada vez mais são os privados que substituem as instituições estatais e amenizam muitas situações de desespero de muitos os concidadãos que vivem no limiar da pobreza. Desta forma, não posso deixar de louvar todos os movimentos de solidariedade que existem na nossa comunidade. E felizmente são muitos. Não vou mencionar nenhum em especial, porque todos fazem um trabalho digno e muito altruísta. Neste mês de reflexão sobre o estado da nação, uma medalha de louvor para todos aqueles que se dedicam ao próximo. Bem hajam.

Maio 2015

Maio 2015

Até a imprensa helvética tem vindo a dar conta de notícias sobre o mau desempenho dos conselheiros do fundo de desemprego helvético, em especial, na suíça alemã. Situações estas que se podem considerar absolutamente desenquadradas com as dificuldades com que muitos desempregados se deparam. Se é verdade que muitos desejam o fundo de desemprego para se aproveitarem do sistema, muitos são, também, aqueles que desejam encontrar um posto de trabalho e sair o mais rápido possível da situação em que se encontram. São muitos, na verdade, os casos de compatriotas que se encontram no fundo de desemprego, com mais de 55 anos, e os conselheiros de emprego convidam os mesmos a levantar os fundos do segundo Pilar e a deixarem a Suíça. Em outros casos, exigem que uma pessoa fale o alemão, não aceitando qualquer outra língua, mesmo se sabemos que, na Suíça, são falados quatro idiomas. E, caso assim não seja, penalizam e fazem com que estes mesmos inscritos no fundo de emprego percam o direito às prestações sociais. A lei do Fundo de Desemprego está a penalizar fortemente os estrangeiros. Esta é a realidade. Um trabalhador que esteja no regime de trabalho temporário tem de provar que procura um trabalho efectivo, mesmo se se encontra a trabalhar nesse mesmo regime. E já não chega, para muito conselheiros do fundo de desemprego, procurar em outras agências de trabalho temporário, não reconhecem apenas esse empenho, e o assegurado vai ter problemas a receber o seu subsídio. Também as caixas de desemprego não estão a ter o melhor desempenho, demorando mais do que deviam a pagar aquilo a que os assegurados têm direito, esquecendo-se estes de que as pessoas também têm de pagar as suas facturas no final de cada mês, e que nem todos têm direito à assistência social. A situação está a degradar-se e muitos são os portugueses que estão a ser afectados.

Abril 2015

Abril 2015

O nosso jornal vai cumprir 17 anos de actividade no próximo mês de Setembro. São 17 anos sem nunca ter faltado com uma única edição ao longo de todos estes anos. Já por diversas vezes o nosso jornal foi convidado a participar em encontros para discutir os problemas dos órgãos de comunicação social que se dedicam a servir a diáspora, espalhada em todo o mundo. E, no nosso caso, a comunidade portuguesa residente na Suíça. Também é verdade que já foram mais os jornais e rádios que se dedicam a esta actividade. Mas, entre indecisões e alguns problemas estruturais, foi finalmente dado o passo para a legalização da plataforma dos órgãos de comunicação social no estrangeiro, com sede na Associação Portuguesa de Imprensa (API), em Lisboa, que ocorreu no passado dia 5 de março, e da qual também fazemos parte. Não são esperados, porém, milagres. No entanto, é um passo importante para que o trabalho de diversos jornais, plataformas digitais, rádios FM e rádios na internet, que trabalham em prol da informação, da divulgação da cultura e da valorização da língua portuguesa, em todo o mundo, sejam legalmente reconhecidos. Todos podem fazer parte desta plataforma, desde que respeitem os códigos deontológicos da imprensa e que o seu objectivo passe por valorizar e divulgar a língua portuguesa. Todos os órgãos que respeitem estes princípios podem fazer parte, portanto, desta plataforma. Não se deseja uma plataforma elitista, mas sim abrangente e capaz de dar alguma resposta a alguns problemas, como, por exemplo, o acesso à informação e à participação em programas de valorização profissional do sector da informação, ou o reconhecimento de jornalista das comunidades. O primeiro encontro realizou-se em Lisboa, no Hotel Estrela, entre os dias 4 e 6 de março. O único senão da minha viagem foi ter passado sede no voo da TAP, entre Zurique e Lisboa. Pedi água gasificada, à hospedeira, e não fui atendido. Comi a sandes que me deram a seco. À parte disso, a viagem foi tranquila e pontual. O Jornal Gazeta faz então parte da plataforma dos órgãos da comunicação social, que espera ser uma mais-valia para todos aqueles que se dedicam a informar com dignidade.

Março 2015

Março 2015

Os funcionários consulares e os professores de português ainda não obtiveram uma resposta clara do governo para a resolução do problema da desvalorização do euro, em relação ao franco suíço, que os penaliza fortemente no final de cada mês. Não nos admiraria nada se os cursos de língua portuguesa forem limitados, e quem sabe cancelados, no próximo ano letivo, por falta de professores. E isto porque é impossível um professor desempenhar o seu papel de docente com menos de 3000 francos na Suíça. O mesmo se aplica aos funcionários consulares. Os salários que estão a ser pagos, ao abrigo do câmbio atual, não dignificam o seu desempenho profissional.

Emigrar não é uma decisão fácil de se tomar. Não se parte à procura de um novo rumo e de uma nova vida, de forma tão ligeira como muitos possam imaginar. Deixar a família e a terra que nos viu nascer, para destinos e culturas diferentes, é sempre um processo difícil e para muitos até penoso e traumático. Isto para dizer que, se Portugal não consegue dar oportunidades de trabalho e estabilidade de vida aos portugueses, não deveria ser tão penalizador para quem partiu à procura de uma vida melhor. Os governos ao longo dos anos despiram o estatuto de emigrante a nada, só se interessando pelos seus votos, em tempo de eleições, e pelas suas remessas. Acabou tudo. Desde o estatuto de poupança emigrante, a qualquer isenção fiscal que em tempos houve. Antes pelo contrário. Pobres dos que desejam usufruir da sua reforma nos últimos anos da sua vida em Portugal, porque a lei em vigor é confusa e ambígua em relação aos que desejem mais tarde mudar a sua residência fiscal para o retângulo ao lado do Atlântico.

Fevereiro 2015

Fevereiro 2015

Não quero iniciar este editorial sem antes deixar uma palavra de solidariedade a todos os professores de língua portuguesa e a todos os funcionários consulares e da embaixada, pela enorme perda dos seus salários com a desvalorização do euro. É terrível pensar no corte abruto dos seus rendimentos e as consequências terríveis que tal vai levar às suas famílias e, talvez, a impossibilidade de satisfazer os seus compromissos mensais. Mais terrível é pensar que, até ao dia de hoje, ainda nenhuma medida foi tomada por parte do governo. Espero que o bom senso prevaleça e que a situação possa ser ultrapassada o mais rápido possível. Os professores estão a fazer um trabalho notável e com tão poucos meios. Nunca vi, em tantos anos, tanta apetência e tanta vontade em ensinar os nossos jovens. A nossa língua é o património mais valioso que os portugueses têm. É o meio que nos liga e identifica como portugueses. E muitos maltratam tão mal o nosso português escrito e falado.

Os funcionários consulares e da embaixada, muitas vezes, são alvos de incompreensões fúteis e insípidas, em que os seu empenhos e profissionalismo não são devidamente reconhecidos. É fácil apontar o dedo. É fácil desmotivar e denegrir a dignidade de terceiros, e, muitas vezes, os portugueses sentem muito frequentemente a maledicência, na ponta das suas línguas. Errar é humano e não há ninguém que não erre. Muito sinceramente, que a situação dos seus salários possa ser reposta o mais velozmente possível, até porque a vida na Suíça não é propriamente barata e acessível. E, neste ponto, tenho a certeza de que todos concordam comigo.

Janeiro 2015

Janeiro 2015Neste ano que agora se inicia, o mundo foi atordoado com novas cenas de violência com o atentado em Paris. Não podemos deixar de lamentar e de condenar veementemente este tipo de ação terrorista, perpetrada contra a liberdade de expressão e contra inocentes, jornalistas que utilizavam o lápis e a caneta para expressarem as suas ideias e pensamento. De certeza que o Islão é muito mais compreensivo do que estes radicalistas que só conhecem o ódio e a morte.

Esperam-se novos desafios para a comunidade portuguesa neste ano de 2015. A formação profissional é cada vez mais importante para a obtenção dum posto de trabalho com perspetivas de estabilidade e de futuro. Aprender a língua local é decisivo para uma melhor integração e até para uma melhor defesa dos interesses de cada um. A Suíça atingiu um ponto em que urge tomar uma decisão. O país não pode manter uma posição ambígua em relação à Europa. Os 28 países da União Europeia não abdicam da livre circulação de pessoas, enquanto a Suíça deseja introduzir um limite à entrada de pessoas no seu território. Há acordos que vão ter que voltar a ser negociados. A ver vamos o que vai acontecer.

Estamos em ano de eleições legislativas. Para poder exercer o seu direito cívico terá de se registar e recensear num consulado da sua circunscrição. Faça-o. Registe-se, pois vamos ter de eleger os nossos representantes no parlamento da república e a diáspora portuguesa vai ter de reivindicar os seus direitos. Como o direito a uma fiscalidade clara e transparente, o que não acontece no caso dos emigrantes que desejam usufruir da merecida reforma em Portugal pois o sistema reveste-se de moldes dúbios. Mas este será um tema sobre o qual nos debruçaremos muito brevemente.

Este novo ano de 2015, espero que seja o tal para todos os nossos leitores e amigos. Que seja o coroar dos vossos desejos, das vossas ambições e na plena graça de saúde e de trabalho.

 

Dezembro 2014

Dezembro 2014

Algumas vozes alegam que o nosso jornal se dedica demasiado ao folclore. Mesmo se podemos dizer que o nosso jornal não é só folclore, só mesmo quem não o lê como deve ser é que poderá alegar algo similar. Não nego, no entanto, que o mundo dos folcloristas tem um lugar de destaque na nossa publicação. E assim irá continuar, na verdade. Tenho um enorme respeito pelas pessoas que dão o melhor de si em prol do que acreditam e daquilo de que gostam, representando a nossa cultura popular. Depois, e não é algo de pouco, os amantes do folclore representam 40% dos nossos assinantes. Dito isto, os amantes do folclore vão poder continuar a contar com a nossa publicação, incondicionalmente. Procuraremos, contudo, satisfazer todos os sectores da nossa comunidade, informando e dando conta das imensas actividades que se realizam.

O Ecopop não passou. Aliás, não passou nenhuma das propostas que foram a referendo no passado dia 30 de novembro. A sociedade civil helvética empenhou-se a fundo para que a mensagem da Ecopop não passasse. E felizmente assim foi. Mas alertamos para o facto de que a situação em relação a quem não encontra uma atividade laboral regular pode complicar-se, dado que as autoridades helvéticas não renovam a sua autorização de estadia e, como tal, o regresso será a única solução.

Estamos numa época que é muito particular. Uma época em que todos os anos se repetem valores e ideais, mesmo se os mesmos se esvaziam nas intenções. Todos os anos, a sociedade caminha em trilhos da indiferença e do consumo, da exclusão e da precaridade, do egoísmo e da gula, do receio e da falta de respeito pelos padrões mínimos da decência, da solidariedade e pela fraternidade humana. Não se conhece mais os vizinhos, e muitas vezes nem tão pouco os amigos ou até a família. Contudo, estamos quase a chegar a uma quadra que se deseja de esperança, de sorrisos e de conforto. Neste Natal, ofereça um abraço e um sorriso, um gesto de boa vontade, uma palavra de conforto a quem não a tem nada… Feliz Natal e Bom Ano Novo.

 

Novembro 2014

Novembro 2014

A Suíça vai de novo a referendo com a iniciativa da Ecopop, no próximo dia 30 de novembro. Uma iniciativa que propõe limitar a entrada de estrangeiros no país helvético, de uma forma radical. Ou seja, esta iniciativa é muito mais restritiva do que aquela que foi a referendo no passado dia 9 de fevereiro, e que deverá, de algum modo, entrar em vigor no próximo ano, mesmo se as negociações com Bruxelas já tiveram início, já que até à data ainda não foi encontrada uma solução. Existe um mal-estar em alguns sectores da sociedade helvética, e isso é evidente, por muito que se queira escamotear a situação. O certo é que muitos estrangeiros cada vez mais trabalham em situação de precariedade, no sector da construção, dado que as centenas de agências de trabalho temporário, que operam no mercado de trabalho helvético, não podem garantir contratos longos e estáveis a nenhum trabalhador. Muito deles já começaram a recorrer ao fundo de desemprego helvético e as ordens superiores são as de que todos os conselheiros, do instituto de desemprego helvético, sancionem à mínima falta por parte do desempregado. Quantas mais sanções, mais o Fundo de desemprego helvético poupa aos seus cofres. E quem não tiver direito ao fundo de desemprego corre o risco de ver a sua autorização de estadia cancelada por parte das autoridades da migração helvética.

Em conversa com o deputado pela emigração, Carlos Gonçalves, foi-nos confirmada a existência da lei que isenta os reformados emigrantes de pagarem o IRS, por um período de 10 anos, quando regressarem ao nosso país. O formulário em questão é modelo 3, anexo L, para residente não habitual. Sabíamos que o decreto-lei existia, mas também sabemos que a lei tem sido ambígua para muitos portugueses quando regressam ao nosso país e que são confrontados com taxas IRS exorbitantes, até porque a sua reforma provém de anos de trabalho em países de acolhimento, nos quais as taxas ficais são bem inferiores àquelas que infelizmente são praticadas no nosso país.

Outubro 2014

Outubro 2014

No último editorial, foquei alguns temas de um possível estudo sobre a evolução da nossa comunidade. Abordei, também, o tema da mobilidade social das últimas migrações. No entanto, é interessante verificar que a mobilidade social nos últimos anos demonstra um elevado padrão nas mulheres, numa altura em que as raparigas estão a superar o rendimento dos rapazes nas escolas e as mulheres estão em maior número que os homens no ensino superior. O mesmo sucede na migração, em que as mulheres atingem um número nunca até agora verificado. Ou seja, e sem qualquer dúvida, as novas oportunidades de mobilidade social nos países modernos permitem uma maior abertura e um melhor enquadramento profissional para as mulheres. No seio da nossa comunidade, começam também a aparecer outros fatores estranhos que estão a criar uma dependência dos serviços sociais. São essencialmente pessoas que deixaram de ter capacidade de manter o estilo de vida a que estavam habituadas. Os sociólogos falam de uma mobilidade descendente. A falta de trabalho é outra das principais causas de mobilidade descendentes. Claramente que muitos portugueses são vítimas da reestruturação das empresas e do emagrecimento dos ativos. É um fenómeno nunca visto antes na Suíça. Mas também é o jogo, a droga, e o excessivo endividamento. Em relação ao jogo, custa-me a aceitar que as autoridades helvéticas não ponham cobro às imensas máquinas ilegais que se encontram em muitos pontos de encontro para os portugueses. Acontece que esta mobilidade descendente atinge também as mulheres divorciadas ou separadas com filhos, as quais são vítimas de rancores e de disputas pelos seus direitos. Este é um fenómeno que se está alastrar por toda a comunidade portuguesa que reside na Suíça. Outro fenómeno prende-se com os empregos de colarinho branco. Muitos são aqueles que se dedicam à prestação de serviços junto das pessoas, e para tal vestem-se a rigor. Nos últimos anos, cresceram como cogumelos estes pontos de apoio e de venda de serviços. O carácter fluido de uma sociedade moderna empurra alguns elementos a manifestarem uma propensão para elevar as suas ocupações. O problema é que muitos deles não têm a competência para o fazer.

 

Setembro 2014

Setembro 2014

Cada vez mais os portugueses se distinguem no mundo pelo entusiasmo e pelo engenho com que ultrapassam as adversidades da vida. Seria interessante se se efetuasse um estudo, com uma base científico-sociológica, a fim de ver e analisar a evolução da comunidade portuguesa na Suíça. Sei que um estudo semelhante já foi elaborado, há uns anos, mas, na minha opinião, ficou muito aquém das expectativas. E isto porque muitos dos pontos relativos à forma como a comunidade se movimenta na sociedade helvética foram abordados, ainda que não devidamente aprofundados. Nomeadamente, o ponto sobre a estrutura organizativa helvética foi enaltecido, sem que alguns dos assuntos mais pertinentes fossem escalpelizados. Já antes da entrada do sistema democrático em Portugal, no 25 de abril de 1974, os portugueses saíam de Portugal à procura de novos rumos para a sua vida; uns por motivos económicos, outros devido à obrigatoriedade do serviço militar no ultramar e, por fim, ainda muitos por motivos políticos. Foi a geração da mala de cartão para França. A propósito, a palavra “democracia” tem origem no termo grego demokratia, que é formado por demos (“povo”) e kratia (“governo”). Trata-se, portanto, de um sistema político em que o povo governa, e não outros. Mas será mesmo assim? Muitas políticas do sistema democrático representativo levam as pessoas cada vez mais a procurar novos rumos para a sua vida. Mas, afinal, quais são os interesses da democracia representativa que levaram a um proteccionismo ousado a diversos grupos económicos? As políticas da democracia, nos dias hoje, nas sociedades ditas modernas, são elaboradas por pessoas, inseridas nos seus grupos políticos, eleitas pelo povo para esse propósito. Na ciência da sociologia, deve-se procurar a razão da origem de certos movimentos. Estou em crer que estamos perante um facto social, conforme nos deixou, no seu precioso legado, o sociólogo Émile Durkheim. Assim, no que diz respeito à Suíça, existe uma evolução da mobilidade social, já que, desde os finais dos anos 80, assistimos a um aumento constante do número de portugueses, de diferentes posições socioeconómicas, que procuram um novo rumo neste país. É também um facto que certas políticas no nosso país levam a uma desigualdade de classes, o que limita o acesso à educação e a empregos bem remunerados. Esta é, com toda a certeza, uma razão da origem dos movimentos da emigração. Existe a convicção, na sociedade helvética, de que os portugueses são apenas bons para os sectores económicos da construção, para a restauração e para as limpezas. Mas não é verdade. Somos bons em tudo; aliás, somos mesmo muito bons. Sinto um enorme regozijo com os nossos compatriotas que se afirmaram e alcançaram sucesso neste país, e que conseguiram estar inseridos no seio do movimento da tal mobilidade social. Temos capacidade para muito mais do que ter apenas braços para desempenhar um trabalho manual sob as ordens de terceiros. É claro que a dignidade do trabalho manual não tem limites e é tão nobre quanto outro. Mas somos um movimento que criou raízes, o seu próprio estatuto, ainda que, infelizmente, muitos teimem em não entender que a Suíça precisa dos portugueses – não só para a sua economia como também para o seu sistema social assim como para os seus números demográficos. Obviamente que este é apenas um pequeno apontamento, sem qualquer pretensão, para um estudo sociológico da nossa comunidade e que de certeza ir-nos-ia dar muitas mais respostas e outras tantas muitas certezas.

 

Agosto 2014

Agosto 2014Segundo os últimos dados da Secretaria de Estado da Economia Suíça (SECO), entraram na Suíça 13 000 novos emigrantes portugueses, no ano de 2013. Sabe-se, ainda, que, entre o ano de 2002 e o ano de 2013, entraram na Suíça cerca de 40 700 novos emigrantes por ano, o que faz que em cada quatro suíços um seja estrangeiro. Dos oito milhões habitantes registados no final do ano de 2013 na Suíça, 1 949 000 eram estrangeiros. Ora este número representa um aumento de 70 mil pessoas, em relação ao ano anterior. A comunidade portuguesa, só por si, já representa 13% do número de estrangeiros que vivem na Suíça, e corresponde, também, a um aumento da população lusitana residente em 23%. São números que reflectem efectivamente a crise que se vive no nosso país e que faz com que os portugueses procurem novos horizontes de vida e, essencialmente, um posto de trabalho para poderem honrar os seus compromissos.

A Suíça tem picos sazonais de trabalho, sendo que, no verão, é quando necessita de mais mão-de-obra, mesmo se fica sempre condicionada às condições do tempo, como sucede também no inverno, nas zonas de turismo, nas montanhas.

Sente-se, efectivamente, que a grande afluência de chegadas de portugueses ao país helvético diminuiu, em relação a anos anteriores, já que não temos conhecimentos de casos extremos de precaridade como aqueles que, infelizmente, aconteceram no passado.

Os sectores da construção, das limpezas e da hotelaria continuam a ser as áreas nas quais os portugueses têm mais facilidades em encontrar um posto de trabalho, o que representa mesmo uma mais-valia para a economia helvética.

A guerra fria entre Bruxelas e a Suíça já começou, e isto devido ao resultado do passado dia 9 de fevereiro, que prevê a introdução de contingentes e a prioridade para os trabalhadores locais, mesmo se o relatório apresentado pelo SECO e pelo Gabinete Federal das Estatísticas mencionam que o balanço da imigração europeia para a economia suíça é globalmente positivo.

A terminar, chegou-nos a notícia de um acidente mortal de um cidadão português residente com uma viatura de matrícula suíça e aqui fica uma nossa sentida homenagem. Mais uma morte a lamentar. Não podemos, assim, deixar de alertar, mais uma vez, para a importância de uma condução em segurança. Boas férias.

 

Julho 2014

Julho 2014

O governo helvético acaba de anunciar medidas que visam limitar o acesso aos Fundos do Segundo Pilar. Não se sabe ao certo que medidas vão ser essas. O que se sabe é que, em breve, muito provavelmente não se poderá retirar parte dos fundos para se investir na aquisição de uma casa ou para um negócio pessoal. E isto, porque cada vez mais pessoas recorrem aos subsídios de complemento de reforma, dado que o montante que recebem não é suficiente para terem uma vida condigna, em terras helvéticas. Sabemos, efetivamente, que muitas pessoas solicitam este tipo de subsídios. No entanto, estamos em crer que não serão tomadas medidas quanto ao levantamento desses mesmos fundos, aquando da partida em definitivo da Suíça. Contudo, as vozes mais críticas, no seio político, já por diversas vezes se pronunciaram contra essa possibilidade. Existe, no entanto, um acordo administrativo assinado que dá essa possibilidade aos emigrantes, aquando então do seu regresso em definito ao seu país. Também é verdade que muitas caixas de Pensão atrasam mais do que os três meses previstos, nesse mesmo acordo, o pagamento desses mesmos fundos. Há pessoas que estão há mais de um ano à espera do pagamento do capital que descontaram e que lhes pertence por direito.

Cada vez mais os portugueses são despedidos com idades perto dos sessenta anos, alienando a muitos a possibilidade de terminarem a sua atividade laboral até à data da reforma. Acabámos de ter conhecimento de que um português com 57 anos e seis meses de idade, a trabalhar na empresa há 27 aos, acaba de ser despedido, porque, segundo a entidade empregadora, não tem mais trabalho. Como sabem, a idade limite da reforma para a construção civil na Suíça é 60 anos de idade. Depois de tantos anos, deve ser muito frustrante um trabalhador receber a carta de rescisão do seu contrato de trabalho. Este é um exemplo de como estão as coisas.

Para terminar, desejo umas boas férias a todos os nossos assinantes, amigos e anunciantes do nosso jornal. Se conduzirem, tenham cuidado, porque as multas chegam a casa seja de que país for. E, mormente, sejam felizes.

Junho 2014

Junho 2014

O salário mínimo de 4000 francos foi linearmente recusado em referendo pelo povo helvético, no dia 18 de maio. Ninguém tinha grandes ilusões sobre o resultado. Contudo, estou em crer, houve muita falta de informação acerca desta iniciativa. Ou será que quem levou a proposta a referendo não se soube explicar convenientemente junto da população? No entanto, muitos são de opinião de quem estava contra esta iniciativa defendeu as suas ideias de tal forma, que não deu possibilidades de que o resultado da votação não fosse inequívoco e, assim, não causou qualquer surpresa. O que é certo, porém, é que muitos estrangeiros são pagos abaixo do que a lei permite. Temos conhecimento de casos de pessoas que estão a ganhar no sector da agricultura 9 francos à hora. Se contarmos com o que têm de pagar para o seu seguro de doença, aliado à dureza do seu trabalho, bem que poderiam referendar iniciativas no país helvético para terminar com este tipo de situações.

A abstenção ganhou nas últimas eleições para o parlamento europeu, junto da diáspora portuguesa na Europa. A abstenção atingiu 98.11%. Também é verdade que a mensagem dos conteúdos e das ideias dos candidatos dos partidos não chegaram às comunidades. Pelo menos de forma visível e objectiva. Devem estar a ganhar força e fôlego para as legislativas.

 

 

Maio 2014

Maio 2014

Que possamos ir todos votar nos próximo dias 24 e 25 de maio, nos respectivos postos consulares. No entanto, e para isso, importa estar recenseado, para que se possa então exercer um direito cívico tão vital para a democracia de um Estado de direito. É claro que os portugueses sentem-se desiludidos com a actual situação do nosso país. É indiscutível que os jovens não têm trabalho e que muitos – sejamos verdadeiros – são explorados com salários de miséria. E, na realidade, a escolha – tenho de o reconhecer – é difícil, porque, pela parte dos políticos, não aparecem novas ideias; reiteram vezes sem conta os mesmos slogans que nos fazem desconfiar. Seja como for, a democracia é um direito consagrado pelos acontecimentos do dia 25 de abril de 1974. E não nos podemos mesmo esquecer desta data histórica que devolveu ao nosso país, e ao nosso povo, direitos que lhes tinham sido sonegados, durante anos, pelo anterior regime. Porém, o caminho tem sido difícil e a classe política tem de ter a consciência de que muitos erros foram cometidos e que as soluções demoram a aparecer. Uma outra situação que está a desesperar os portugueses que trabalham na Suíça tem que ver com o formulário E411. A segurança Social em Portugal teima em emitir, com a celeridade necessária, e quem está a padecer são os portugueses que não recebem o abono de família pelas caixas de compensação helvéticas. São muitos os portugueses que têm as suas famílias em Portugal. Não entendo mesmo por que razão demoram tanto a emitir um documento, que não deveria tardar mais de um dia. É inadmissível. Mas a verdade é que ninguém resolve a situação. Imaginem um português que consegue um trabalho numa agência de trablho temporário, que muitas das vezes trabalha um ou dois meses, e o formulário, que devia ser preenchido pela Segurança Social portuguesa, pode demorar 4 a 5 meses. Não é a Segurança Social que vai pagar o abono. Mas sim as devidas Caixas helvéticas. E então? Adelino Sá

Abril 2014

gl_04_2014-01

Falta pouco. É já no próximo dia 25 de maio que os portugueses, a viver em Portugal, irão ser chamados a votar para a eleição dos seus deputados, que vão representar Portugal, no parlamento europeu. E a verdade é que também nós, portugueses a viver na Suíça, poderemos exercer esse direito cívico, nos postos consulares de Zurique, Berna, Genebra, Sion e Lugano. São muitas as iniciativas em curso para mobilizar os portugueses a votar para estas eleições, em terras helvéticas. O Partido Socialista Suíço, por exemplo, empenhou-se a fundo, junto de todos os migrantes europeus, que vivem então na Suíça, para exercerem o seu direito cívico, mesmo se este partido não pode eleger nenhum dos seus deputados helvéticos. No entanto, percebe a importância deste ato eleitoral para os desígnios europeus, que vive momentos de grande incerteza e com alguns desafios importantes por resolver. Quais? Muitos. Talvez o flagelo do desemprego e a defesa dos direitos sociais dos seus cidadãos, entre muitos outros problemas económicos que afetam os mercados europeus, estejam entre os mais relevantes. Com efeito, são sobejamente conhecidos os casos de Portugal, Irlanda e Grécia, no que a tais problemas diz respeito. Efetivamente, o desemprego é um dos problemas mais pertinentes e a causar mais preocupação, junto de todos os sectores da sociedade. E também não podemos esquecer o reflexo negativo de tal problema no próprio empobrecimento das pessoas e que pode inclusive conduzir ao desmembramento da estrutura familiar. E também já na Suíça se começam a fazer sentir a precariedade do trabalho e a influência cada vez maior das agências de trabalho temporário, sendo, no entanto, que muitas delas não respeitam a lei e a dignidade de quem precisa de um posto de trabalho. Dou o exemplo de uma agência de trabalho temporário em Reiden, no cantão de Lucerna, que foi buscar trabalhadores portugueses ao Instituto de Emprego em Portugal – e, sim, fixem bem: em Portugal -, tendo-as ludibriando-as com promessas contratuais, que não foram depois cumpridas. Ora, essas pessoas, que caíram no logro, acabaram então por ficar num situação pior do que aquela que tinham antes de sair de Portugal. Um dos próximos temas a abordar será, precisamente, o problema de muitos portugueses na Suíça e que resulta de ações de outros portugueses. Explico-me melhor: portugueses que têm empresas e que não cumprem com os contratos coletivos assinados com as entidades helvéticas competentes, pagando abaixo do salário mínimo, não cumprindo ainda as obrigações sociais para com os seus conterrâneos, que exercem uma atividade laboral para aqueles.

Adelino Sá

Março 2014

Março 2014Começo este meu editorial por homenagear todas as mulheres no mundo. O dia 8 de Março é, como bem sabemos – e não deveríamos nunca esquecer – o Dia da Mulher. Vivemos no século vinte e um, é um facto. Porém, a verdade é que ainda são cometidas numerosas atrocidades contra as mulheres, cujos direitos continua a ser devassados em tantos cantos deste planeta. E o respeito pelo ser humano é colocado muitas vezes em causa, inclusive, até nas próprias sociedades ditas modernas, com as mulheres a serem vítimas de ações vis e repugnantes. Por outro lado, e depois da ressaca do resultado do referendo, no passado dia 9 de fevereiro, muitas entidades helvéticas, de respeito incomensurável, alvitram, na grande imprensa, alternativas passíveis de fazer com que todos possam ficar contentes: satisfazer os resultados do referendo e a iniciativa do partido da UDC e contentar a própria União Europeia, para que os acordos bilaterais sejam respeitados. O povo suíço foi sempre muito bom negociador e nunca descurou, na verdade, os seus interesses. Também é verdade que a Suíça tem um trunfo de grande importância, de que poucos falaram: pelo território helvético, passam milhares de camiões que ligam o norte ao sul da europa. Mas vamos ainda a outro assunto. Este ano, comemoram-se os 40 anos da revolução dos cravos: o tão nosso vinte e cinco de abril. Na verdade, não passaram ainda assim tantos anos desde esse dia histórico, mas a verdade é que os nossos jovens pouco ou nada sabem da nossa história contemporânea. Deturpam os valores e o porquê da necessidade de os capitães de abril terem rompido com a ditadura e com o poder absoluto do Estado de então. Diz o sempre tão sábio povo que o tempo apaga a dor e as memórias. No entanto, não pode jamais esta ser esquecida. Nem poderá também ser apagada dor que causou a muitos filhos da nação, que perderam as suas vidas, num momento tão importante para Portugal. Para todos nós.

Fevereiro 2014

Fevereiro 2014A Suíça a ferro e fogo com a proposta da UDC O partido populista da UDC lançou mais uma vez o desafio de limitar a entrada de estrangeiros na Suíça. Assim, o povo vai a referendo no dia 9 de Fevereiro. Esta não é a primeira vez que o povo helvético é chamado a votar sobre este tema. São muitas as vozes que se levantam contra esta medida, no entanto, em relação a referendos passados, são muitos agora que dizem que chegou a hora de se voltar aos contingentes, como acontecia antes dos sete acordos bilaterais assinados com a União Europeia. A percentagem de estrangeiros na Suíça foi desde sempre muito alta. Já em 1910,  14,7% da população era estrangeira. No final do ano de 2012 chegou aos 23,3%, que representa um milhão oitocentas e oitenta mil pessoas mais. No ano passado entraram 83 mil novos de estrangeiros e soou o alarme por parte dos partidos de direita. A imprensa portuguesa fez grande eco de um comunicado emitido pela Confederação Federal Helvética e muitos órgãos de comunicação social em Portugal prestaram um mau serviço, dado que escandalosamente deturparam por completo a situação, acabando um deles colocar em garrafais na primeira página ” 250 mil portugueses em risco de expulsão da Suíça”, um atentado à boa verdade da informação. Os tempos mudaram, e todos têm a consciência desta realidade. O mercado de trabalho começa a ser mais disputado pelo excedente da oferta da mão-de-obra, mais trabalho sazonal, mais pessoal qualificado à procura de um emprego, entre muitas outras razões. Alguns cantões da Suíça alemã já colocaram em prática, há cerca de dois anos, de retirar a autorização B a uma pessoa, ao renovar esse documento junto da Polícia dos estrangeiros e se este se encontrasse na situação de desempregado. Retiraram o B, para dar o L, somente e apenas para os meses  que tivesse direito ao subsidio de desemprego. Não é uma prática nova nos cantões de língua Alemã. E isto, para salvaguardar os Serviços de assistência Social e, de uma certa forma, obrigar essa mesma pessoa a regressar ao país de origem. No entanto, essa pessoa pode regressar sempre que tenha um novo contrato de trabalho, alojamento e seguro de doença. É claro que podemos sempre criticar e ter uma opinião diferente. Não podemos é deturpar a realidade e a verdade. Os duzentos e cinquenta mil portugueses não estão em risco de expulsão, estão, sim, é sujeitas à forte concorrência no mercado de trabalho e ao ligeirismo de como muitas entidades patronais despedem os seus efectivos, dado que a Lei de Trabalho na Suíça assim o permite. Uma das armas é a formação profissional. Quanto mais empenho na valorização, mais possibilidades de afirmação, uma pessoa tem. Os números são do conhecimento de todos e, como no ano passado, os portugueses são a comunidade com o maior número de pessoas inscritas no fundo de desemprego.

Janeiro 2014

gl_01_2014-01

Milhões de francos esquecidos nas Caixas de Pensão

De acordo com um estudo efetuado, recentemente, mais de 500 mil pessoas não têm a mínima ideia sobre uma parte do dinheiro acumulado nas Caixas de Pensão. Calcula-se que esta cifra se eleve a 6 000 milhões de francos. Depois de uma pessoa deixar um posto de trabalho, o dinheiro de pensão (Segundo Pilar) acumulado, na maior parte das vezes, não é transferido para a nova Caixa de Pensão, mas depositado numa central de fundos por parte dos empregadores como exige a lei. Ainda segundo a lei, a Caixa de Pensão, do antigo empregador, só pode manter esse montante por um período de seis meses. Segundo a indicação da Central de Fundos da Pensão Caixa, em Zurique, no ano de 2012 esta tinha sobre a sua tutela 820 mil contas registadas, e dentro deste número estima-se que cerca de 200 mil contas não tinham um titular conhecido, calculando-se que o valor destas contas anónimas seria de 300 a 400 milhões de francos. Além disso, calcula-se que se encontrem mais de 6 000 milhões de francos em todas as seguradoras e centrais de fundos, sem um titular conhecido. O mais interessante é que este montante, que é investido, está a render fortunas pelos juros acumulados nestas caixas de fundo. Não nos admira que assim seja. Depois do acordo estabelecido, em 2007, uma pessoa só pode levantar os seus fundos se deixar em definitivo a Suíça e se não estiver assegurado na Segurança Social do seu país de origem, ou num outro país da União Europeia, onde seja a sua residência oficial. Sabemos que muitos dos nossos compatriotas trabalham poucos meses na Suíça, descontam os seus fundos, e quando saem daqui, pensam sempre num regresso, que muitas vezes não acontece. Este é um pequeno exemplo de como se pode perder o rasto aos fundos, mesmo que o montante seja pequeno. Já tinha mencionado, em edições anteriores, que o sistema pode ser perverso e adverso para quem procura um novo rumo de estabilidade na confederação. Se tiver dúvidas sobre o paradeiro dos seus fundos, de qualquer parte da Suíça, ou até de Portugal, contacte o seguinte endereço: Zentralstelle 2. Saule Sicherheitsfonds BVG Geschäftstelle Postfach 1023 3000 Bern 14 Adelino Sá

Dezembro 2013

gl_12_2013-01

Este vai ser um editorial com palavras já repetidas em editoriais anteriores. Não é que me faltem ideias para vos dar uma visão desta quadra, mas os valores e as boas intenções repetem- -se também ano após ano. Decidi, assim, partilhar convosco, queridos leitores, estas mesmas palavras que já vos presenteei. O Natal também se repete ano após ano, com desejos nobres de boas vontades na terra dos homens. Ficam pelo menos as intenções. Assim, estamos novamente no mês de Dezembro e este é um mês distinto, uma vez que se celebra, mais uma vez, o Natal. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, dado que não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus Cristo. No século IV a. C., no mundo romano, a Saturnália, festividade em honra do Deus Saturno, era comemorada do dia 17 ao dia 22 de Dezembro, que era um período de alegria e troca de presentes e favores. O Papa Julius I mudou para sempre a história do Natal ao escolher o dia 25 de Dezembro como data fixa para a celebração das festividades, com o intuito de substituir os rituais pagãos. Nos dias de hoje, as tradições de Natal diferem de acordo com os costumes de cada país. Acredita-se, por exemplo, que a tradição da árvore de Natal começou na Alemanha no ano de 1530, quando Lutero caminhava pela floresta, ficando encantado com as árvores carregadas de neve e com as luzes do luar a brilhar sobre o manto do bosque. Outro aspeto do Natal prende-se com o bom velhinho, que deu lugar ao Pai Natal, o qual dizem que foi inspirado num Bispo chamado Nicolau que nasceu na Turquia, 280 anos antes de Cristo. O homem de bom coração tinha o hábito de ajudar as pessoas pobres, colocando pequenos sacos de moedas ao pé das chaminés das casas. No entanto, foi a Coca-Cola que vestiu o Pai Natal de vermelho, no ano de 1881, numa campanha publicitária de grande sucesso. Relativamente ao presépio, este nasceu com São Francisco de Assis, em 1223, e o povo assumiu a tarefa de continuar com a sua iniciativa. Os valores sobre o Natal foram-se construindo ao longo dos séculos, como um templo de esperança e de bonança, em relação aos mais desprotegidos. Contudo, a grande verdade é que a data, que deveria ser de partilha e de compreensão e um encontro com a essência do Cristianismo, se tornou num mercado de consumo sem paralelo, cujos valores materiais são motivo de cobiça e de despesismo. A vida de Jesus foi marcada por valores e ensinamentos que, atualmente e infelizmente, estão cada vez mais afastados dos homens. Assim, neste Natal de 2013, espero que valores como a união, a compreensão, a tolerância, a partilha, o desprendimento, a boa vontade e o amor pelo próximo sejam os melhores votos que eu vos possa oferecer, queridos leitores do nosso Jornal. Feliz Natal e Bom Ano Novo!

Novembro 2013

gl_11_2013-01

Muitos apregoam pela cultura em terras helvéticas. Temos uma espécie de cavaleiros, a guarda inteligente e briosa da tradição artística e pensadora, os portadores das novas ideias que agitam o nosso tempo e que, de certeza, irão revolucionar e transformar o futuro numa sociedade de artistas, poetas, cronistas, editores, escritores, sem saberem muito bem do que falam ou escrevem. Haja decência e respeito pelo mundo da escrita. Haja decência pelas competências de cada um. Haja respeito pelo trabalho isento e honesto que, pressurosamente, nos arrasta há quinze anos. Existe uma corrente de boémios publicistas que brotam, das suas intrínsecas veias, algumas ideias de iluminados decadentes, caindo na confortável posição de percucientes do mundo das Letras. Estes são, em resumo, os resultados apurados de uma panóplia de pessoas coloridas, pela porosidade da sua massa encefálica, que enfeitam a nossa comunidade; insignes eruditas munificentes, de caneta na mão, que plagiam sem contemplações e que só querem injuriar a nossa linha de pensamento. Há espaço para todas as ideias. Há espaço para agradar a todos os leitores. É preciso trabalhar. Trabalhar muito e perder muitas horas de sono a estudar.

 

Outubro 2013

gl_10_2013-01

Estamos apenas a três meses do fim do ano e muitos dos portugueses, que trabalham em regime sazonal, vão-se inscrever novamente nos Centros de Emprego, portanto, vamos assistir outra vez ao aumento do desemprego. Deste modo, tal como sucedeu no ano passado, talvez as televisões helvéticas façam reportagens aos estrangeiros sobre os fundos de desemprego que a Suíça lhes paga. O mundo de trabalho na Suíça mudou e no passado era encoberto pelas autorizações de residência A, que permitiam apenas a estadia a um trabalhador por nove meses. O avanço da tecnologia “rouba” milhares de postos de trabalho, pois as máquinas passaram, em alguns casos, a substituir os homens, sem que a sociedade tivesse descoberto uma forma de lhes dar uma ocupação plena. A Europa tem mais de 28 milhões de desempregados registados, e a Suíça continua a ser um oásis no meio deste velho continente, com uma taxa média de 3,3% de desempregados, na sua maioria portugueses. A formação profissional será provavelmente a única forma de podermos combater esta situação, uma vez que o mundo de trabalho é cada vez mais competitivo e complexo. Sem grandes alaridos, o nosso jornal cumpriu 15 anos de atividade e nunca falhou uma única edição, o que só revela a muita dedicação e paixão pelo que temos vindo a fazer. No entanto, os grandes obreiros da nossa publicação são todos aqueles que a têm vindo a apoiar, nomeadamente as empresas e instituições bancárias que, ao longo dos anos, nunca desistiram do nosso projeto, e as centenas de assinantes que continuam fiéis às páginas do nosso jornal. Somos apenas um veículo que tenta fazer o seu trabalho, para que a comunidade se possa conhecer um pouco melhor, alertando-a em relação aos seus interesses e valores. Não somos perfeitos, nem temos meios para cobrir todo o território helvético. A realidade leva-nos, por vezes, a escolher o que melhor se adapta, correndo o risco de sermos injustos com os organizadores de muitos eventos, que se realizam no seio da nossa comunidade. Assim, não é tempo para grandes comemorações, mas é tempo de continuarmos a tentar fazer o nosso melhor em prol de uma comunidade rica em valores, tradições, altruísmo, eloquência e capaz de ultrapassar todas as adversidades.

Setembro 2013

gl_09_2013-01

Segundo um estudo apresentado recentemente pelo Oficio Federal das Estatísticas, a taxa de pobreza baixou na Suíça, ou seja, menos pobres em tempo de crise. No entanto, o estudo revela alguns dados curiosos. Dentro da lista dos mais afectados, vemos por último os estrangeiros. Sabemos que para usufruir de uma ajuda social, por parte do cantão de residência, o estrangeiro necessita de possuir o “Permis” B, caso contrário não pode candidatar-se a tal ajuda. O que é mais curioso, é que muitos cantões estão retirar essa autorização a todos os estrangeiros que estejam na situação de desempregados — a receber o subsídio de desemprego– em caso de estarem para renovar o “Permis B” , (a dar-lhes o Permis L em vez do B) , que lhes retira qualquer possibilidade de pedido de ajuda social, quando terminem o período de subsidio de desemprego. Ainda segundo os números apresentados, uma pessoa em cada 13, é considerada pobre, que leva a que 580 mil pessoas vivam nesta situação, que representa 7,6% da população. Por último, todas as pessoas que vivem sozinhas com menos de 2200 francos ao mês, ou se vive em união com dois filhos, e que não atingem os 4050 francos ao mês, são considerados pobres. Estamos em crer que os estrangeiros deveriam subir na lista dos mais afectados, porque conhecemos muitos que não atingem os valores apresentados no estudo.

É curioso ver na grande imprensa nacional o estigma no que se refere a notícias que tenham a ver com cidadãos nacionais que vivam no estrangeiro; tudo o que façam são emigrantes; o emigrante bateu, o emigrante teve um acidente, o emigrante fez isto ou aquilo. O mais engraçado, em alguns casos, as pessoas em questão viveram em países estrangeiros durante anos, mas a residir em Portugal definitivamente, são sempre emigrantes. Somos emigrantes no país de acolhimento e somos emigrantes no nosso país. Triste a sina do emigrante, só nos falta pôr a mala de cartão numa mão e o garrafão de vinho na outra.

Agosto 2013

gl_08_2013-01

Na Suíça sucedem-se sempre episódios que passam despercebidos a muitos portugueses que vivem neste país. Por exemplo, foram detidas 16 pessoas no cantão de Soleta, 2 dos quais são portugueses, com cerca de 5 quilos de heroína, 700 gramas de cocaína, e cerca de 6 quilos de substâncias para produzir outro tipo de estupefacientes, 6 veículos de alta gama e mais de 120 mil francos em dinheiro. Sabemos, infelizmente, que muitos portugueses continuam envolvidos em negócios escuros do mundo da droga. Alguns deles já foram detidos. A polícia anunciou que esta detenção foi o resultado de uma investigação que durou dois anos. Se as autoridades continuarem atentas, temos a certeza que mais alguns dos nossos compatriotas vão ter problemas. No cantão de Lucerna as autoridades detiveram um cidadão de cor para um controle que deveria ser de rotina. A pessoa em questão regressava a casa às 3 da manhã do turno da noite. Foram-lhe pedidos os documentos, fizeram-no soprar o balão duas vezes, com resultado negativo em ambos. A polícia, numa atitude de prepotência, levou a pessoa em questão ao hospital de Lucerna onde lhe foi feito um exame ao sangue, que resultou mais uma vez negativo. As autoridades, que nada mais tinha a fazer, deixaram a pessoa às 4 e meia da manhã no hospital e disseram-lhe para a apanhar um táxi para ir buscar a sua viatura. Se isto não é prepotência e racismo, não sei o que deverei dizer. Depois de soprar duas vezes o balão, as autoridades olharam para o individuo e lá pensaram; este tem alguma coisa a esconder na sua cor…e nem o levaram de volta ao local onde o pararam. Todos os cidadãos, sejam eles suíços ou estrangeiros, pagam os seus impostos e merecem respeito por parte deste grupo de pessoas fardadas a quem se apelidam de autoridades. Caros amigos: vamos parar de encher o “traseiro” das autoridades com as nossas multas. Infelizmente os portugueses são os que estão à frente das estatísticas no pagamento de multas, e essencialmente por álcool ao volante. A Polícia quando tem conhecimento de uma festa de portugueses, seja em que parte for da Suíça, esfrega as mãos de contente, coloca-se em pontos estratégicos, e é só controlar as viaturas. Se conduzir não beba. Posso assegurar que muitos cantões têm nas multas o seu filão de receitas para sanear as suas contas. Cada vez existem mais radares, cada vez existem mais pontos de controlo por parte das autoridades; é a caça às multas. Continuem a ser felizes e tenham umas boas férias.

Julho 2013

A taxa de desemprego na Suíça não tem a mesma expressão do que aquela que existe em toda a Europa, e muito em especial os números que o nosso país apresenta. A Europa tem mais de 26 milhões de desempregados. Um fenómeno que faz com que muitos coloquem em causa o espírito europeu e as políticas do velho continente. Em Portugal a taxa atingiu os 17,2% da população. Na Suíça, a taxa situa-se nos 3.1%, mas a comunidade portuguesa é a que mais pessoas tem inscritas à procura de um posto de trabalho. Nunca é demais falar na formação profissional, uma valorização pessoal que pode abrir muitas portas no mercado de trabalho. Nos tempos que correm a Suíça não se padece com as limitações dos portugueses dado que tem muita oferta para satisfazer os pedidos das empresas.  Depois da entrada da cláusula de salvaguarda a Suíça tem limitado o número de autorizações de longa estadia, como que coloca muitas imposições aos que estão inscritos no Fundo de desemprego e têm de renovar a sua autorização de estadia. Muitas delas, são imposições absurdas que nos leva a questionar os verdadeiros objectivos destas medidas. Devo realçar que varia de cantão para cantão, sendo os da Suíça central muito mais exigentes e intransigentes.

Na próxima edição vamos apresentar um trabalho sobre a taxa de desemprego da comunidade portuguesa no país helvético. A reportagem já deveria ter saído na edição anterior, mas infelizmente é sempre um assunto actual devido às actuais circunstâncias. Também é verdade que o fluxo de portugueses à procura desesperada por um contrato não é tão evidente nos últimos tempos. No entanto, a comunidade portuguesa continua a crescer. Os últimos números das autoridades apontam para cerca de 247 mil portugueses registados.

Estamos no tempo de férias. Aproveito para desejar a todos os nossos leitores e amigos um repouso merecido e para quem conduzir, todo o cuidado é pouco.

Junho 2013

 

Maio 2013

É preciso acreditar que podemos ultrapassar as dificuldades. É preciso acreditar que os problemas com que nos deparamos nos dias de hoje vão ser rapidamente ultrapassados. Se não acreditarmos, o processo será cada mais penoso e muito mais exigente. A decisão das autoridades helvéticas em limitar a entrada de pessoas oriundas da União Europeia, não nos apanhou desprevenidos. Haverá sempre espaço para se conseguir uma autorização de estadia de trabalho, mesmo se limitada, no entanto, é um sinal forte de alerta que todos devem ter em consideração. Apenas os mais habilitados e com uma maior formação profissional, com conhecimento das Línguas maternas helvéticas, terão mais possibilidades no cada vez mais difícil e exigente mundo do trabalho na Suíça.

Contudo, não vai haver espaço para quem não se sabe adaptar aos novos padrões onde cada vez menos a mão-de-obra pouco especializada tem lugar. A displicência, os incautos pelo seu futuro, poderão sofrer graves problemas pela sua sobrevivência no dia de amanhã. O Estado social não vai ter complacência para quem não se soube precaver. Já são muitos que não conseguem acompanhar os seus descontos para a Segurança Social, dado que não produzem, porque o trabalho é escasso e regateado por muitos. No entanto é preciso acreditar, porque senão acreditarmos, o que é que nos sobra?

 

Abril 2013

As sociedades modernas correm para uma queda sem precedentes, onde sobressai um total desequilíbrio socioeconómico, com o risco de um desmoronamento do normal equilíbrio de um ser humano, levando muitos destes ao suicídio. Para constatar esta triste realidade, basta ler as notícias quotidianas. Não existe, dentro das pessoas que vivem num padrão normal, uma segurança à vida para nada, estando muitas destas dependentes de apoios sociais, ou da resposta das instituições, que cada mais extinguem direitos e cada vez mais exigem padrões que o mercado de trabalho não tem resposta.

Vou contar-vos o caso da família Silva, chamemos de Silva a esta família. O Senhor Silva veio para a Suíça há 28 anos. Trabalhou toda a vida no sector da construção. Tem actualmente 53 anos de idade e há três anos que padece de artrose, que surgiu após de uma pancada no joelho no seu local de trabalho. Em primeiro, o Seguro de Acidentes, não reconheceu o estado clinico do Sr. Silva, como acidente, mas sim como doença. Passados os dois anos de baixa médica, a que teve direito, foi despedido pela empresa. Os serviços de Invalidez, consideraram o que Sr. Silva pode exercer outra profissão no mercado de trabalho helvético, não atingindo assim os valores para indeminização de invalidez. Passou ao fundo de desemprego, onde procurou um posto de trabalho que fosse ao encontro das suas limitações físicas, que não encontrou. Neste momento só pode recorrer da Assistência Social, que só ajuda depois de ele se libertar de quase “todos os seus bens materiais” que adquiriu ao longo de muitos anos de vida. Nada mais o poderá ajudar aos 53 anos de idade. O mercado de trabalho helvético não se compadece com doenças e, neste caso, para um português que se chama de Silva. A linha do que o Senhor Silva pensava ser de estabilidade, depois de 28 anos sempre ao serviço da mesma firma, passou a ser uma luta pela sobrevivência que o vai levar a levantar os Fundos e regressar a Portugal. E felizmente que ainda tem os fundos. Vai ter de esperar até aos 63 anos para poder pedir a reforma antecipada da AHV/AVS, pelos seus 28 anos de descontos na Suíça.

Começa a não haver respostas nas sociedades para os problemas de falta de emprego e de limitação física para exercer uma actividade laboral. Depois de apresentar o caso do Senhor Silva, só posso dizer que a poupança e o cuidado por si próprio é a melhor prevenção para a ténue linha de estabilidade das exigências das sociedades modernas nos dias de hoje. Os valores de solidariedade institucionais são ilusão, em vez dos impostos que cada vez mais são pesados e uma perseguição permanente.

 

Março 2013

A imprensa helvética não se cansa de mencionar o enorme fluxo de portugueses que está a chegar à Suíça. Há uns dias atrás, o jornal de Basileia mencionou isso mesmo na sua primeira página. Muitos falam, inclusivamente, em fechar as fronteiras aos novos emigrantes do Sul da Europa, Espanha, Portugal e Itália. O Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, em declarações à Lusa, afirmou que tal pretensão, caso se confirme por parte das autoridades helvéticas, deve merecer sempre o parecer de Bruxelas, da União Europeia, dado que o acordo de livre circulação de pessoas ainda está em vigor.

Seja como for, o fenómeno está a ganhar cada vez mais força e são muitos portugueses que infelizmente se encontram numa situação de carência e à mercê de quem se aproveita da precaridade de terceiros. Como, por exemplo, no cantão de Berna, temos conhecimento que uma exploração agrícola, tem, ou teve, muito recentemente, portugueses a trabalhar a negro e a pagar cinco francos à hora e em condições muito desumanas. A necessidade de quem tem compromissos familiares, até com as instituições bancárias, no pagamento das hipotecas das suas casas, faz que se aceite todo o tipo de trabalho. O Partido Comunista Português, através da sua organização na Suíça, lançou o alerta com um debate aberto onde foram apresentados alguns casos de licenciados à procura de qualquer tipo de trabalho no país helvético.

Com a entrada da Primavera, o mercado de trabalho tende em ficar mais flexível e com mais possibilidades de emprego. Esperámos que muitos dos nossos compatriotas possam almejar por um posto digno para poderem fazer face aos seus compromissos e alcançar a deseja estabilidade.

 

Fevereiro 2013

Nunca tantos jovens licenciados vieram para a Suíça à procura de um novo rumo para as suas vidas. São Arquitectos, Professores, Engenheiros Agrónomos, Jornalistas, Advogados, Gestores, entre muitas outras Licenciaturas. Segundo os recentes dados do Instituto de Estatística, mais de 250 mil pessoas saíram do nosso país nos últimos três anos, e segundo os entendidos, pode vir a criar um sério problema demográfico nos próximos anos no nosso país. São números iguais ao primeiro grande Boom da década dos anos sessenta. Se naqueles tempos muitos identificaram os portugueses como os mala de cartão, hoje podemos dizer que são a emigração da batina. Muitos explicam o fenómeno à crise económica internacional que assolou o mundo desde o ano de 2008. Será que é só isso? O que mais impressiona é que muitos destes licenciados procuram uma colocação em qualquer área, e dispõem-se aos trabalhos mais humildes, e muitas vezes sem a compensação económica justa para o trabalho que fazem. Sabemos que todo o trabalho é digno. Mas o que preocupa é o esforço de tantos anos de estudo, o investimento que o Estado também fez nestas Licenciaturas, as pessoas se vejam confrontadas com incertezas e dificuldades no planeamento das suas vidas. Se falamos dos licenciados, também todos os demais procuram um novo rumo e tentam sobreviver nesta sociedade. Segundo as estatísticas, foram registados quase 18 mil portugueses pelas autoridades helvéticas nos últimos 6 meses. E não se fala daqueles que trabalham a negro. Temos conhecimento de alguns nesta situação. Sem contrato de trabalho, sem autorização de estadia, e a ganharem menos de 10 francos à hora. Como se pode ficar indiferente a este problema?

As remessas dos emigrantes nunca atingiram um valor tão elevado como os últimos números apresentados pelo Banco de Portugal. Os portugueses continuam a amar o seu país, por muito ingrato que por vezes este possa ser. O apego à nossa terra e à família, continuam a falar mais forte do que a própria razão.

Janeiro 2013

São muitos que fazem, no final de cada ano, uma lista de promessas e objectivos que esperam poder ver cumpridos no final do ano que apenas se inicia. Muitas dessas promessas nunca irão ser cumpridas nem os objectivos irão ser alcançados. É um ritual que toca um pouco a todas as pessoas. Mas a esperança pelo desejo de bonança é sempre um incentivo para se fazer planos de poupança, ou de dietas para se perder os quilos dos excessos das festas. Os políticos, por exemplo, são uma classe que se repete ao longo dos tempos, nos sucessivos governos, nunca cumprem com as suas promessas e com os seus planos,.

O Ano Novo é também o dia em que se celebra o Dia da Confraternização Universal, reconhecido pela ONU, como é também o Dia Mundial da Paz, desde o ano de 1968, quando o Papa VI instituiu a data para celebrar a paz entre os povos. A esperança pela estabilidade e pela abundância já vem desde os tempos antigos, como as promessas no início de cada ano. Assim, neste ano de 2013, os votos renovam-se um pouco por todo o globo.

O nosso jornal irá continuar o seu caminho, neste ano de 2013, onde cumprirá 15 anos de existência no próximo mês de Setembro. Dentro das suas limitações naturais, irá tentar estar junto da nossa comunidade e dar a conhecer o que mais de relevante se faz. Falhas irão sempre existir. É algo que se tenta sempre evitar, mas sempre sem qualquer garantia.

Não poderia alhear-me de desejar um Bom Ano 2013 para todos os nossos leitores e amigos. Num ano, que se predispõe a ser um ano difícil para os portugueses.

Dezembro 2012

Estamos no mês de Dezembro e este é um mês distinto; celebra-se o Natal. Na antiguidade o Natal era comemorado em várias datas diferentes, dado que não se sabia com exactidão a data do nascimento de Jesus Cristo. No século IV antes de Cristo, no mundo romano, a Saturnália, festividade ao deus saturno, era comemorado do dia 17 ao 22 de Dezembro, que era um período de alegria e troca de presentes e favores. O Papa Julius I muda para sempre a história do Natal ao escolher o dia 25 de Dezembro como data fixa para a celebração das festividades, com o intuito de substituir os rituais pagãos. Nos dias de hoje, as tradições de Natal diferem de acordo com os costumes de cada país. Acredita-se, por exemplo, que a tradição da árvore de Natal começou na Alemanha no ano de 1530, quando Lutero caminhava pela floresta e ficou encantado com as árvores carregadas de neve, com as luzes do luar a brilhar sobre o manto do bosque. Outro dos aspectos do Natal, prende-se com o bom velhinho, que deu lugar ao Pai Natal, ao qual dizem que foi inspirado num Bispo chamado Nicolau que nasceu na Turquia 280 anos de Cristo. O homem de bom coração tinha como hábito de ajudar as pessoas pobres colocando pequenos sacos de moedas próximo das chaminés das casas. No entanto, poucos sabem que foi a Coca-Cola que vestiu o Pai Natal de vermelho no ano de 1881 numa campanha publicitária de grande sucesso. O presépio nasceu com São Francisco de Assis em 1223 e o povo assumiu a tarefa de continuar com a sua iniciativa. Os valores sobre o Natal foram-se construindo ao longo dos séculos como um templo de esperança e de bonança em relação aos mais desprotegidos. Mas a grande verdade é que a data que deveria ser de partilha e de compreensão e um encontro com a essência do cristianismo, tornou-se num mercado de consumo sem paralelo, onde os valores materiais são motivo de cobiça e de despesismo.  A vida de Jesus foi marcada por valores e ensinamentos que nos dias de hoje estão cada vez mais afastados dos homens. Assim, espero que os valores como a união, a compreensão, a tolerância, a partilha, o desprendimento e o amor pelo próximo, sejam o melhor voto que vos possa oferecer, queridos leitores do nosso jornal, neste Natal de 2012. Feliz Natal e Bom Ano Novo.

Novembro 2012

Após o 25 de Abril o nosso país permitiu situações, com o aval dos diversos governos que por lá passaram, que colocam a nossa sociedade numa situação delicada, de total dependência de terceiros e com grandes probabilidades de a economia portuguesa se asfixiar por completo. A conjuntura económica mundial não explica tudo. Muitos dos interesses instalados, com a permissividade de uma classe política que se rendeu aos benefícios de lugares de topo nas diversas empresas do Estado e do privado, coloca refém o Estado Editorial português a pagamentos avultados, a concessões pré-estabelecidas, que não beneficiam o colectivo, muito antes pelo contrário. E, isto, para não falar das Fundações, muitas das quais, subsidiadas pelo Estado, que nasceram com princípios duvidosos, ou mesmo para alentar o ego de algumas figuras públicas. O país está refém de alguns interesses feudais, de um grupo de privados, que continuam a controlar, com acordos ruinosos, sempre por parte dos sucessivos governos, que ao longo dos anos assinaram esses mesmos compromissos, ou permitiram situações, que nunca foram devidamente esclarecidas… E os casos e as suspeitas são tantas, que é até difícil enumerar…basta apenas mencionar as ruinosas derrapagens de algumas obras obras públicas ao longo dos anos, como a requalificação para Expo 98, Ponte do Mondego, o Centro Cultural de Belém, a Casa da Música no Porto, como também a concessão a privados da ponte Vasco da Gama, das auto-estradas, entre outras. Inclui-se neste triste rol o famigerado caso BPN, aliado a muitos erros do passado, pouco ou nada esclarecidos, como a sucessão de soberania de Macau, com o financiamento do seu aeroporto, que nunca foi também devidamente explicada, a qual deu origem até a mais uma Fundação… Tudo isto, por entre, muitos, muitos outros casos. Enfim! Um enumerado de acontecimentos, ao longo de trinta e cinco anos, fazem pensar se o sistema democrático está falido ou se foi envolto em interesses de algibeira para uma classe política ávida de lugares ao Sol. Por isto, e muito mais, não posso deixar de registar o meu sentido protesto contra o aumento de impostos apresentado pelo executivo no seu Orçamento de Estado para o ano de 2013… está-se a lapidar por completo uma classe média e a sufocar uma faixa da população que não tem outra solução do que prevaricar para poder sobreviver. É isto o resultado da democracia de Abril? Dos bons falantes da estabilidade e da justiça social? O que isto vai dar é uma enorme desordem social no nosso país… Haja bom senso.